Greves, Manifestações, Panelaços… Deve o cristão participar desses movimentos?

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Olá queridos amigos leitores! É com prazer que voltamos a falar sobre um tema em alta ultimamente: Política! No entanto, dessa vez queremos abordar temas como as manifestações que ocorrerão, a insistência por um possível impeachment e qual o papel do jovem cristão adventista em tudo isso. Devemos participar? Não devemos? Devemos nos calar diante de tanta corrupção, e se assim fizermos não estaremos sendo coniventes com a mesma? Tem Deus nos deixado conselhos sobre isso para que possamos segui-los?

P.S: Reservamos um pequeno vídeo engraçado para aqueles que chegarem até o final. Sim, Deus sempre nos deixa amparados sobre as mais variadas situações da vida, basta apenas que tenhamos a sabedoria de buscá-Lo com humildade. Sobre os tópicos que serão aqui abordados não seria diferente, a Bíblia e o Espírito de Profecia devem guiar nossas ações nestes tempos atribulados. Ano retrasado eu quis ir às manifestações, mas por algum motivo fiquei impossibilitada. Porém nunca tive uma opinião formada a respeito de ir ou não às manifestações que estão ocorrendo pelo país, mas agora eu tenho. E sou contra! E não somente eu como também a Bíblia em momento algum incentiva ou motiva a nossa participação nesses movimentos.

Mas, calma, vamos já falar sobre isso.

Há algum tempo tomei a decisão de fazer somente a vontade de Deus, muitas vezes eu caio e em algumas a vontade dEle não está assim tão clara… Porém, desta vez ficou claro para mim que não é plano dEle que cristãos adventistas participem de movimentos que se mostrem ser contrários ao atual governo. Então depois do que ouvi, li e estudei decidi compartilhar com vocês.

Começo pedindo que leiam (mas leiam mesmo) Romanos 13:1-10. Dele eu destaco os seguintes versos: “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. (Romanos 13:1-2)”. Neste texto Paulo diz que os governantes procedem de Deus, sejam eles bons ou ruins, seja o Aécio ou a Dilma, eles estão lá porque Deus assim permitiu. Depois diz que o homem que se opõe ao governo se opõe à vontade de Deus, e termina nos falando que devemos pagar-lhes tributo e respeito, pois são ministros dEle. Isso vale para qualquer autoridade, seja quem for, o Melo ou até mesmo a Dilma. É #tenso, mas é como deve ser.

Olhemos o exemplo de alguns personagens bíblicos. Coré se levantou contra Moisés e Deus não o aprovou, matou mesmo (Números 16). Davi disse que jamais intentaria algo contra o “ungido do Senhor”, e olha que Saul era um rei horrível (1Samuel 26:11). Elias, um dos maiores profetas que existiu, jamais promoveu revolta alguma, ao contrário disso ele lutava por uma reforma social e espiritual, não com espadas ou panelas, mas com e pela palavra do Senhor (Zacarias 4:4). Ester poderia ter juntado o povo e tomado a própria decisão de fazer uma revolta com os opressores, mas em vez disso mandou o povo orar e jejuar para ter o conhecimento de Deus (Ester 4:16). Daniel, que era da alta cúpula do governo, jamais se rebelou contra o mesmo, serviu o seu rei fielmente até o fim e Deus o usou para o bem de Seu povo. Além disso, assim como Ester ele jejuou e orou por 21 dias. O próprio Moisés quando descobriu que era Israelita e matou o egípcio não foi aprovado por Deus. Ele libertou o povo pelo poder do Senhor. E temos também nosso maior exemplo em todas as áreas da vida: Cristo.

Israel esperava um Messias que os libertasse da opressão dos romanos, mas essa não era Sua missão. Ele veio para libertar da opressão do pecado, nos livrar das correntes do inimigo. Olhem o que Ellen White nos diz:

“O governo sob que Jesus viveu era corrupto e opressivo; clamavam de todo lado os abusos – extorsões, intolerância e abusiva crueldade. Não obstante, o Salvador não tentou nenhuma reforma civil. Não atacou nenhum abuso nacional, nem condenou os inimigos da nação. Não interferiu com a autoridade nem com a administração dos que se achavam no poder. Aquele que foi o nosso exemplo, conservou-Se afastado dos governos terrestres. Não porque fosse indiferente às misérias do homem, mas porque o remédio não residia em medidas meramente humanas e externas. Para ser eficiente, a cura deve atingir o próprio homem, individualmente, e regenerar o coração. Não pelas decisões dos tribunais e conselhos, nem pelas assembleias legislativas, nem pelo patrocínio dos grandes do mundo, há de estabelecer-se o reino de Cristo, mas pela implantação de Sua natureza na humanidade, mediante o operar do Espírito Santo. (DTN, pág. 358)”

Leiam todo o capítulo 55 e verão que o reino pelo qual devemos lutar não é desse mundo. Acaso Cristo não deveria ser nosso exemplo em tudo!? Aliás, ao viver entre nós, em um época repleta de revoltas civis, lutas, opressão e escravidão Jesus demonstrou que a norma de vida do cristão deve ser muito mais elevada do que até então se supunha, desvendando conceitos do Antigo Testamento que vinham sido interpretados erroneamente. Em Seu sermão da montanha temos os seguintes conselhos:

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:38-44)

Será mesmo que estão? Podem me dizer: “Mas a manifestação é pacífica, eu vou com meus amigos, estamos lutando por uma causa justa, direitos dos pobres, órfãos e viúvas…”. Nós podemos lutar por tudo isso no nosso dia-a-dia, de forma direta. Não é porque participamos de manifestações que vamos mudar o mundo. “Um dia por vez, um ato por vez, pelo tempo que for preciso para fazer do mundo um lugar de justiça e compaixão, onde os solitários não estejam sós e os carentes encontrem ajuda; onde a súplica do fraco seja atendida e os injustiçados sejam ouvidos. (Jonathan Sacks)”.

Ao final da história, serão nossos atos cotidianos e diários que nos dirão pelo que realmente lutamos e de que lado estava nosso coração. Ali haverá baderna, gritaria, confusão e em nada dessas coisas deve o cristão participar ou estar associado por melhor e maior que seja a causa. Não será gritando pelas ruas que mudaremos nossa situação ou a situação do país, fazendo isso apenas entristeceremos o Espírito Santo e daremos mau testemunho a quem estiver nos observando.

“Não se exige de nós que desafiemos as autoridades. Nossas palavras, quer faladas quer escritas, devem ser cuidadosamente consideradas, para que não sejamos tidos na conta de proferir coisas que nos façam parecer contrários à lei e à ordem.” (AA, 69)

Não façam os adventistas do sétimo dia coisa nenhuma que os assinale como desobedientes à lei ou a ela contrários. Apartem de sua vida toda incoerência. Nossa obra consiste em proclamar a verdade, deixando com o Senhor os resultados. Façam tudo quanto está ao seu alcance para refletir a luz, mas não profiram palavras que irritem ou provoquem.” (Evangelismo, p. 173).

Nosso mundo só tende a piorar, a Bíblia nos diz que “os perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:13). É Deus e Seus anjos, e não manifestações, impeachments e panelaços que estão segurando os quatro cantos da Terra. Queridos leitores, vai entrar e sair partido e algumas coisas jamais mudarão. Nossa luta verdadeira não é desse mundo, estamos aqui somente de passagem. Por sermos peregrinos em uma terra estrangeira é que não devemos gastar nosso valioso tempo em dar nossas forças em assuntos que não dizem respeito à nossa salvação ou de outros. Lutemos sim por cada pessoa que se encontra sem roupa, sem comida, sem família, mas façamos isso de forma direta. Cristo nos disse que cada vez que fizermos isso a alguém a Ele o fizemos (Mateus 25: 31-46).

O mundo é injusto? É!. E vai continuar sendo. Porém, nós, que temos o testemunho de Jesus ao nosso lado, não devemos nos angustiar sobre essas coisas (2 Coríntios 4: 8 e 9). Deus é nosso Go’El, nosso Vingador e Redentor. “Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim se levantará sobre a terra”(Jó 19:25). Bendita esperança! Nossa missão neste mundo é preparar pessoas para o retorno de Jesus. Para isso nossa vida deve ser guiada pelo Evangelho e não pelo que as mídias nos incitam a fazer.

Portanto, que tal no próximo dia 15/03/2015 seguirmos o exemplo de Ester e Daniel ao dobrarmos nossos joelhos e interceder pelo futuro de nossa pátria e por nossos governantes!? Essa será uma atitude mais condizente com nosso cristianismo, demonstrará de forma muito melhor do lado de Quem realmente lutamos e, tenho certeza, nossas orações terão muito mais eficácia do que nossos cartazes nas ruas. Quem sabe possamos também visitar pessoas que estejam necessitadas, aliviando os fardos de quem realmente precisa. Salmos 125:3 diz que “o cetro dos ímpios não permanecerá sobre a sorte dos justos, para que o justo não estenda a mão à iniquidade”. Termino com Salmos 121: 1 e 2: “Elevo meus olhos para o monte: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra”. Eu já tomei a minha decisão, e qual será a sua? #pensenisso

“Pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.” Efésios 6:12

Pra descontrair