O adventismo, o uso de joias e maquiagem – Parte I

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“Olá, tudo joínha?” ou “Se você curtiu o vídeo, dá um joínha aqui embaixo…” Frases comuns em nosso linguajar. Usada no sentido figurativo, dá a conotação de algo bom ou positivo. O tema a seguir, no entanto, não é nada “joínha”, apesar de o assunto tratar sobre o uso de joias e maquiagem. O objetivo não é julgar ou criticar pessoas, mas analisar uns pontos que a Bíblia expõe sobre isso. Enfatizando que, no fim das contas, tudo o que queremos é que acabe de modo “joínha”, pacificamente. 😉

Quem nunca ouviu falar a famosa frase: “Espelho, espelho meu! Existe alguém mais bela do que eu?”. É notável que, desde a mais tenra idade, a criança é exposta a diversas coisas. Dentre elas, a vaidade.

Sem dúvida, há diversos temas para estudos aprofundados e mais importantes. O assunto sobre o uso de jóias e maquiagem é um tema que não merece muita atenção. Infelizmente, no entanto, é um aspecto que pode causar algumas dúvidas nas pessoas, principalmente para as recém-chegadas à Igreja Adventista do Sétimo Dia.

É importante frisar que os Adventistas do Sétimo Dia compreendem que Cristo é o Único meio de salvação da raça humana. Nada do que fizermos para Deus poderá pagar ou compensar o preço altíssimo da cruz do Calvário. Nós acreditamos que o Seu Amor nos deixa constrangidos – quem causa esse constrangimento é o Espírito Santo – e é por causa dEle, através da Graça, que nosso viver é transformado à estatura do Nosso Modelo Divino: “Porque Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15). Assim, somos transformados à Sua Imagem: santa, sem pecado, perfeita.

Nós somos salvos pela Graça, mediante a Fé (Efésios 2:8). Sem Fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6) e Fé sem Obras é morta (Tiago 2:17 e 26). Logo, sem as obras é impossível agradar a Deus também (Mateus 25:34-46).

Deus, Magnífico em Santidade, nos reivindica uma vida consagrada, santificada e de total entrega. Para tanto, não existe meio termo para Deus: “sim sim; não não” (Mateus 5:37). Não há “meia conversão”. Assim como não existe uma mulher que está “meio grávida”, por exemplo, também não pode existir “meio cristão”. Ou está com Deus, ou não está. Ou é de Deus, ou não é. Dois caminhos, uma escolha. Tratando sobre isso, a nossa imagem perante Deus e os homens deve refletir inteiramente a de Cristo, tanto a imagem exterior como a interior. No artigo presente, delimitar-se-á na exterior.

A Bíblia nos fornece textos interessantes sobre a modéstia cristã, o uso de joias e o de maquiagem. Analisaremos cada um de modo exegético. Seria muito importante, se você, caro leitor, tivesse a sua Bíblia ao seu lado para que vá conferindo as passagens, conforme as citações exibidas. Antes, porém, faço das palavras de Rodriguez, em seu livro intitulado O uso das joias na Bíblia, as minhas de que “joias… refere-se a ornamentos feitos de diferentes materiais, com diferentes funções, os quais podem ser colocados diretamente sobre o corpo ou sobre os trajes de uma pessoa, a fim de realçar a aparência do indivíduo, estabelecer distinções sociais e comunicar convicções pessoais.” (p. 11).

O primeiro capítulo que evidentemente nos informa sobre as joias é em Gênesis 24:22. É importante estudar todo o capítulo para entendermos o texto:

“E aconteceu que, acabando os camelos de beber, tomou o homem um pendente de ouro de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as suas mãos, do peso de dez siclos de ouro;”

Abraão pediu ao seu servo que encontrasse, numa terra distante, uma esposa para Isaque. Ele seguiu viagem com outros servos de Abraão. Como estavam em uma área árida, todos ficaram sedentos. Rebeca estava junto ao poço, na hora em que os servos de Abraão chegaram. A moça deu água para os animais e para os homens. O servo, como pagamento, deu a ela essas “joias”, descritas nesse verso acima.

A palavra para pendente de ouro, no hebraico, é nezem que pode significar diversas coisas em português, como por exemplo: anel, argolasarrecadas,brincos ou narigueira [será que já tinha piercing?! O.o (rs)]. Há também a palavra pulseiras que, no hebraico, é tsâmid, que pode significar braceletes também. O fato a ser notado é que Rebeca usou essas indumentárias, Gênesis 24:47.

“Então lhe perguntei, e disse: De quem és filha? E ela disse: Filha de Betuel, filho de Naor, que lhe deu Milca. Então eu pus o pendente no seu rosto, e as pulseiras sobre as suas mãos.”

Sem dúvida que esses acessórios, que acabamos de ver e que foram presenteados, são joias, certo? Obviamente que naquela época não existia o Capitalismo, nem havia moeda como base econômica, juntamente com uma bolsa de valores, etc.. O comércio era sustentado pela troca de bens materiais ou de animais. Como não havia agências bancárias para guardar os seus tesouros em segurança, o melhor a se fazer era fixar as riquezas (joias) no corpo. Portanto, as joias, em que ela recebeu, tinham um símbolo monetário e não de vaidade ou orgulho. Vale ressaltar que podia ser perigoso também, porque, ostentar uma riqueza, poderia chamar muita atenção de ladrões. [#joias=dinheiro#partiu#ostentação#sqn]

Tem outro trecho em Gênesis 35:4 que é bastante famoso no meio adventista:

“Então deram a Jacó todos os deuses estranhos, que tinham em suas mãos, e as arrecadas que estavam em suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.”

Betel, que no hebraico significa Casa de Deus, era o lugar onde Jacó tinha pegado uma pedra, fazendo dela o seu travesseiro, dormiu e sonhou com uma escada. Ao acordar, pegou o seu “confortável travesseiro”, decidiu colocá-la como coluna e ali fez um pacto com Deus (cf. Gênesis 28:17-21). Partindo dali, foi para a casa do seu tio Labão, em Padã-Arã. Após, aproximadamente, 20 anos servindo ao seu tio (Gênesis 31:41), Jacó decide sair de lá para ir à terra de seu pai Isaque,  levando suas duas esposas (Lia e Raquel, filhas de Labão), uma porção de servos e animais. Nessa jornada, estabelece-se em Siquém por um período de tempo.

No capítulo 35, Deus ordena Jacó ir a Betel para ali erigir um altar. Antes de iniciar a viagem, porém, Jacó faz dois pedidos: 1- para que os deuses estranhos fossem retirados; 2- para que as mulheres retirassem os seus brincos (argola das orelhas).

É interessante notar que antes de Jacó ir à Casa de Deus, ele pede que as mulheres retirem suas joias. Mas alguém pode perguntar: “As joias nessa época não representavam um símbolo monetário? Por que Jacó fez isso? Ele queria que suas duas mulheres fossem pobres?”

Certamente que não. Jacó era um homem muito rico (Gênesis 32) e toda a sua fortuna pertencia a sua família (Gênesis 31:14-18). A joia ainda era um símbolo monetário, no entanto não era mais necessário que as mulheres usassem joias, visto que já eram bastante ricas. Jacó fez isso, porque, em Gênesis 31:19, é-nos mostrado que Raquel furta os ídolos (“terafim“, no hebraico) do pai. Arqueólogos encontraram diversas estatuetas, no Oriente Médio, feitas de metais preciosos, madeira e argila. Esses “terafins” (que podem ser chamados de amuletos) eram usados como deuses domésticos, de proteção pessoal e que podiam [ênfase no “podiam”] ser pendurados no pescoço, em forma de colar (cf. qualquer dicionário bíblico, comentário bíblico e, até mesmo, o Google sobre “terafim”). Possivelmente Raquel rouba esses ídolos do pai por não conhecer o Deus de Abraão. Jacó, no entanto, deseja que sua família conheça a YHWH (“Jeová”, em português). Então, é necessário retirar qualquer coisa que atrapalhe o relacionamento com Ele. Jacó viu que as joias atrapalhavam, por isso, ele escondeu em Siquém (Gênesis 35:4) e partiu para Betel, a Casa de Deus. [#joias=deuses#PartiuUsar?#sqn]

Além de sabermos que as joias eram usadas como uma forma de dinheiro e como uma forma de cultuar deuses, em Gênesis 41:42, vemos uma outra utilidade:

“E tirou Faraó o anel da sua mão, e o pôs na mão de José, e o fez vestir de roupas de linho fino, e pôs um colar de ouro no seu pescoço.”

José, filho de Jacó, havia sido vendido por seus irmãos mais velhos a uma caravana de ismaelitas que iam para o Egito, como escravo (Gênesis 37:25-35). Lá, ele é comprado por um comandante da guarda do Faraó, chamado Potifar. Acontecem várias coisas na casa de Potifar; José é preso; após sete anos, aproximadamente, José se torna carcereiro; um dia, dois funcionários do rei do Egito são aprisionados; ele interpreta os sonhos do padeiro e do copeiro do Faraó e tudo acontece em conformidade com as palavras de José. Certo dia, o Faraó tem um sonho e o copeiro lembra-se de que José tinha o dom de interpretar sonhos. Ele interpreta o sonho do rei e este o constitui como governador do Egito (Gênesis 42:6).

O verso não nos deixa em dúvida: trata-se de uma joia! A palavra hebraica usada nesse verso é “rabiyd“, que pode significar em português, como: colar, pendente, corrente, etc. Será que, pela história de José, é decretado por Deus a liberação do uso de jóias? Por que que Jacó, pai de José, proibiu o uso de adornos na sua família, mas o próprio filho, após ser escolhido governador do Egito, usufrui desse aparato? Será que o uso de joia, nos nossos dias, não tem nada a ver? Essas respostas veremos nos próximos tomos.

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Jo 8:32

Leia a Parte 2