Cristão e Política, tudo certinho?

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Eu havia pensado comigo mesmo que não me manifestaria quanto ao assunto porque é extremamente complicado. Talvez tão complexo quanto outros textos polêmicos que eu tenha feito, ou até mais. É com pesar, todavia, que alguns episódios me chamaram a atenção ao ponto de eu querer comentar alguns princípios e advertências para o evento que teremos domingo agora.

Como começo a maioria de meus textos, já quero avisar que minha intenção não é IMPOR nada, quem sou eu para servir de consciência política para tantas pessoas de calibre intelectual invejável? No entanto, alguns anos convivendo em simulações das Nações Unidas e no meio acadêmico de direito (ainda que eu curse medicina), trouxeram-me questionamentos que gostaria de dividir com vocês.

 

Por acaso conhecem o livro “A Revolução dos Bichos” de George Orwell? Resumindo bastante a história, o autor conta que os animais de uma fazenda tramam tirar o poder das mãos de seus maléficos donos, e até conseguiram. Implantaram o que chamaram de animalismo, uma doutrina em que todos teriam as mesmas condições e direitos; mal sabiam eles que aqueles que assumiriam o poder logo em seguida implantariam um autoritarismo pouco depois da expulsão dos donos da fazenda. Ironia do destino?

 

A crítica política foi muito bem pensada, o ciclo de alternância governamental não muda muito de um sistema para outro, ainda que pareça isso. No Brasil, na época do Segundo Reinado mostrou-se a assertiva: “Não há nada mais conservador que um liberal no poder” e vice-versa. Israel escolheu o mesmo sistema do mundo quando rejeitaram estar sob o Governo de Deus e o conselho de Samuel, o Senhor tolerou por misericórdia a decisão deles, mas eles tiveram de lidar com as consequências. A partir daí acompanhamos na Bíblia uma longa história de “Profetas e Reis” em traições, adultérios, idolatria, corrupção, golpes, partidarismo e por fim a divisão do Reino e a invasão de povos pagãos.</br>

 

Nem precisamos das sérias advertências de Ellen White para analisarmos esta passagem:

 

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2.3)

 

Eu insisto em falar que minha intenção não é impor nada, mas a palavra para partidarismo nesse caso é eritheia, que além da implicação de discórdia e oposição, é definida em “Thayer definition” por “electioneering or intriguing for office”, no mesmo sentido “partisanship”. Aí cabe a seguinte pergunta, esse princípio se aplica hoje?</br>

 

Qual é a origem e evolução dos partidos políticos? Acompanhe esse trecho de “Teoria Geral dos Partidos Políticos” de José Alfredo de Oliveira Baracho, página 132:

 

“O partido político é considerado como elemento natural em qualquer sistema político, está presente nos regimes autoritários, nos democráticos, nos Estados em desenvolvimento e nos industrializados.
Definido como a união de várias pessoas que se opõem a outras tendo em vista interesses ou opiniões contrárias, o termo já existia na Idade Média com aplicação no vocabulário militar […]. O vocábulo Partido é mais antigo na terminologia política do que o termo classe, nas denominações sociais, pois é utilizado por Retz e La Bruyère, quando este condena o espírito de Partido.”

 

Parece uma palavra (grupo) de envolvimento cristão? Oposição de pessoas contra outras?
Até aqui, na verdade, essas definições bíblicas apontam incoerência mais para com os irmãos que “tomam partido” no mundo da política. Claro, esse princípio é válido em diversos pontos da vida cristã, não só no aspecto civil/político, mas seria interessante discutir por ora apenas esse tópico.

 

Certa vez olhando a opinião de uma pessoa nas redes sociais, ela dizia que não votaria em determinada pessoa porque seu partido tinha uma linha e quando conseguiu chegar o poder, seus representantes enveredaram para um caminho completamente diferente. Portanto, chegou à conclusão que era melhor optar por outro candidato porque seu partido tinha ideais melhores.(!!!)

 

O que impede dessa pessoa fazer a mesma coisa que seu antecessor? Partidos são passíveis de trair a confiança entre eles mesmos, como podemos ter garantia que cumprirão o que está em sua norma, conduta ou estatuto?

 

É praticamente impossível separar os candidatos de seus partidos e coligações, ao fazerem sua “autopropaganda”, dizem “vote em mim para ser isso, mas vote também nesse, naquele e no outro para os outros cargos”. É demasiado perigoso ir por essas sendas.

 

Cansamos de ver propagandas como “Não vote naquele lá, ele está envolvido em dezenas de escândalos”, “Vote em mim, não vamos fazer porto em Cuba”, “vote em mim, vamos varrer os corruptos pra fora” e eles citam nomes mesmo! Cristãos, o que Jesus ensinou sobre difamação? Seja quem for, pode ser a própria Presidência da República, você não tem direito de acusar os pecados de ninguém como Satanás o faz, isso é abertamente pecado!

 

Fofocar da vida alheia de políticos baseado unicamente no que a mídia diz? Se um escândalo for mentira ou pior do que realmente é retratado, estamos distorcendo a verdade ao tomar parte com essas coisas, até nos comentários inflamados de ódio e insatisfação que fazemos. (Leia o famoso capítulo de Mateus 18 e Êxodo 20).

 

Isso não quer dizer que não existam coisas erradas lá dentro, com certeza há, e Deus não apóia o pecado. Tanto não apóia que a orientação dada através da mensageira do Senhor é:

 

“O Senhor refere-Se aos que pretendem crer na verdade para este tempo, os quais não discernem, porém, qualquer incoerência em tomarem parte na política, misturando-se com as pessoas violentas destes últimos dias, como os circuncisos que se misturam com os incircuncisos, e declara que destruirá ambas as classes juntamente, sem distinção. Estão fazendo uma obra que não lhes mandou fazer. Desonram a Deus por seu espírito faccioso e por suas contendas, e Ele condenará de igual maneira a ambas as classes.”

 

“Deus apela para Seu povo, dizendo: ‘Saí do meio deles, e apartai-vos.’ II Cor. 6:17. Ele pede que o amor que tem manifestado por eles seja retribuído e evidenciado por meio de voluntária obediência a Seus mandamentos. Os filhos de Deus têm de separar-se da política, de toda união com os incrédulos. Não devem ligar seus interesses aos do mundo. “Provai vossa aliança comigo”, diz Ele, “permanecendo como Minha herança escolhida, como um povo zeloso de boas obras.” Não tomeis parte em lutas políticas. Separai-vos do mundo, e refreai-vos quanto a introduzir na igreja ou na escola idéias que hão de levar a contendas e perturbações.”
Fundamentos da Educação Cristã, págs. 475, 482 e 483.

 

Eu apelo não com presunção ou autoritarismo, mas com Amor pelos nossos queridos que estão se envolvendo nesse mundo político, por favor, tende em mente o plano de Deus para vossas vidas! Considerai sinceramente o alerta que foi dada por Ellen White, isso pode ser deveras importante para nossa vida. Talvez as palavras dela não lhes tenham convencido de mudar, mas no mínimo peçam ajuda de Deus, discernimento para ver se realmente é o que Deus quer que nós façamos!

 

Nesse período de eleição, um candidato adventista estava tentando me convencer a votar nele em pleno sábado e dentro da casa de Deus. Isso para mim foi demasiadamente desconfortável, nem menos no sábado cessam essas discussões? Será mesmo que a política não afeta os princípios de “nossos” candidatos?

 

Há muito que ainda poderia ser discutido, a começar pelos casos de governantes na Bíblia. Irmãos, sinceramente temos de diferenciar algumas coisas. Em que lugar da Bíblia diz que José ou Daniel participaram de eleições nacionais ou fizeram coligações político-partidárias para chegar ao poder? Deus os movimentou em momentos específicos, um contexto muito diferente do que vai ocorrer Domingo.</br>

 

Talvez você esteja se questionando agora, então deveríamos viver sem governantes? Essa pergunta é importante, mas tem que ser vista pela condição em que a família humana se encontra. Infelizmente o sistema que nos governa agora é esse, e não será o mesmo no Céu; isso não implica, no entanto, que os membros da Igreja adventista tomassem parte nesse meio. Também não se estimula que façamos inimigos políticos, apenas devemos saber nosso papel nesse mundo de pecado como Igreja.

 

O que diz a bíblia?

 

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.” Salmos 1:1

 

Os ímpios existirão até que Deus exerça seu Juízo, mas nós temos como evitar o que o salmista aconselha.

 

“Nossa obra é vigiar, esperar e orar. Examinai as Escrituras. Cristo vos advertiu a não vos misturardes com o mundo. Devemos sair dentre eles e separar-nos “e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso”. II Cor. 6:17 e 18. Sejam quais forem as opiniões que tenhais em relação a dar o vosso voto em questões políticas, não as deveis proclamar pela pena ou pela voz. Nosso povo deve silenciar acerca de questões que não têm relação com a terceira mensagem angélica. Se já um povo se deveu aproximar de Deus, esse é o povo Adventista do Sétimo Dia. Têm sido feitos admiráveis projetos e planos. Tem-se apoderado de homens e mulheres um ardente desejo de proclamar alguma coisa, ou ligar-se com alguma coisa; eles não sabem o quê. O silêncio de Cristo sobre muitos assuntos, porém, era verdadeira eloqüência. …

 

Não devemos, como um povo, envolver-nos em questões políticas. Todos fariam bem em dar ouvidos à Palavra de Deus: Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos em luta política, nem vos vinculeis a eles em suas ligações. Não há terreno seguro em que possam estar e trabalhar juntos. O fiel e o infiel não têm terreno neutro em que possam encontrar-se.”
Mensagens Escolhidas Vol. 2, págs. 336 e 337.

 

“Mas Matheus, Ellen White não tem uma passagem em que diz que os jovens deveriam se candidatar?”. Candidatar não, mas exercer posições elevadas ela cita no Livro Fundamentos de Educação Cristã nas páginas 82-84. Porém, em nenhuma parte ela menciona eleições, partidarismo (que ela tanto rebatia) ou jogadas de politicagem. Havia várias maneiras de conseguir posições elevadas sem ser por candidatura tanto na época dela como hoje em dia.

 

Lembre-se de que o partido Republicano nem existia no momento do grande desapontamento, passou a existir apenas por volta de 1854, era uma questão nova para a igreja cristã estadunidense. Na época dela, pessoas também poderiam se candidatar para cargos sem necessariamente ter um partido, um nome podia ser colocado de maneira bem diferente como ocorre hoje.

 

As vilas e cidades dos Estados Unidos do século XIX pós Marcha para o Oeste também eram pequenas, muito menores que hoje em dia pelo menos. Em muitos casos a representação política se dava por indicação, ter um bom nome ajudava na escolha desses líderes. Pegar um texto de Ellen White para contrariar dezenas de outros dela mesma seria distorcer a opinião sobre política que tinha.

 

Adventistas votaram em Abrahan Lincon na época dela e infelizmente a eleição desse presidente desencadeou a Guerra de Secessão, os conflitos desses período não foram fáceis de lidar, gerou até outros problemas para a Igreja da época devido à Guerra Civil. É um episódio no mínimo curioso e digno de nosso estudo e reflexão.

 

Posso dar um exemplo dos nossos dias do que ela cita, vejamos o caso de Barry C. Black, ele foi indicado para ser o capelão do Senado norte-americano e eles aprovaram entre si um adventista exercer tamanha função ante os representantes da nação. Ele faz um acompanhamento com as famílias dos Senadores, meditações e abre as reuniões com uma oração. Quanta honra ser colocado nesse posto! Vale ressaltar que não se utilizou eleições, campanha política ou coisa do tipo.

 

Não quero me demorar mais nesse tema, e digo que todos temos liberdade de votar em quem quisermos ou até mesmo de colocarmos nosso voto fora do coeficiente eleitoral (voto nulo). A IASD não disciplina ninguém por exercer seu poder de voto. Ellen White recomenda que usemos nosso voto quando se tratarem de Leis como de temperança (liberar bebidas alcoólicas, drogas ilícitas ou não, etc). Mas quando se trata de colocar Governantes no poder a situação já muda porque se trata de uma questão partidária e tudo mais que discutimos aqui.

 

Nessas eleições, apenas o voto nulo e o voto branco (agora não tem mais diferença) serão as opções apartidárias, não envolvendo o nome dos eleitores em nenhuma culpa quanto à decisão que seus candidatos eleitos tomarem. Não deixa de ser uma posição biblicamente coerente e não coopera com o sistema corrupto que se apresenta diante de nós.

 

O Centro White apresenta um artigo interessante no qual fala sobre um texto que a irmã White escreveu e vou finalizar com os trechos mais curtos dessa citação:

 

“Poderíamos resumir as advertências do artigo inteiro como segue:

 

    1. A expressão de sentimentos políticos por parte dos nossos irmãos resultará em divisão na igreja (p. 475).

 

  1. Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos desconsiderando os princípios dos homens nestes partidos (p. 475).
  2. Deve-se exercer cuidado em escolher o homem para quem damos o nosso voto, pois quem vota torna-se participante com aquele colocado no posto, pelos seus atos enquanto estiver no posto (p. 475).
  3. Não devemos usar emblemas políticos (p. 476).
  4. O dízimo não deve ser usado para pagar qualquer pessoa para fazer discursos sobre questões políticas (p. 477).
  5. Nenhum muro de separação deve ser erigido entre os seres humanos (p. 479).”

 

*Essas páginas se referem ao livro Fundamentos da Educação Cristã

 

Certa vez me perguntaram, então não vais querer o direito de reclamar e lutar por seus direitos?

 

Eu prefiro é louvar (rsrs), dar Graças a Deus por tudo o que Ele fez por mim. Meu protesto frente ao mundo corrupto é mostrar honestidade no dia a dia e amar ao próximo como a mim mesmo. No mais a Bíblia diz que a “Vingança pertence ao Senhor”, Ele saberá como punir bem mais justamente do que eu.  #Aguardem #OraVemSenhorJesus

 

Cristão e Política, tudo certinho?

 

Essa foi a Jovem opinião do nosso escritor Matheus Fugita, mas com certeza essa não é a única opinião sobre o assunto.

 

Leia mais Aqui & Educação Cristã, Capítulo 61 (EGW)
E você, qual a sua opinião ?

 

Matheus Fugita