Como fazer o melhor anime de todos!

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Pegue uma classe de pessoas, uma raça, uma profissão, um clã, uma subordem renegada, uma tribo, ou qualquer outro termo que você queira explorar na série, esse é o começo de seu enredo. Até antes de pensar nos personagens, você pode escolher um grande evento dessa ficção que ocorreu e dividiu tudo em antes e depois dessa coisa (pode ser uma guerra épica, um acidente de proporções colossais, uma invasão, uma revolta da “resistência” ou mesmo a ascensão de um grupo político suspeito). Isso gera na mente dos que estão acompanhando muitas e muitas teorias sobre esse evento.

japan flagQuando for pensar nos personagens, é sempre bom ter algumas cartas marcadas. Não hesite em colocar um personagem atrapalhado que tenha as frases mais engraçadas; coloque um personagem misterioso que aparace sempre fazendo coisas suspeitas nos bastidores- sempre com poucas falas-; coloque uma senhora de idade, honesta, bondosa e gentil para ajudar alguns dos personagens durante sua jornada; escolha um professor, mestre, orientador, sensei ou algo do tipo para ser admirado por vários protagonistas; e claro, uma menina bonita e indefesa que goste do personagem principal (ou que não corresponda ao amor deste).

Escolher como serão o vilão e o herói talvez seja o ponto alto pra saber se a série vai ter sucesso ou não. Falando do vilão, se se tratar de um anime, ele tem que ter uma voz muito marcante, falando sempre com tons sarcásticos e inteligentes. Em geral ele precisa ser carismático, bem carismático, para causar uma sensação de surpresa e expectativa de cenas fortes toda vez que aparecer. Claro, ele precisa começar sendo bem mais forte que o herói, tem que bater muito nos personagens do bem, tem que ter frases de efeito, é bom ele fazer parte de alguma organização secreta, ele pode ter boa fisionomia e andar sempre com uma roupa elegante para ganhar fãs. Esse personagem maligno pode ou não ter um auxiliar, mas se tiver, seria interessante pensar em tentar fazer com que este o traia no futuro influenciado por personagens do bem que o “convertem”.

Como foi dito antes, o personagem principal, na maioria dos casos, precisa começar humilde, sem muitos poderes, ralar como todo mundo, honrar suas origens, ganhar novos aliados (geralmente depois de ter lutado contra eles), precisa ir melhorando seus poderes em níveis pré-determinados pelo autor e ter alguma relação com o grande evento que marcou a história em questão. Ganha-se vínculo ao personagem se ele tiver sido alvo de alguma grande injustiça da sociedade ou se ele tiver perdido alguém que amou muito, mas sua missão no final compensa tudo.

É interessante pensar também naquele clichê da unidade de medida da “força” dos personagens, se for um mangá/anime de luta, é preciso que tenha uma espécie de aura ou energia com um nome específico que possa ser aumentada e treinada com o tempo. E isso nos conduz a outro clichê imediatamente, o clichê dos níveis de superioridade, isto é, quando aparece um personagem mais forte do que outro que você julgava ser o mais forte. Essa são aquelas cenas em que você fica: “Não, sério que tem alguém mais forte que o fulano!?”.

Daí em diante é só colocar alguns outros temperos como suspenses, cenas levemente românticas, torneios nos quais se possa medir a força dos personagens, armas com poderes especiais, técnicas antigas que ficaram sem ser usadas por milênios e foram redescobertas por alguém da série, lições de moral que algum mestre fale antes de grandes decisões, episódios com toques de humor aqui e ali e pronto, temos o início de uma possível história de sucesso!

O desenrolar e desfecho da história é subjetivo e cabe aos produtores “estragar” ou não, sendo que nem sempre eles conseguem agradar todo mundo.

Vamos fazer agora um experimento? Vamos montar uma história de sucesso com esses ingredientes!

Em algum momento no passado de tempos imemoriais, um personagem do bem foi colocado como leal mordomo do Rei de um reino composto por uma classe… digamos que fosse uma ordem de anjos. Ele era extremamente bonito, nenhum outro servo possuía maior inteligência que a dele, ele estava em contato direto com os maiores segredos e mistérios de seu Mestre, era detentor do maior conhecimento concedido a sua ordem. Estava num dos mais altos cargos administrativos e parte de sua função era mostrar a vontade de seu Senhor a todos os demais seres. Seu nome era Lúcifer.

Ah! Na verdade, existia outro ser que foi colocado acima dele, outro anjo de porte também elevadíssimo, mas que podia fazer parte dos chamados “Concílios de Paz” do Mestre, evento, entre os anjos, restrito a Miguel, o anjo mais importante que Lúcifer. De maneira inexplicável, Lúcifer cogitou em sua mente que poderia exercer o mesmo cargo de seu, agora, rival.

Articulado do jeito que era, ele passou a montar um golpe de Estado silencioso plantando teorias conspiratórias contra Miguel e o Senhor de todos eles. Ele dizia que Miguel era reacionário, que as leis de seu país não eram justas, e que, afinal, a bondade e Amor dependem do ponto de vista dos oprimidos ou do opressor. A única coisa que esse Mestre não podia controlar era o pensamento de Seus servos, eles eram livres para fazer qualquer tipo de cogitação e imaginar o que bem quisessem, e assim fizeram com as teorias duvidosas de Lúcifer.

Chegou um tempo em que a rebelião estourou e um terço dos anjos do reino estava abertamente do lado de Lúcifer, e os outros ainda assim estavam em dúvida se as acusações dele eram verdadeiras ou não. Miguel, diante disso, tentou convencer Lúcifer a voltar atrás com sua decisão, ele deixou claro que ,se fosse expulso do reino, jamais poderia voltar.

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 Os esforços do Anjo Miguel não foram aceitos, e o clima de discussão,  debates, ideias más e ingratidão estava impregnando o Céu com uma  atmosfera negra de imperfeição. Tendo os anjos feito cada um a sua escolha,  o Senhor de todos eles decidiu expulsar a parte dissidente para que o dano  não fosse maior. Foi triste e torturante para o Mestre fazer isso com Seus  amados servos, daí em diante denominados demônios.

 Esse ar de rebelião instaurado no Universo foi levado até o mais novo  território do reino, um pedaço de terra governado por um casal servo do  Senhor de todos. Infelizmente, Lúcifer, agora um anjo das trevas, conseguiu o direito de habitar esse novo domínio. O casal estava sendo treinado para substituir os habitantes caídos do reino, mas, infelizmente, caíram numa maldição que lhes tirava o direito de assumir o cargo que lhes seria colocado, passaram o controle para o anjo do Mal.

Miguel, sabendo do ocorrido, decidiu ir ao campo, agora pertencente ao inimigo, para resgatar os que estavam sob o domínio das trevas. Essa batalha duraria cerca de 6 mil anos, e , para ser vencida, precisaria que Miguel consentisse em deixar Seu alto cargo, sofrer traição, ter fome, sentir sede, e, por fim, morrer pelos habitantes traidores. Ele aceitou.manga-da-biblia (1)

Todos os habitantes caídos que aceitassem esse sacrifício, receberiam um poder chamado Graça, que pode crescer, ser repartido e dar força incalculável a quem estivesse disposto a seguir os passos de Miguel, que agora se chamava Cristo. Durante Sua missão, Cristo conseguiu aliados, amigos e seguidores, porém, ao chegar o tempo de morrer, Ele podia contar nos dedos quem ainda estava com Ele. Se Seu nascimento dividiu a história terrestre em duas partes (antes e depois dEle), Sua morte dividiu a história galática, evento que mostrou de uma vez por todas que o antigo Lúcifer e toda sua casta de seguidores estavam errados.Jesus manga

Conforme os relatos de uma profecia antiga, ensinada por alguns anciãos, a morte não teria domínio sobre quem não pecasse, se um ser fosse capaz de viver uma vida isenta de pecados e chegasse ao mais alto grau de poder da Graça, haveria esperança para os escravos do anjo das trevas que perderam sua Terra. Essas profecias diziam que o único que poderia ser capaz de cumprir isso era “O Ungido”, e Ele conseguiu, depois de milênios de perversidade, conseguiu trazer Luz de volta para um Reino que estava perdido.

Isso é apenas um resumo do enredo bíblico do conflito entre o bem e o mal. E talvez você esteja se perguntando qual é minha intenção de relacionar essa história contada de maneira “diferente” com a indústria japonesa de animes. Minha intenção se resume em alguns pontos.

O primeiro deles é que as versões contadas em todos os animes entre o bem e mal são uma caricatura do que realmente existe de conflito entre a Luz e as Trevas. No entanto, os animes/mangás contam com todas as técnicas que expliquei no início para prender a atenção e devoção dos jovens por suas histórias de enredos extravagantes, de maneira que ler a Bíblia (a verdadeira história entre o Bem e o Mal) “perde a Graça”, parece chata e seu estudo fica como algo, na prática, quase ou completamente inexistente.

O segundo ponto que queria levantar é que além de os animes, e outras histórias, perverterem a história real entre o bem e mal, esse meio de distorção introduz doutrinas contrárias ao cristianismo, ao ponto que professos cristãos que lhes dão audiência acabam repetindo falas, gestos, posturas, olhares e pensamentos de seus personagens preferidos. Essa jogada é quase tão inteligente quanto a união de Roma com a Igreja, no lugar de perseguir o cristianismo, eles conseguem por tabela mudar nossos hábitos paulatinamente.

Por fim, quero ressaltar que boa parte da culpa de as histórias bíblicas (essas sim verdadeiras!) parecerem chatas é dos “adultos” e mais experientes que parecem fazer o ensino bíblico um fardo ininteligível e sem atrativo algum. Não estou discutindo aqui a ideia de que se pode ou devemos contar histórias bíblicas em formato de anime (desenhos que já existem até!), muito menos incentivando empreitadas de evangelismo jovem que lancem por terra os princípios de nossa Igreja (confundindo santo com profano). O que estou dizendo é: parece que o grande sacrifício de Cristo não nos dá ânimo algum em muitos casos!

A Graça restauradora de Cristo deveria encher cada célula de nosso ser para o serviço, amor mútuo e ensino interessante. No dia em que conciliarmos o Evangelho com interesse saudável pela verdade, talvez fique menos difícil incentivar os jovens a estudarem a Bíblia com amor e dedicação genuínos.

“Um importante elemento no trabalho educativo é o entusiasmo. Quanto a este ponto, há, em uma observação feita certa vez por um célebre ator, uma útil sugestão. O arcebispo de Cantuária fizera-lhe a pergunta por que os atores em uma representação interessam seu auditório tão poderosamente falando de coisas imaginárias, enquanto os ministros do evangelho muitas vezes tão pouco interessam aos seus, falando de coisas reais. ‘Com a devida submissão a V. Exa’, replicou o ator, ‘permita-me dizer que a razão é clara; está no poder do entusiasmo. Nós, no palco, falamos de coisas imaginárias como se fossem reais, e vós outros, no púlpito, falais de coisas reais como se fossem imaginárias.’ ” (Educação pág. 233)

“Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.”

1 João 2:15