ARROGÂNCIA ESPIRITUAL: você sofre desse mal?

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Saudações a todos!
No texto de hoje falaremos sobre um assunto pouco falado, mas muito cometido.
Então, sem mais delongas… Aproveitem a leitura!

Certo dia, meu irmão de 9 anos chegou em casa e disse que na segunda-feira não haveria aula pois seria feriado. Como eu não estava lembrada do tal feriado perguntei a ele se a escola havia dito qual era a causa do mesmo. Na mesma hora ele respondeu que a professora dele havia dito que era um feriado em homenagem à uma “imagem do mal” que os católicos adoravam. Fiquei perplexa com tal resposta e exclamei: COMO É QUE É??? Porém, minha sábia mãe (rs) explicou para ele que jamais devemos menosprezar ou até mesmo rir das crenças e religiões dos outros, por mais que tenhamos argumentos bíblicos para sermos contra as práticas religiosas de algumas dessas religões. No entanto, o que mais me surpreendeu nessa história toda foi o fato de meu irmão estudar em uma escola com filosofia adventista, filosofia essa que também preza pela liberdade religiosa. Filosofia essa que eu também sigo. Será que este pequeno fato é somente um fato isolado, ou apenas o reflexo de uma mal que pode estar acometendo os adventistas do sétimo dia?

Somos um povo escolhido por Deus, a menina dos Seus olhos, povo chamado das trevas para Sua maravilhosa luz a fim de anunciar Suas virtudes (1 Pedro 2:9). Isso é um fato! No entanto, isso nem de longe nos dá o direito de menosprezar, desrespeitar ou zoar das crenças alheias. E é exatamente muito desse tipo de atitude que tenho visto por parte de meus irmãos adventistas. Riem de piadas sobre evangélicos, caçoam da adoração dos católicos aos santos, repudiam as obras de caridade dos espíritas, têm intolerância aos judeus por estes ainda não aceitarem a Cristo como o Messias, desprezam os umbandistas e por aí vai. Vomitam sua teologia e conhecimento bíblico sobre aqueles menos favorecidos espiritualmente apenas para massagear seu ego altivo e soberbo. Mas, esquecem-se de que as doutrinas adventistas não salvam ninguém.

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas não tiver amor, nada disso me valerá. O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.” 1 Coríntios 13:1-4

O que o texto acima é claro e nos diz é que de nada adianta todo o conhecimento teórico do universo sem um relacionamento pessoal e real com Deus. E o arrogante espiritual talvez passe por alto esse tipo de relacionamento. O conhecimento proveniente de Deus não acusa e nem oprime, mas eleva e abençoa a outros.

Basta olharmos o livro de Obadias e ali teremos uma forte advertência contra esse tipo de comportamento, a arrogância espiritual.

“A soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derrubará em terra? Se te elevares como águia, e puseres o teu ninho entre as estrelas, dali te derrubarei, diz o Senhor.” Obadias 1:3-4

O contexto do verso remete a uma longa rixa que havia entre o povo de Edom (descendentes de Esaú) e o povo de Israel. Durante muito tempo esses dois povos foram inimigos, talvez por causa do incidente da primogenitura (Gn 25). Na época do profeta Obadias, os edomitas achavam-se bastante animados e alegraram-se com a destruição de Jerusalém causada por Nabucodonosor, além das calamidades que Judá estava sofrendo. Por isso, Deus adverte que Edom não “não devia olhar com prazer para o dia de teu irmão, no dia do seu infortúnio; nem alegrar-te sobre os filhos de Judá, no dia da sua ruína; nem alargar a tua boca, no dia da angústia;” (Obadias 1:12), isso porque entre Edom e Judá havia um forte laço sanguíneo, já que os edomitas descendiam de Esaú e os hebreus descendiam de Jacó. Para Deus eles eram considerados irmão ainda, e por causa disso havia o Senhor usado de misericórdia diversas vezes para com os edomitas. Mas a taça da iniquidade de Edom estava se esgotando, pois o povo regozijava-se com a infelicidade de seus “irmãos” e até contribuíram para isso.

Já ouvi tantas vezes, até mesmo do púlpito, muitos dizerem que os adventistas são hoje o Israel espiritual de Deus. No entanto, muitas vezes temos agido mais como os edomitas, rindo das crenças alheias e cooperando para fomentar intolerância religiosa ao nosso redor. E quando a piada é com a nossa denominação – como aquele caso do Zorra total que revoltou a muitos crentes – somos nós os perseguidos, os incompreendidos, os ridicularizados. Afinal, considerando a reforma protestante, não seríamos “primos” religiosos!? E indo um pouco mais a fundo, não seríamos todos irmãos, vindos do mesmo pó e filhos do mesmo Pai.!? Pelo menos é assim que diz na minha Bíblia.

Não é errado nos orgulharmos de nosso adventismo ou da fé que professamos. Muito pelo contrário, o conselho inspirado é que jamais devemos nos envergonhar de nosso nome denominacional, não devemos nem sequer ocultar o fato de que somos adventistas e, sempre que a oportunidade surgir, devemos oferecer a razão da fé que existe em nós, com mansidão e temor (T6, 81.4). Mansidão e temor, não com agressividade, sarcasmo e ironias. Fazer parte do povo escolhido do Senhor não nos dá o direito de tratarmos com arrogância e superioridade àqueles que não possuem a mesma luz que recebemos. Aliás, Ellen White nos diz que “o Senhor tem Seus representantes em todas as igrejas. A essas pessoas as decisivas verdades especiais para estes últimos dias não foram apresentadas sob circunstâncias que trouxessem convicção ao coração e à mente; portanto, ao rejeitar a luz, elas não romperam sua ligação com Deus.” – (T6, 71.1).

“O orgulho espiritual devora os órgãos vitais da religião. A fim de preservar a humildade, faríamos bem em lembrar como somos aos olhos de um Deus santo, que lê cada segredo do coração, e como devíamos nos apresentar aos olhos de nossos semelhantes se todos nos conhecessem tão bem como Deus nos conhece.” (T3, 211)

“Tem que ser dada ao povo a verdade, a verdade direta, positiva. Mas esta verdade deve ser apresentada no espírito de Cristo. Devemos ser como ovelhas no meio de lobos. O Senhor não deu ao Seu povo a obra de fazer críticas contra os que estão transgredindo Sua lei. Em caso nenhum devemos fazer ataques às outras igrejas. Lembremo-nos de que, como povo a quem foi confiada sagrada verdade, temos sido negligentes e positivamente infiéis.” (Evangelismo, 144)

Os Adventistas do Sétimo Dia não são um povo único e isolado da face da terra. Como diria o rabino Jonathan Sacks, somos “membros de um povo singular num mundo plural, simultaneamente consciente da particularidade da identidade e da universialidade da condição humana” (Tempo Futuro, 15). Por causa disso, devemos antes de tudo e de todos tolerar, respeitar e amar todas as pessoas, independente de suas crenças, religiões e doutrinas, devemos também ensinar e aconselhar nossos irmãos a fazerem o mesmo.

E para aqueles que insistem em dizer que os católicos adoram imagens do mal, guardam o dia do Diabo, e aos que gritam aos quatro ventos que o papa é a besta do Apocalipse e o anticristo, deixo a esses o seguinte conselho:
“Não devemos levantar barreiras desnecessárias entre nós e outras denominações, especialmente os católicos, de modo que eles pensem que somos seus inimigos declarados. Não devemos criar desnecessariamente um preconceito em seu espírito com o fazer-lhes um ataque. Muitos há entre os católicos, que vivem incomparavelmente mais segundo a luz que têm, do que muitos que professam crer na verdade presente, e Deus os provará tão certamente como nos tem provado a nós. — Manuscrito 14, 1887.”

Por fim, precisamos estudar mais a Palavra de Deus para evitarmos dizer tantas inverdades, tais como as exemplificadas acima. Se vivermos segundo nossas crenças e seguirmos o que o Senhor, através de seus profetas, nos ordena muitos seriam trazidos ao redil do Bom Pastor por nosso exemplo. Sejamos mais humildes, pois somos tão pecadores quanto aqueles que podemos considerar perdidos.

Que o Senhor tenha misericórdia do Seu povo!

“Porque o dia do Senhor está perto, sobre todos os gentios; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua recompensa voltará sobre a tua cabeça.” Obadias 1:15