Lições de Deus na pizzaria

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Você já se apegou tanto a bens materiais que por medo de perdê-los deixou de ajudar um necessitado? Ou deixou passar uma oportunidade de saciar a fome de alguém por ter medo de a pessoa ser um assaltante em potencial? Infelizmente nossa atual realidade nos induz a tomarmos decisões como essas muitas vezes. Leia o texto de hoje e veja a importante lição que Deus ensinou sobre a importância da ajuda ao próximo estar acima do medo.

Hoje (14/01/14) foi aniversário do meu avô. 73 anos de muita saúde e felicidade graças ao bom Deus. E como uma boa família, e como bons brasileiros que somos, fomos comemorar numa pizzaria pertinho da casa deles. E lá estava eu, discutindo religião, política, futilidades da vida, imersa em nossa alegria e me empanturrando, com certeza sem pensar nas pessoas que naquele momento sonhavam em ter o que comer. Afinal, quem come um pedaço de pizza pensando nos órfãos, mendigos, pessoas pobres…? Tá, tem quem realmente coma pensando nisso, mas não eu. E não naquele momento, com certeza! Porém, isso iria mudar.

Sem eu perceber, pois estava me deliciando com a pizza de abacaxi, apareceu um menino sujo e com aspecto de quem estava com fome há dias. Eu só o percebi na hora em que meu tio e minha mãe estavam dando uma fatia de pizza para ele, com um copo de refrigerante, afinal, tem que fazer o “bem” bem feito, como diz minha sábia mãe. Enquanto eles ofereciam a comida, que pode não ser das mais saudáveis, mas ainda é comida, eu discretamente puxei a toalha da mesa para cobrir meu tablet e celular que estavam sobre meu colo “afinal” pensava eu “nunca se sabe quando ele pode puxar uma arma”. Preconceituosa, alguns dirão?

Não tiro sua razão, eu mesma me achei no momento. Mas, talvez para aliviar minha consciência, depois pensei que sou apenas mais uma vítima dessa realidade caótica e violenta que vivemos. Em que pessoas não podem sair nas ruas sem sentirem um pingo de medo que seja. Vivemos em um mundo em que um pai de família sai para trabalhar e não volta pra casa, ou talvez volte, em um caixão. Um mundo em que crianças são roubadas ainda dentro da barriga da mãe. Vocês sabem, não digam que eu não tinha minhas razões.

Porém, refletindo mais cheguei à conclusão de que o menino era a verdadeira vítima. Vítima de um sistema falho em que uns têm o que comer enquanto outros morrem de fome. E olhando para trás, olhando o menino comendo, não, comendo não, devorando seu pedaço de pizza numa mesa, pois disseram que ele poderia sentar-se e comer ali mesmo, tive uma imensa vontade de chorar.

Chorar porque eu estava tão absorta em minhas conversas a ponto de não perceber que alguém precisava de mim. Chorar porque esse não é o único menino com fome no mundo, nem no país, nem na cidade, nem no bairro. Chorar porque eu escondi meus pertences me apegando a eles como se fossem a coisa mais importante do mundo. Mas pelo amor de Deus, eu tinha o que comer não é!!! O que me importava um tablet ou um celular? E mesmo que me levassem eles eu ainda assim teria o que comer! Engoli o choro junto com uma bocada de pizza.

Agora assim, não pensem que eu sou sempre insensível, se é que eu fui. Eu não o sou. Aprendi com minha mãe, que deve ter aprendido com a mãe dela também, que devemos ser sempre bondosos e beneficentes com os outros, pois nunca saberemos se foi um mendigo ou um anjo que bateu à nossa porta. E eu sempre procurei colocar isso em prática vendo cada pessoa necessitada como um anjinho em potencial.

Mas, voltando ao menino, ficamos discutindo se ele seria drogado ou não. Chegamos à conclusão de que não era, ou pelo menos não aparentava ser. Chegamos à conclusão também de que às vezes as pessoas não se drogam por vício, mas para fazer passar a sensação de fome que sentem. Enfim, demos mais um pedaço de pizza para ele, eu descobri o tablet e o celular e ainda sobrou um pedaço de pizza que demos para o rapaz levar a um amigo. E sabe que eu aprendi nisso tudo? Bom, vocês já devem ter uma leve ideia.

Aprendi que a Bíblia é livro fantástico. Agora me passam pela cabeça 3 versículos. O primeiro é Salmos 37:25 em que lemos:

“Fui jovem e já estou velho, e nunca vi um justo abandonado nem seus descendentes mendigando o pão.”

Verdade, quando estávamos pedindo as pizzas achamos que seria demais e cancelamos uma, depois achamos que apenas as que pedimos não seriam suficientes. Entretanto, como a Bíblia é um livro sábio, elas foram mais que suficientes e ainda deu para o rapazinho levar seu pedaço. Outro verso que lembrei diz que as riquezas não são para sempre (Provérbios 27:24).

Porém a maior lição encontra-se em Mateus 25. Nesse capítulo encontramos Cristo nos contando uma importante parábola sobre o Grande Julgamento. Ali vemos o Jesus separando as ovelhas dos bodes, justos dos injustos. E qual a diferença entre eles? As ovelhas visitaram, deram de beber e comer e vestiram a Cristo. E elas perguntam a Ele “Mas Senhor, quando fizemos tudo isso que nem percebemos?”, nos ensinando que um coração sincero e verdadeiro não contabiliza as obras de caridade que faz para proveito próprio. E Cristo lhes responde alegremente: “Sempre que o fizestes para algum destes meus irmãos, mesmo que ao menor deles, a mim o fizestes.”

Amigos, não sei se aquele menino era um anjo ou o próprio Cristo, mas sei que sempre devemos ajudar aos outros tendo isso em mente e sem temer por nossos bens ou mesmo pela própria vida, lembrando sempre que a glória desta terra é passageira.