O Erro na Construção de Igrejas

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Certo dia, anunciaram em minha igreja que aquele templo seria demolido e um novo e maior seria construído no local para que fosse “referência e chamasse atenção pelo seu porte e estrutura”. Eu dificilmente fazia observações, nem lembro de antes ter tomado o microfone na frente de toda a igreja para contestar aquilo, mas naquele dia da apresentação do projeto, eu fui contra. E, ao invés de ouvir opiniões, os irmãos e líderes acabam por fechar seus olhos e ouvidos e não percebem que podem estar cometendo um erro.
Hoje, discurso sobre o tal erro. O erro na construção de igrejas.

Mas construir igrejas é errado?
Como assim!?
Leia a seguir e descubra…

O Erro na Construção de Igrejas

“Aquele que oferece sacrifício de louvor Me glorificará.” Sal. 50:23

Por muito tempo acreditei que nossa igreja sempre tem procurado estabelecer a comunhão entre irmãos, assim como na igreja primitiva relatada no livro dos Atos dos Apóstolos, e dado ouvido a cada um de seus membros, não pelo poder aquisitivo de cada um nem por quem mais dizima ou oferta, mas pelo respeito de ouvir até o que o mais jovem tem a dizer.

Tenho visto grande empenho em tentar tornar as nossas igrejas maiores e mais belas – principalmente igrejas que tem alcançado um número de membros maior em sua congregação -, com uma fachada atraente, grandes belezas arquitetônicas e detalhes minuciosos e, por muito, desnecessários.

Se você é líder ou faz parte de uma igreja que almeja realizar a construção de um templo com gastos altíssimos, leia o que diz o Espírito de Profecia no livro o Grande Conflito de Ellen White:

“Igrejas magnificentes, imponentes procissões, altares de ouro, relicários com pedras preciosas, quadros finos e artísticas esculturas apelam para o amor do belo. O ouvido também é cativado. A música é excelente. As belas e graves notas do órgão, misturando-se à melodia de muitas vozes a ressoarem pelas elevadas abóbadas e naves ornamentadas de colunas, das grandiosas catedrais, não podem deixar de impressionar a mente com profundo respeito e reverência.

Este esplendor, pompa e cerimônias exteriores, que apenas zombam dos anelos da alma ferida pelo pecado, são evidência da corrupção interna. A religião de Cristo não necessita de semelhantes atrativos para se fazer recomendável. À luz que promana da cruz, o verdadeiro Cristianismo apresenta-se tão puro e adorável que decorações externas nenhumas poderão encarecer-lhe o verdadeiro valor. É a beleza da santidade, o espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus.

O fulgor do estilo não é necessariamente índice de pensamento puro, elevado. Altas concepções de arte, delicado apuro de gosto, existem amiúde em espíritos que são terrenos e sensuais. São freqüentemente empregados por Satanás a fim de levar homens a esquecer-se das necessidades da alma, a perder de vista o futuro e a vida imortal, a desviar-se do infinito Auxiliador e a viver para este mundo unicamente.

Uma religião de exibições externas é atraente ao coração não renovado(…). Esta é a religião que precisamente desejam as multidões”.
WHITE, E.G. O GRANDE CONFLITO. Pgs. 566-567.

Creio que estamos vivendo os momentos finais antes da volta de Jesus (e amém por isso!), então por que perder tempo com templos caros? Por que gastar uma quantia imensa em uma única igreja, enquanto irmãos nossos (dentro de nossas próprias igrejas e da nossa denominação) estão passando por necessidades e fome? Por que gastar tanto em uma única igreja enquanto outras igrejas (adventistas mesmo) nem parede nem teto possuem?

Sei que Deus merece o nosso melhor, sem dúvidas, sei que existem pessoas se esforçando para ajudar as igrejas pequenas e os irmão necessitados, mas seria um plano de Deus erguer grandes construções em pleno fim dos tempos, enquanto Cristo nos mostrou o que é a verdadeira religião? A propósito, Deus não se agrada do louvor do pobre em uma igreja humilde só porque ele está numa igreja sem teto ou paredes?

Se há algo que deve ser reformado, esse é o nosso caráter e nossa comunhão com Deus (e o digo isso para mim também antes de dizê-lo a vocês).

Não sou contra reformas em igrejas e algumas instalações, pois um templo realmente necessita de cuidados, mas o quanto de investimento está sendo usado, e o quanto se está almejando apenas o luxo?

Além disso, que tipo de público se almeja atingir exibindo poder aquisitivo da igreja com grandes construções? Ricos? Pobres? Ou a todos? Porque duvido que um pobre e maltrapilho seja bem recebido em um meio de pessoas bem vestidas ou mesmo que uma pessoa humilde se sinta a vontade um ambiente que contrasta a sua realidade. Tanto rico como pobre quando entram em uma igreja devem ver a Cristo em primeiro lugar.

Se estas perguntas e questionamentos o incomodaram, eu digo que eles também me incomodam desde que anunciaram a construção de um templo monumental na minha igreja há mais de dois anos, e que acho que já estava na hora de expor o pensamento.

O Desejado de Todas as Nações na página 564, capítulo da ocasião do banquete na casa de Simão retrata: “Atos de amor e reverência para com Jesus são uma demonstração de fé nEle como filho de Deus”. Como ter reverência numa igreja maior, se em algumas das nossas, com o tamanho que já se tem, se perde a reverência facilmente? Os atos de amor a Jesus não são aqueles que fazemos a “um destes pequeninos”? (Mateus 25:31-46).

Torno a repetir, não é errado a reforma em igrejas, e nem é um erro a construção de novas igrejas, mas o erro consiste em ser ambicioso e querer uma igreja nova onde sejam feitos grandes gastos para atrair atenção apenas a bênçãos materiais e terrenas e evangelizar pela “teologia da prosperidade da igreja”.

Quando a edificação do caráter é negligenciada, quando falta o adorno da alma, quando se perde de vista a simplicidade da devoção, é que o orgulho e amor à ostentação exigem templos magníficos, adornos valiosos e cerimônias pomposas. Deus não é honrado por nada disso, porém. Não Lhe é aceitável uma religião da moda – que consiste em cerimônias, pretensão e ostentação. Em cultos tais os mensageiros celestes não tomam parte.
A igreja é muito preciosa aos olhos de Deus. Ele não a avalia por suas prerrogativas exteriores, mas pela sincera piedade que a distingue do mundo. Estima-a segundo o crescimento dos membros no conhecimento de Cristo, segundo o progresso na experiência espiritual.

Uma congregação pode ser a mais pobre da Terra. Pode não ter atrativo algum de pompa exterior; mas se os membros possuírem os princípios do caráter de Cristo, terão Sua paz no espírito. Os anjos unir-se-ão a eles na adoração. O louvor e ação de graças de corações reconhecidos ascenderão a Deus como suave sacrifício.

O Senhor deseja que façamos menção de Sua bondade e falemos de Seu poder. É honrado pela expressão de louvores e ações de graças. Diz: “Aquele que oferece sacrifício de louvor Me glorificará.” Sal. 50:23
White, E.G. Parábolas de Jesus, página 298

Reflitamos nisso.

Oremos pela nossa igreja. Que a paz do Senhor seja convosco!
Maranata! Ora vem, Senhor Jesus!

André Basualto