Entenda por que a ordenação feminina não é bíblica

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Ordenar ou não ordená-las? Eis a questão. Parece até estranho pensar que um ponto que deveria ser potencializador da Igreja (a saber, o assunto sobre liderança espiritual) tem sido divisor em alto nível. Dessa vez, no entanto, o título desse artigo não é uma pergunta reflexiva ou pegadinha, acreditamos que o compromisso da IASD é para com a Bíblia, por isso, vamos dar um megafone para ela dar sua opinião em alto e bom tom, uma vez que o precioso livro tem sido muito negligenciado no debate.

Essa será a primeira parte do artigo, nada melhor que uma boa e velha explanação da Bíblia, a segunda parte analisará os argumentos a favor da ordenação feminina. Afinal, “Se você tiver a coragem de perguntar a Bíblia terá a coragem de responder.”

Apesar de muitos debatedores desse assunto dizerem que não existem evidências bíblicas para ter uma posição firme, esperamos que ao final desse estudo, se você estiver nesse grupo, o leitor tenha uma visão mais ampla e, quem sabe, mude de ideia.

Eis o principal argumento que vejo contra a ordenação feminina ao pastorado: Argumento da inversão de submissão

Existe uma frase no subconsciente dos cristãos que geralmente se enuncia assim: “A mulher é submissa ao homem”. Enquanto o grupo que defende a ordenação feminina ao ministério pastoral tenta provar que essa frase ou está errada ou não implica uma proibição de exercer a liderança espiritual, há uma série de textos bíblicos que fundamentam e apoiam o fato de a mulher ter de ser submissa ao homem.

Os versos mais explícitos que restringem as mulheres de algumas atividades são do apóstolo Paulo. Em várias cartas vemos que ele cita as mulheres como submissas aos homens, peculiaridades que detalha mais que outros autores bíblicos.

Interessantemente, na maioria das vezes ele cita o livro de Gênesis, então é por lá que se definirão os termos para aplicação posterior. Antes porém, é necessário fazer considerações prévias:

  1. Ser submisso não implica ser inferior, lembremo-nos de que as crianças também precisam ser submissas aos pais (Ef6:1), assim como os cidadãos precisam ser submissos às autoridades de seu país (Rm13:1), nem por isso indica-se qualquer inferioridade;
  2. A submissão não diz respeito a quem é melhor ou pior, ela é a expressão da maneira pela qual Deus organizou Sua Criação.
  3. A submissão revela entendimento da missão que Deus deu a cada indivíduo em sua esfera, é uma verdadeira aceitação da vontade de Deus e manifestação do espírito cristão. É tão possível alguém estar submisso em amor e igualdade de status perante Deus quanto é  possível Cristo ser submisso ao Pai não se tornando “menos Deus” por isso.

Esclarecidos esses pontos, podemos notar no Gênesis que, tanto antes como depois do pecado, mulher e homem exerciam funções diferentes e ordenadas por Deus.

“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.” Gênesis 2:18

O termo “ajudadora idônea” é de controversa tradução, em hebraico, o significado de `ezer kenegdo parece indicar que a ajuda que a mulher trouxe ao homem foi uma soma de poder, a expressão aparece algumas vezes relacionada a termos militares. Em outras ocasiões, palavras de mesma origem ou de sentidos muito semelhantes são usadas para descrever o privilégio que é ter o Senhor como nossa força, poder e auxílio nas batalhas (Dt 36:26,29).

George W. Knight comenta que “Se um ser humano foi criado para ser ajudante de outro ser humano, aquele que recebe o auxílio tem certa autoridade sobre o outro.”, de um ponto de vista lógico e textual.

(Ver George W. Knight III, The Role Relationship of Men and Women ,Chicago, 1985, p. 31)

A nobilíssima função de ser ajudadora já é evidência suficiente para mostrar que as funções do casal edênico eram diferentes, tendo Eva sido criada especialmente para Adão. É o homem que teve o dever de dar um nome a sua companheira, ou seja, Deus cede espaço para que ele usasse seu poder amorosamente criativo. Assim como o Criador nomeara Adão, o primeiro homem agora nomeava sua parceira, ele ganhara assim um dos primeiros atributos divinos, algo essencial para sermos considerados à imagem e semelhança de Deus.

(O ato de nomear tem rico significado na Bíblia, uma rápida pesquisa pode trazer à tona sua relevância quanto à submissão e união entre indivíduos.)

Outro fato que mostra que Adão era o representante do casal é a ordem de proibição de comer da árvore do bem e do mal, que, apesar de valer para os dois, foi direcionada a Adão (Gn 2:16). Quando o casal desobedece, de quem é exigida a responsabilidade? De Adão (Gn 3:9-11)! Ellen White concorda com essa ideia em Patriarcas e Profetas ao falar sobre a representatividade de Adão (pág. 19).

Após o pecado, algo interessante é dito à mulher:

E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. Gênesis 3:18

Se formos contar, há três principais consequências do pecado no Éden: necessidade de labor penoso para cultivar a terra, agravamento das condições de parto e uma submissão mais evidente da mulher ao homem. O trabalho existia antes do pecado, a função de procriar existia antes do pecado e, por fim, o relacionamento entre homem e mulher, sendo esta submissa, também existia antes do pecado. Agora, porém, Deus fala como seria a vida no mundo que Adão e Eva escolheram.

Claro, vemos em várias partes da Bíblia que o homem não deve dominar desrespeitosamente, nem fazendo da mulher inferior, mas ele continua sendo a cabeça.

O verbo “dominar” nesse caso, pode ser melhor entendido quando vemos que ele se repete em Gn 4 quando Deus diz a Caim que “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.” Gênesis 4:7

Era dever de Caim controlar e saber sua postura diante do pecado. Quando Eva ofereceu o fruto a Adão, ele deveria ter usado de sua autoridade e escolha para rejeitar e corrigir o erro, mas por sua condescendência, caiu.

Aparentemente, o homem como representante também precisa saber lidar com a mulher, tendo várias orientações na Bíblia de como fazê-lo, tanto no dia a dia, como na Igreja.

Esclarecido o que houve no Princípio de nossa história, vamos aos textos de Paulo!

Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. Efésios 5:22,23

Escolhi essa passagem pra começar porque os estudiosos têm demonstrado que essa carta não foi escrita restritamente para a Igreja de Éfeso, as evidências são: a ausência de agradecimentos por parte de Paulo a pessoas específicas (como ele comumente agradecia a seus simpatizantes), a ausência do termo “En Epheso” nos códices Vaticano e Sinaítico (bem como em outros papiros ainda mais antigos) e os temas universais tratados na epístola (como a unidade em Cristo, a doutrina da trindade na introdução da carta, nova vida em Cristo, etc), não uma correção específica como no caso de Corinto.

Portanto, o assunto sobre relacionamento entre homem e mulher é tratado como de relevância universal, sendo a submissão parte dele.

O Comentário Bíblico Adventista, Vol. 6, na página 1149 endossa a universalidade da carta aos Efésios:

As mulheres sejam submissas. Paulo atribui às mulheres uma posição de submissão em relação ao marido (I Pe 3:1-6).  A ética dos relacionamentos cristãos dentro da família é clara, quando se entende que a diferença e submissão de nenhuma maneira implicam em inferioridade. A submissão aconselhada à mulher é do tipo que só pode ser dada entre iguais, não uma obediência servil mas uma submissão voluntária nos aspectos em que o homem foi qualificado pelo Criador para ser a cabeça (cf. Gn 3:16).  Toda comunidade deve ter um líder para permanecer de forma organizada. Mesmo nesta era de liberdade, em que se insiste na igualdade entre homens e mulheres, o homem que não assume a liderança de sua família em amor é considerado, de certa forma, com desprezo por homens bem como por mulheres. Este princípio de submissão é permanente mas sua aplicação específica pode variar ao longo do tempo, conforme os costumes e a consciência social (comparar com ICo11:3,7-9; Cl 3:18; ITm2:11,12; Tt 2:5).

Não se engane, essa “aplicação específica” a que o comentário faz referência não se trata de situações em que foi permitido o sacerdócio ou autoridade feminina, e sim situações em que foi necessário manter a submissão feminina ainda que em diferentes contextos culturais!

Analisemos um exemplo de variação de aplicação conforme um princípio cultural:

Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo. Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça. Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. 1 Coríntios 11:3-5

Há algo de errado em dizer que Cristo é a cabeça do homem? Não. Há algo de errado em dizer que Deus é a cabeça de Cristo? Não. Então por que teria algo de ruim ou errado em dizer que a cabeça da mulher é o homem?

Ainda que Paulo estivesse lidando com um assunto de relevância cultural, ele usa argumentos teológicos citando a própria trindade! Cristo é submisso ao Pai, o homem é submisso a Cristo, e a mulher submissa ao homem; enquanto existir trindade, esse argumento continua sendo válido.

Esses versos são esclarecedores em muitos sentidos, neles notamos que não é vetado à mulher falar em todas as situações, posto que só era vergonhoso a ela falar se estivesse sem o véu, não no fato de falar em si. Em Tito 2 é orientado que as mulheres ensinem-se mutuamente, e, em I Co 11, como vimos, ela poderia profetizar naquela comunidade se estivesse de cabeça coberta. Vemos assim, que ainda que se tratasse de uma aplicação cultural, o princípio de a mulher ser submissa ao homem persistia, sua aplicação apenas se manifestou de outra forma.

Talvez você esteja se perguntando agora: “Mas e os textos que falam para a mulher ficar em silêncio na Igreja?”

Vejamos um de cada vez:

As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei.  1 Coríntios 14:34

Como harmonizar I Co 11:5 (mulheres profetizando) com I Co 14:34 (mulheres caladas)? Estaria Paulo se contradizendo?

A palavra chave para entender o que Paulo quis dizer é o “mas” (alla), note que ele diz que “não lhes é permitido falar; MAS estejam sujeitas…”, há uma um oposição textual aqui, isto é, o “falar” que ele tinha em mente não tinha ligação direta com estar subordinado, era um falar específico.

São várias as maneiras de explicar esse texto, uma delas é pelo próprio contexto de ICo 14:29-36. Nesses versos Paulo está dando uma exposição sobre como deveriam tratar a questão dos profetas na Igreja, se precisavam de tradução e como deveriam avaliar o que eles falavam. Em seguida, ele diz para as mulheres ficarem caladas, e depois de dar essa instrução, volta no versículo 37 a falar sobre os profetas. O contexto imediato sugere que as mulheres não deveriam falar na arguição de um profeta, testá-lo em público, pois, sendo elas mulheres, seria vergonhoso pelo costume local.

Atualmente, pode-se fazer uma analogia com o aluno que desafia o professor frente à sala de aula, desrespeitando sua autoridade. Algumas vezes, até em nossos dias, é mais prudente questionar o professor ou a autoridade de maneira reservada, assim como Nicodemos fez procurando Jesus e não como os fariseus que tentavam colocá-Lo em descrédito no meu da multidão.

Um exemplo dessa situação no passado foi quando Miriã indevidamente questionou Moisés, insubordinando-se. Walter L. Liefeld, sugere que por isso Paulo diz “conforme está escrito na Lei”, referindo-se a esse episódio da Torah.

(Ver Walter L. Liefeld, “Women, Submission and Ministry in 1 Corinthians,”π in Women, Authority and the Bible, ed. Alvera Mickelsen, p. 150.)

Seja qual for a explicação mais plausível, o contexto clareia que a restrição de falar era contextual, mas o princípio de submissão universal.

O último texto bíblico para fechar esse argumento, encontra-se em I Timóteo 2

A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. 1 Timóteo 2:11-14

Vemos novamente que o argumento de Paulo é teológico, não cultural. Seria deslealdade intelectual dizermos que esse capítulo deve ser usado para se referir unicamente a cultura da época por vários motivos : a carta é direcionada a uma pessoa e não a uma comunidade, há um forte apelo evangelístico na carta toda e há orientações claramente universais, a IASD comumente usa I Tm 2:9 como princípio universal para modéstia cristã de vestimenta (dois versos depois a aplicação tornar-se só cultural?).

Vemos novamente que Paulo usa como argumento a condição da mulher em Gênesis 2, ela é submissa ao homem por ter sido criada do homem, depois do homem e para o homem. O outro motivo refere-se ao capítulo 3 de Gênesis, a mulher cedeu à tentação, e trouxe sobre si os termos já discutidos aqui anteriormente.

Não importa qual seja a cultura, sempre poderemos olhar para o passado e ver que Deus criou primeiro Adão, colocado como representante, e que a mulher no lugar de ter sido ajudadora, foi tentadora. Nenhuma cultura muda isso, a história é imutável.

Quero finalizar a análise desse verso mostrando por que a mulher não pode ensinar se, como vimos anteriormente, ela podia falar. Pelas evidências bíblicas, Paulo estaria falando para a mulher ficar em silêncio no sentido de não ensinar como os pastores o podem fazer, um ensinar específico também. Como chegamos a essa conclusão?

Em I Tm 2:7 e II Tm 1:11, Paulo se diz “professor (doutor ou mestre) dos gentios”, em I Tm 4:11 e I Tm 6:2, ele diz a Timóteo “Ordena e ensina estas coisas.”, em II Timóteo 4:2 ele diz para Timóteo: “prega a palavra… em ensino.” Parece então que Paulo coloca esse ensino como responsabilidade de pessoas como Ele, Timóteo, Tito ou pastores.

Samuelle Bacchiocchi comenta em seu livro Women in church, página 137 :

“A restrição do ensino ministerial é especialmente evidente em 2 Timóteo 2:2, em que Paulo dá este solene comando a Timóteo: ‘E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.’ Os ‘homens fies’ mencionados eram possivelmente anciãos e responsáveis pela congregação. Uma qualificação para esse cargo era ‘estar apto a ensinar’ (I Tm 3:2). Paulo insiste que reconhecimento especial seja dado aos ‘anciãos que governam bem. . . especialmente os que labutam na pregação e no ensino ‘ (1 Tm 5:17)”

É interessante notar que das 21 ocorrências de “ensino, doutrina” (didaskalia) no novo testamento, 15 delas estão nas cartas a Timóteo e Tito. Esse ensino era tido com muita importância porque se tratava da transmissão dos ensinos de Jesus, já que muitas vezes eles não tinham bíblias à disposição para usar. Assim, o responsável pelo ensino era um “registro ambulante do evangelho”, função destinada ao homem no livro de Timóteo. As únicas pessoas que poderiam, de certa forma, exercer “autoridade sobre o marido” eram os líderes religiosos (pastores) da época, portanto, Paulo veta que isso seja permitido à mulher por violar o princípio da submissão instituído no Gênesis.

Por que eu fiz questão de citar todos esses textos? Porque eles fecham um raciocínio central ao evocarmos Hebreus 13:

“Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” Hebreus 13:17

Espera, o que a IASD está querendo votar este ano mesmo? Que as mulheres sejam pastoras! A pergunta que faço é: como podemos permitir que as mulheres sejam pastoras se, segundo Hebreus, os membros têm de ser submisso a quem estiver como pastor (líder)? Haverá uma quebra clara do princípio que colocamos: Deus–> Cristo–>Homem–> Mulher. Se uma mulher for pastora, os membros deverão ser sujeitos a ela, como dito em Hebreus 13! Caros leitores, quem é que queria inverter a ordem de Deus no Céu?

Terminamos com uma compilação modesta do Espírito de Profecia já que algumas pessoas argumentam que ele não tem uma posição clara quanto ao assunto.

A mulher deve ser submissa ao marido

“Nós, mulheres, devemos lembrar que Deus colocou-nos sujeitas ao marido. Ele é o chefe, nossos julgamentos, visões e raciocínios devem concordar com os dele, se possível. Se não, a preferência da Palavra de Deus é dada ao marido onde não é uma questão de consciência. Devemos ceder à cabeça “[Carta 5, 1861].

O erro de Eva, será que não o estamos repetindo?

“Eva tinha sido perfeitamente feliz ao lado do esposo, em seu lar edênico; mas, semelhante às inquietas Evas modernas, lisonjeou-se com a esperança de entrar para uma esfera mais elevada do que aquela que Deus lhe designara. Tentando erguer-se acima de sua posição original, caiu muito abaixo da mesma. Idêntico resultado será alcançado por todas as que estão indispostas a assumir com bom ânimo os deveres da vida, de acordo com o plano de Deus. Em seus esforços para atingirem posições para as quais Ele não as adaptou , muitas estão deixando vago o lugar em que poderiam ser uma benção. Em seu desejo de uma esfera mais elevada, muitas têm sacrificado a verdadeira dignidade feminil, e a nobreza de caráter, e deixaram por fazer precisamente o trabalho que o Céu lhes designou.” –Patriarcas e Profetas, pág.59.

 O mesmo método do passado deve ser usado hoje na escolha dos líderes.

Nos dias da teocracia, quando Moisés estava procurando levar sozinho fardos tão pesados que logo sucumbiria sob eles, foi ele aconselhado por Jetro a fazer planos para uma sábia distribuição de responsabilidades. “Sê tu pelo povo diante de Deus,” aconselhou Jetro, “e leva tu as coisas a Deus; e declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar, e a obra que devem fazer” Jetro sugeriu mais: que fossem escolhidos homens como “maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinqüenta, e maiorais de dez” Os escolhidos deviam ser “homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza” Deviam ser estabelecidos para que julgassem o povo “em todo o tempo”, aliviando assim Moisés da exaustiva responsabilidade de atender a muitos assuntos de menor importância, que podiam ser solucionados com habilidade por auxiliares consagrados. Êxodo 18:19-22. […] Em harmonia com este plano, “escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os pôs por cabeças sobre o povo: maiorais de mil e maiorais de cem, maiorais de cinqüenta, e maiorais de dez. […]

Mais tarde, ao escolher setenta anciãos para com eles repartir as responsabilidades da liderança, Moisés foi cuidadoso em selecionar para seus auxiliares homens que possuíssem dignidade, são juízo e experiência. Em suas instruções a esses anciãos ao tempo em que foram ordenados, ele esboçou algumas das qualificações que habilitam um homem a ser dirigente sábio na igreja. “Ouvi a causa entre vossos irmãos,” disse Moisés, “e julgai justamente entre o homem e seu irmão, e entre o estrangeiro que está com ele. Os mesmos princípios de piedade e justiça que deviam orientar os líderes entre o povo de Deus nos dias de Moisés e de Davi, deviam ser igualmente seguidos por aqueles a quem foi entregue o cuidado da recém-organizada igreja de Deus na dispensação cristã. Na obra de ordenar as coisas em todas as igrejas, e na ordenação de homens capazes para agir como oficiais, os apóstolos se orientaram pelas altas normas de governo esboçadas no Antigo Testamento. Mantiveram o princípio de que aquele que é chamado para ocupar posição de maior responsabilidade na igreja, “seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes”. Tito 1:7-9.

A ordem que foi mantida na primitiva igreja cristã, possibilitou-lhes avançarem firmemente como bem disciplinado exército, vestido com a armadura de Deus. Os grupos de crentes, se bem que espalhados em um grande território, eram todos membros de um só corpo; todos se moviam com ordem e em harmonia uns com os outros. Ele requer que o método e a ordem sejam observados na administração dos negócios da igreja hoje, não menos do que o foram nos antigos tempos. Deseja que Sua obra seja levada avante com proficiência e exatidão, de modo que possa pôr sobre ela o selo de Sua aprovação. Cristão deve estar em união com cristão, igreja com igreja, cooperando o instrumento humano com o divino, achando-se cada agência subordinada ao Espírito Santo, e tudo em combinação para dar ao mundo as boas novas da graça de Deus. AA pág. 62-65

Os discípulos são como patriarcas no passado

Os discípulos deviam sair como testemunhas de Cristo para anunciar ao mundo o que dEle tinham visto e ouvido. Seu cargo era o mais importante dos cargos a que já haviam sido chamados seres humanos, apenas inferior ao do próprio Cristo. Eles deviam ser colaboradores de Deus na salvação dos homens. Como no Antigo Testamento os doze patriarcas ocupavam o lugar de representantes de Israel, assim os doze apóstolos representam a igreja evangélica.  AA pág. 12

No próximo texto continuaremos abordando esse assunto analisando os argumentos a favor da ordenação feminina, não perca!

Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade. II Coríntios 13:8

Por Matheus Fugita

  • Não sei quão familiarizado o autor do texto está com o debate adventista, mas espero que as informações abaixo seja úteis.

    O título do artigo é: “Entenda por que a ordenação feminina não é bíblica”. A discussão na IASD mundial não é essa. A IASD já estabeleceu a ordenação de mulheres: a assembleia da Associação Geral de 2010 votou a ordenação de diaconisas. A discussão também não é se mulheres podem atuar como pastoras, porque esse cargo já é reconhecido pela IASD. O debate é especificamente sobre a ordenação da mulheres ao ministério pastoral.

    O artigo diz também que “o precioso livro tem sido muito negligenciado no debate”. Sem dúvida, nos meios populares (tanto membros ‘leigos’ quanto pastores), o estudo da Bíblia tem sido bastante negligenciado quanto a esse tema. Isso é verdade sobre os favoráveis e os contrários à ordenação de pastoras. Mas a realidade é muito diferente nos estudos e diálogos promovidos pela IASD mundial. Entre 2011 e 2014, a Associação Geral da IASD manteve um comitê especial para estudar a teologia da ordenação, especialmente a ordenação de pastoras. Foi o Comitê de Estudo da Teologia da Ordenação. O relatório final dos estudos está disponível neste link: https://www.adventistarchives.org/final-tosc-report.pdf O material, de 127 páginas, contém um resumo de cada uma das três posições sobre o assunto. Como todos os participantes do diálogo reconhecem, as três posições possuem sólidos argumentos bíblicos e teológicos. No mesmo site, há diversos estudos profundos sobre o tema, escritos por defensores das três posições.

    O autor continua: “Vamos dar um megafone para ela [a Bíblia] dar sua opinião em alto e bom tom. […] Apesar de muitos debatedores desse assunto dizerem que não existem evidências bíblicas para ter uma posição firme, esperamos que ao final desse estudo, se você estiver nesse grupo, o leitor tenha uma visão mais ampla e, quem sabe, mude de ideia”. Não entenda como uma ofensa pessoal, mas é no mínimo intrigante alguém (seja você ou eu) achar que conseguirá dar a palavra final sobre um assunto em que um comitê mundial da IASD não chegou a um consenso. Cerca de dois terços dos membros do comitê votaram a favor da ordenação de pastoras; e um terço, contra. A maioria dos grandes teólogos adventistas (principalmente aqueles especialistas em teologia bíblica – Antigo e Novo Testamento) são a favor da ordenação de pastoras. Um dos muitos defensores da ordenação de pastoras na IASD é o Dr. Ángel Manuel Rodríguez, que, durante fez anos, foi diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral. Ele é reconhecido como a principal autoridade teológica da igreja e o maior defensor da ortodoxia (não extremismo) adventista.

    Todo o tom do artigo indica que a Bíblia é clara sobre o assunto e que quem possui outra compreensão não é fiel à Palavra de Deus. Mas a compreensão da IASD é bem diferente. O consenso do comitê foi o seguinte: “Votado afirmar que, a despeito das diferenças de opinião sobre o assunto da ordenação de mulheres, os membros do Comitê de Estudo sobre a Teologia da Ordenação ESTÃO COMPROMETIDOS COM A MENSAGEM E A MISSÃO DA IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA, conforme expressas por meio das 28 Crenças Fundamentais” (General Conference Theology of Ordination Study Committee Report, p. 127). Disso podemos tirar pelo menos duas conclusões. Primeira: a posição da IASD é que um adventista plenamente comprometido com a mensagem e a missão da igreja pode ser a favor ou contra a ordenação de mulheres ao ministério pastoral. Segunda: adventistas que argumentam que ordenação de pastoras é apostasia contradizem a compreensão da IASD. Ou seja, eles discordam da única coisa que a IASD oficialmente ensina sobre o assunto! Por outro lado, aqueles que argumentam que pastoras não são ordenadas por causa de machismo e patriarcalismo subestimam a complexidade do debate.

    Uma das conclusões mais importantes do comitê foi que a discussão sobre ordenação de pastoras não é bíblica e teológica – isto é, a Bíblia não possui uma clara orientação contra ou a favor; portanto, a solução será cultural e administrativa. Por isso, a Conferência Geral de 2015 votará sobre o assunto.

    Oro para que, em vez de defender opiniões pessoais, este site sirva para esclarecer os membros da igreja sobre esse tema.

    • matheusfugita

      Kevin, sou o articulista responsável por esse texto em questão. Quero agradecer o fato de ter lido com carinho minhas considerações. Para esclarecer, sabemos que mulheres podem ser ordenadas para algumas funções, mas o artigo delimitou a questão ao falar “Eis o principal argumento que vejo contra a ordenação feminina ao pastorado”, veja que as fotos escolhidas tinham o propósito de esclarecer isso. Se mesmo assim não ficou claro, esclareço agora que não há nada de errado em ordenar as mulheres para função que a Bíblia/Espírito de Profecia prescrevem, mas ser “pastora” já é outra situação bem diferente.

      Uma questão que você levantou me parece um tanto estranha, em 2010 houve a recomendação para se elaborar a TOSC, em 2012 a CG aprovou, em 2013 cada divisão mandou seus relatórios, e aí foram avaliados. Para desconforto da CG, em 2012 e 2013 houve a proposta de ordenar mulheres nos EUA inclusive para presidência de uma associação (no Sudeste da Califórnia) de maneira individual, sem aval da Igreja mundial. Em que sentido você diz que a Igreja reconhece pastoras? Na divisão Norte Americana você diz? O que fizeram lá foi uma insistência indevida, qual é o espírito que entrou na Igreja com isso? Não está nada definido quanto a regulamentar oficialmente a ordenação de pastoras, a discussão está em andamento até onde eu saiba. Vão decidir isso em breve.

      Quanto aos documentos a que você fez referência, eu os li, mas não somos obrigados a concordar com tudo o que foi exposto ali (no meu caso não consegui ver coerência em colocar esse debate unicamente no nível cultural). Algo que quero destacar também é que não vi de sua parte uma refutação bíblica (ou de outros) , mas simplesmente assertivas quanto a como está o debate em questão, não se preocupe, nossa equipe está acompanhando o debate mundial. Se os teólogos estão tão certo assim de que não há nada conclusivo na Bíblia, não os vai abalar tanto se eles conseguirem provar na Bíblia que o argumento deste site está equivocado. Creio que nossos fundamentos são regra sobre regra, um pouco aqui um pouco ali.

      A segunda parte do artigo irá responder a alguns dos argumentos da chamada “Third option”, que consta aqui https://www.adventistarchives.org/position-summary-3.pdf , talvez essa parte lhe interesse mais. Mesmo assim, vou deixar um link de teólogos muito bem preparados que estão sendo contra o simples fato de a Igreja aceitar a ordenação de pastoras, há tanto material em texto quanto em vídeo. Um ótimo site seria para consulta seria o ordenationtruth.com , em vídeo https://www.youtube.com/watch?v=EP0_fUMkeYk , https://www.youtube.com/watch?v=31ROkxAIBY8&spfreload=10

      Não sei se interpretei seu comentário corretamente, mas usar a falácia do apelo a autoridade, na minha opinião, é deslealdade intelectual. Apenas por que Ángel Rodriguez diz algo não quer dizer que ele esteja certo, senão, não concordas que por autoridade eu também poderia evocar aqui os títulos e textos de Samuele Bacchiocchi contra a ordenação feminina? Ou que tal o extenso material do pastor Stephen Bohr? Nosso texto também não é infalível, mas tentou mostrar que existe embasamento bíblico para discordarmos da ordenação de pastoras. Uma rápida passagem pelos arquivos da Andrews University mostra que há publicações que também não colocam esse debate apenas para o nível cultural, mas sim teológico e exegético, confira: http://documents.adventistarchives.org/ScholarlyJournals/AUSS/AUSS20050401-V43-01.pdf ” This discussion involved not only practical and administrative questions, but also exegetical and theological issues.”, pág 12.

      Caro leitor, o artigo trouxe uma visão bíblica sobre o fato, e não meramente opiniões pessoais, se houver refutação teológica aí sim teremos como discutir até que ponto foi opinião pessoal ou não. Apesar de a Conferência Geral ter autoridade, lembremo-nos de que são homens e que o passado nos mostraram que nem sempre a Conferência acertou.

      Agradeço com sinceridade seu comentário, mas saber como anda o debate é fácil, há muitos sites e videos explicando, neste artigo queríamos mostrar a Bíblia e o Espírito de Profecia, explicados e explanados. Gostaria bastante de saber seus argumentos a favor da ordenação feminina, não acho feio mudar de opinião, para mim o problema é não ter opinião pra mudar, estou disposto a mudar se me derem bons motivos e argumentos sólidos.

      Por fim, quero lembrar que o argumento do silêncio se volta para os dois lados, dizer que a Bíblia não tem uma passagem proibindo é tão válido quanto dizer que ela não tem passagens permitindo a ordenação feminina ao pastorado. Meu artigo trabalhou com informações que a Bíblia alegou. Obs: Já que você é conhecedor do material oficial da Igreja deve saber que algumas divisões colocaram em seus relatórios posicionamento bíblico contra a ordenação feminina, por que um humilde site não poderia opinar então? Abraços!

    • Olá Kevin, agradecemos sua preciosa participação em nosso site. Sejam contra ou favor aos nossos artigos, anônimos ou não, os comentários serão sempre lidos e respondidos por nós. Publicados, somente se forem postados com educação e respeito, assim como o seu. Mais do que exprimir suas opiniões pessoas (o que não é errado, desde que a mesma seja tbm a opinião da Bíblia), nossos autores possuem um sério compromisso em levar a mensagem correta, doa a quem doer. Rs. No mais, sinta-se à vontade para sempre mandar suas opiniões e questionamentos. Creia que estaremos sempre abertos à um diálogo sadio. Abraços irmão.

      • Hannibal Saints

        Pena é que o “sério compromisso em levar a mensagem correta, doa a quem doer”, seja apenas num sentido. Não publicaram o meu comentário porquê? Medo de uma opinião contrária? Hipocrisia?! Que Deus vos ajude a refletir sobre a vossa ação…

      • Hannibal Saints

        Só agora (depois de publicar o comentário) vi que afinal o comentário feito ontem ainda aguarda moderação. As minhas mais sinceras desculpas… não posso cancelar o comentário anterior. Obrigado!

        • Tudo bem querido irmão. Eu pensaria o mesmo caso não tivesse um comentário aprovado. Deus te abençoe.

    • MUITO BOA A OBSERVAÇÃO… SE ORDENAR DIACONISA ENVOLVE UMA QUESTÃO DE SUBMISSÃO VEMOS UMA PSEUDO CONTRADIÇÃO NO ARGUMENTO DO AUTOR DO POST.

      ENTÃO QUERO DEIXAR AQUI UM TEXTO DE ELLEN WHITE:

      “Todos os que desejem uma oportunidade para o verdadeiro ministério, e que se dêem sem reservas a Deus, encontrarão na colportagem ocasiões de falar sobre muitas coisas pertencentes à futura vida imortal. A experiência assim adquirida será de grandíssimo valor para os que estão se preparando para o ministério. É a assistência do Espírito Santo de Deus que prepara os obreiros, homens e mulheres, para se tornarem pastores do Seu rebanho”. TESTEMUNHOS PARA A IGREJA, 279

      • Pr. Luiz, não sei se você sabe o que é um APOSTO (“Homens e mulheres” é o aposto de “obreiros”). Isso faz parte dos estudos de análise sintática. E eu li o capítulo 40 do Testemunhos Para a Igreja, vol 6, p. 322 que o senhor citou acima, cujo título é “O colportor como obreiro evangélico”.
        Pelo contexto desse capítulo, o colportor (obreiro) tem a responsabilidade e a mesma posição de pastor. Mas pergunto: o colportor é ordenado como um pastor o é? O colportor tem a mesma função eclesiástica? O colportor faz Santa Ceia? Realiza batismo? Ou casamentos? Se Ellen White diz que os colportores podem também ser obreiros que, por sua vez tem a mesma posição de pastor, então, por que os colportores não recebem o mesmo salário de pastor ordenado?
        Como professor de português de uma escola adventista aqui de Manaus, eu afirmo que essa citação supracitada está fora do seu contexto. O capítulo todo fala sobre a obra da colportagem, de como jovens (rapazes e moças) podem ser úteis na propagação do Evangelho, como se fossem pastores do Rebanho do Senhor, no sentido de cuidar da Igreja. É só ler esse capítulo inteiro! É notório que Ellen usa uma linguagem figurada e não literal… Que o Senhor te abençoe, pr. Luiz. Abraço!

    • Exelente resposta, Kevin Garcia, é isso mesmo. O texto destaca passagens e citações de Elen White fora de contexto e mal interpretadas. Se o tema fosse assim tão “claramente bíblico” nem estaríamos discutindo isso agora. Muitas pessoas, teólogos e membros leigos, muito espirituais e verdadeiros cristãos, homens e mulheres, estão a favor da ordenação feminina.

      • matheusfugita

        Olá, Antonio, obrigado por seu comentário e atenção, admiro seu empenho em se informar do assunto e fazê-lo relevante em seu cristianismo.

        Com relação ao conteúdo do seu comentário, creio que parece também como que a falácia do apelo à autoridade, não é porque teólogos famosos apoiam a ordenação de pastoras que ela está correta. Já diria Lutero que um versículo da Bíblia vale mais que 500 concílios da Igreja, não deveríamos estar dispostos a sacrificar a Verdade no altar da Unidade. Para mais respostas, leia a segunda parte do artigo:

        https://coolturadventista.wordpress.com/2015/06/25/argumentos-a-favor-da-ordenacao-de-pastoras/

  • Olá. Acho que antes de entrar de chofre no assunto deve-se explicar o que é ordenação. Pelo pouco que li foi isto o primeiro ponto a ser estudado pela IASD antes de partir para as ordenação das mulheres. Existe uma teologia da ordenação que deve ser pesquisada a priori, antes de afirmar se é ou não bíblico ordenar mulheres para serem pastoras.
    Quanto a assertiva: “o precioso livro tem sido muito negligenciado no debate” concordo com o comentário do Kevin,acredito que os estudos envolvidos nesta questão não estejam deixando a bíblia de lado.
    Prosseguindo agora mais diretamente sobre o texto: qual a relação direta entre a submissão e a ordenação das mulheres? As mulheres podem ser pastoras e ainda assim podem ser submissas aos seus maridos, no lar, não podem? Não vejo essa submissão pela bíblia estar ligada diretamente a uma questão eclesiástica, mas sim no campo da família, do lar.
    E isto acaba se confirmando na passagem de Gênesis 2:18 que é citada. Esta passagem mostra a função do casal no jardim do Éden. Até que ponto isto pode ser relacionado com as funções de ser pastora?
    Quanto a questão de “dominar” mais uma vez não vejo isso se encaixando com função de ser pastora. Aliás Jesus apesar de ser o líder veio para servir e não para ser servido. Veio para ajudar e não para ser ajudado. EM certo sentido isso é uma função de ser pastor na IASD.
    Resumindo a minha primeira pergunta: como relacionar as funções de Adão e Eva com as funções de pastor (a)? Não seria aqui um questão de família?
    O segundo questionamento segue a mesma linha, vejamos que a passagem de Efésios Paulo também está tratando de questões familiares: mulheres e maridos. O próprio comentário postado por você esclarece isso: “a ética dos relacionamentos dos cristãos dentro da FAMÍLIA é clara […] o homem que não assume a liderança de sua FAMÍLIA em amor é considerado, de certa forma, com desprezo por homens bem como por mulheres. Mas o final deste comentário é mais interessante: Este princípio de submissão é permanente MAS SUA APLICAÇÃO ESPECÍFICA PODE VARIAR AO LONGO DO TEMPO, CONFORME OS COSTUMES E A CONSCIÊNCIA SOCIAL. Apesar do seu comentário sobre isso ser pertinente, ele é apenas uma opinião pessoal. Eu por exemplo, compreendo que a aplicação específica pode ser entendida até mesmo por aquilo que se compreende por submissão. Mas ainda assim isto visto dentro da FAMÍLIA e não em assuntos eclesiásticos.
    Os comentários de 1 Corintios 11 também dizem respeito a submissão, mas também não se observamos a função do homem e da mulher são as mesmas! Ambos oram e profetizam, a diferença está na questão cultural de cobrir ou não a cabeça. Mas a função é a mesma.
    Quanto ao silêncio de 1 Coríntios 14, foi bem explicado, que era sobre o falar específico, mas não diz que era silêncio total. Agora me veio na mente uma passagem de um dos escritos de Ellen White. Certa vez ela teve uma visão e pediu para o pregador sair do púlpito, pois a vida do pregador não condizia com o que pregava. E ele humildemente saiu e foi substituído. O que dizer deste episódio? E de outros episódios em que Ellen White após receber suas visões mostrava que alguns argumentos não era válidos e outros sim, e nisso discordava dos pastores da época?

    1 Timoteo mais uma vez trata-se sobre família, tanto que o termos utilizados são autoridade sobre o marido. Portanto, trata-se de uma relação familiar.
    Sobre o comentário de Bacchiocchi, na verdade ele não está levando em consideração a questão de homem e mulher, mas sobre idoneidade, fidelidade, e não frisa na questão HOMEM. Mas o principal é ter as características acima listadas. E é claro entra-se agora na questão do contexto. Quantas mulheres sabiam ler e freqüentavam debates naqueles tempos para serem capazes e ensinar. Em que outra cultura uma mulher ensinava alguma coisa?
    Esse é outro ponto que passou totalmente despercebido neste texto. O contexto não foi analisado. E contexto é aquilo que está fora do texto. Não foi mencionado nenhum historiador, como Josefo, por exemplo, ou ainda um historiador contemporâneo que tenha uma visão do contexto histórico. Também não se tratou sobre o contexto em que as cartas foram escritas, ou seja, a visão que as comunidades tinham sobre mulher, pois apesar da submissão ser universal (como foi escrito), esta submissão como diz o próprio texto pode variar. Sobre isso Leandro Quadros responde que era pelo contexto da época, por causa dos gregos é que se diz certas coisas. https://www.youtube.com/watch?v=0vr8tKCWKHI
    Finalizando: grande parte das referências bíblicas mostram mais questões da família do que de funções pastorais. Isso poderia ser resolvido da seguinte forma: A pastora poderia exercer suas funções eclesiásticas normalmente na igreja, mas em casa seria submissa ao marido.
    Devemos lembrar ainda que na China já existem mulheres pastoras e adventistas. Lá é uma exceção, mas já existe.
    Portanto, nesse texto não encontrei a base bíblica para o assunto da ordenação das mulheres. O que vi foram textos explicando sobre a relação de submissão entre mulheres e homens, mas quanto a questões de família e contextos culturais.

    E só para fazer uma brincadeirinha: a bíblia menciona pastora sim! Raquel era pastora (de ovelhas) rsrsrs
    Apesar de brincadeira: o nome pastor vem do pastor que cuidava de ovelhas, e sobre essa função as mulheres poderiam ser pastoras, Raquel é um exemplo…. mas já estou com sono e preciso dormir…
    Att…

    • matheusfugita

      Werner, agradeço por você ter sabatinado meu texto (rs), mas como você levantou muitos pontos, vou deixar pra responder seus comentários na segunda parte dese estudo para não ter de repetir informações. Quanto à brincadeira de Raquel, ouvi esse comentário do teólogo Augustus Nicodemus e também achei engraçado rsrs. Deve ser a única base para a ordenação de pastoras mesmo rsrs. Brincadeiras a parte, aguarde nossas próximas postagens.

  • http://www.criacionismo.com.br/search?q=ordena%C3%A7%C3%A3o+de+mulheres gostei desse texto, apesar de não concordar com a posição dela de que a cada divisao deveria decidir…

  • Claudio Ruy Fonseca

    Caro Matheus,
    Deus o abençoe pelo excelente artigo. Continue pesquisando e sendo uma benção.

  • giovannabonilha

    Muito bom esse texto. Realmente Deus deu a posição certa para a mulher e, infelizmente, o inimigo tem esse prazer de inverter tudo que Deus designou. Hoje, se alguém fala de submissão da mulher, muitos já pegam suas pedras colocando esse “status” como inferioridade. Vejo tanto que a sociedade perdeu seus valores e a mulher (no geral) está procurando um lugar de superioridade a qualquer custo. A instituição Família está cada vez mais fragmentada e isso é muito triste.

  • Richard

    Lembre-se que muitos foram “submissos” a EGW. Ela exercia autoridade também sobre os homens. Mas vejamos alguns textos dela:

    Há mulheres que devem trabalhar no ministério evangélico. Em muitos aspectos elas fariam melhor do que os pastores que negligenciam visitar o rebanho de Deus. Evangelismo, 472

    “Mulheres dispostas a consagrar parte do seu tempo ao serviço do Senhor devem ser designadas para visitar os enfermos, cuidar de menores e ministrar às necessidades dos pobres. Devem ser separadas para esse serviço pela oração e IMPOSIÇÃO DAS MÃOS. Em alguns casos, precisarão aconselhar-se com os oficiais da igreja ou o pastor; mas, se forem mulheres dedicadas, mantendo uma ligação vital com Deus, serão um poder para o bem na igreja. Esse será outro meio de fortalecer e edificar a igreja”. — The Review and Herald, 9 de Julho de 1895.

    China tem 400 mil Adventistas e apenas pastoras, o que fazer com esta Igreja? Será que Deus trabalha com excessões permitindo aqui ou acolá como se não fosse erro Bíblico? É como dizer que em um ou outro lugar posso guardar o Domingo invés do Sábado. Será que este é nosso Deus? Não creio, suas leis são sempre Universais.

    • matheusfugita

      Richard, tudo bem? Agradeço seu comentário, seja bem vindo à conversa! Então, talvez você esteja confundindo funções eclesiásticas com dons espirituais, Ellen White nunca atuou como sacerdotisa adventista, o profeta (dotado de um dom espiritual, não necessariamente de um cargo ou função eclesiástica) apenas passa a mensagem de Deus e nos aproxima da Palavra. Veja nas referências que você colocou ela diz que as mulheres fariam melhor no trabalho de VISITAR o rebanho de Deus, se adotarmos a postura de que Ellen White está dizendo que as mulheres são mais capacitadas para o ministério em todas suas implicações, teríamos de dizer que ela estaria defendendo a superioridade de um gênero e não a submissão amorosa que a Bíblia indica. Sinceramente, não entendi seu último parágrafo, a começar que tem um dado que não é verdade (na China não há apenas pastoras, vou deixar um link que explica isso). Você começou argumentando que é algo de caráter local e cultural e depois termina dizendo que suas leis são sempre universais, dando até o exemplo do Sábado. Se você está realmente fazendo uma analogia com esse exemplo, então assim como o sábado é para ser guardado em qualquer lugar, independente da cultura, a ordenação também deveria seguir essa mesma firmeza de princípio segundo sua lógica, certo? Então, se você puder reformular seu comentário quanto à clareza, eu seria muito grato, ainda me soa incoerente o início com o final.
      O link que esclarece a situação da China: http://ordinationtruth.com/featured/china-experience-womens-ordination/

  • Lilian Feitosa

    Primeiro, reitero um ponto feito por um comentarista anterior: o voto não é sobre ordenar mulheres ou não, mas sobre permitir ou não que as divisões decidam sobre este assunto em cada região do mundo.

    Eu tenho apenas uma sugestão de leitura para o Matheus e as outras pessoas que escrevem neste site e partilham da opinião dele e uma pergunta associada a esta sugestão. Por acaso você(s) leu/leram o estudo bem aprofundado do assunto cujo link incluo abaixo? http://www.lightbearers.org/a-closer-look-at-womens-ordination/

    Eu teria curiosidade em saber que contra-argumentos você(s) teria(m) à extensa análise do pastor Ty Gibson. A maioria dos textos analisados neste artigo não tratam da função do pastor ou líderes da igreja, mas de instâncias em que se fala do homem e da mulher na Bíblia.

    • matheusfugita

      Li parte das publicações dele e quero comentar por que discordo de sua argumentação. Ao comentar I Timóteo 2, o pastor Ty Gibson se valeu das seguintes premissas e conclusão:

      Paulo prescreve que bispos/ pastores e diáconos fossem maridos de uma mulher só;
      Na Bíblia encontramos Febe, uma mulher, (Romanos 16) como diaconisa;
      Logo, não há problemas em permitir pastoras se elas igualmente forem monogâmicas.
      Apesar de ele não ter escrito exatamente assim, foram essas as impressões que tive de seu discurso. Ele se concentrou em dizer que a restrição diz respeito à monogamia e não ao gênero, e, para tanto, citou o caso de Febe.

      Para fundamentar suas premissas, Gibson também recorreu à citação de I Timóteo 2:8 em que Paulo pede para os homens levantarem as mãos ao orarem, para ele isso é um indicativo de limite circunstancial, isto é, uma prova de que esse livro tem detalhes meramente culturais e não universalmente aplicáveis.

      O pastor Gibson tem muitos mais comentários sobre o assunto, vou me deter nesses posto que mais colidem com a parte I de meu artigo.

      Bem, preciso dizer que, de um ponto de vista estritamente lógico, a conclusão dele não segue necessariamente as premissas que ele elencou. Por quê? A única conclusão a que ele poderia ter chegado era de que a Bíblia dá apoio à ordenação de diaconisas, mas não de pastoras. Nada do levantamento exegético dele evidencia apoio bíblico à conclusão que ele acha razoável. Existir uma diaconisa não prova a legalidade da ordenação de uma pastora, são ofícios diferentes e de abordagens bíblicas textuais diferentes.

      Quanto à citação de Febe, evocarei aqui um comentário do teólogo Augustus Nicodemus que creio sumarizar bastante o assunto quando à figura dessa personagem:

      “(1) Não é claro se Febe era realmente uma diaconisa. Muito embora no original grego Paulo empregue o termo ‘diácono’ para se referir a ela, lembremos que este termo no Novo Testamento nem sempre significa o ofício de diácono. Pode ser traduzido como servo, ministro, etc. Portanto, nossa tradução ‘Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia’ é perfeitamente possível e não é uma tradução preconceituosa.

      (2) Mesmo que houvesse diaconisas na Igreja apostólica, é certo que elas não exerceriam qualquer autoridade sobre as igrejas e sobre os homens – a presidência era dos presbíteros, cf. 1Tm 5.17; o trabalho delas seria provavelmente com outras mulheres (Tt 2.3-4) e relacionado com assistência aos pobres. É interessante que a primeira referência que existe na história da Igreja sobre o trabalho de mulheres, diz assim: ‘A mulher deve servir às mulheres’ (Didascalia Apostolorum). Isto queria dizer que elas instruíam as outras que iam se batizar, ajudavam no enterro de mulheres, cuidavam das pobres e doentes. Não há qualquer indício de que tais mulheres eram ordenadas para o exercício da autoridade eclesiástica.” Extraído de http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/01/respostas-argumentos-usados-em-favor-da.html

      No que diz respeito ao comentário de orar levantando “mãos santas”, encontrado em I Timóteo 2 também, temo em dizer que esse tipo de comentário soa como reductio ad absurdum [do latim: reduzido ao absurdo], ou seja, reduzir algo ao absurdo (para talvez menosprezá-lo).

      Eu não creio que esse tipo de argumentação seja saudável, se compararmos essa situação com a guarda do sábado, veremos que este assunto igualmente tinha aplicações culturais/circunstanciais (como não acender fogo no sétimo dia) e nem por isso podemos desprezá-lo. Não deixamos de guardar o sábado porque havia restrições culturais a respeito dele, isso seria menosprezá-lo ao olhar um pequeno ponto dele, considerá-lo um absurdo e portanto desprezá-lo.

      Devo lembrar também que o Comentário Bíblico Adventista considera “mãos santas” como “símbolo de caráter isento de corrupção moral” (Vol 7 pág. 302), não necessariamente uma prescrição universal posto que também poderia se tratar de um desejo (do gr. Boulomai) de Paulo como se indica no início do verso 8.

      Sugiro a você, leitora, também reparar que nesse link que você colocou o que o pastor Gibson disse que implicaria o voto “NO” da Conferência Geral sobre o assunto. É esclarecedor quanto a esse seu primeiro comentário de que só vão decidir se as divisões vão ordenar juntas ou não. Abraços e obrigado pela atenção!

      Ps: Não deixe de ver a parte 2 do artigo: https://coolturadventista.wordpress.com/2015/06/25/argumentos-a-favor-da-ordenacao-de-pastoras/

    • Muito boa resposta eu li o texto do Ty, é bom.

  • Hannibal Saints

    Na verdade, Ellen G. White foi ordenada… pelo próprio Deus:

    “Na cidade de Portland, o Senhor me ordenou como Sua mensageira, e aqui meus primeiros labores foram dedicados à causa da verdade presente”. (Review and Herald, 18 de Maio de 1911). [https://text.egwwritings.org/publication.php?pubtype=Periodical&bookCode=RH&lang=en&year=1911&month=May&day=18&paragraphReferences=1 ]

    O caso de Ellen White é extremamente esclarecedor. Deixem que o facto registe com toda a força que tem, que Deus escolheu uma mulher para ser o Seu profeta do fim dos tempos, para falar e escrever com autoridade como o Seu principal representante à Sua Igreja do fim dos tempos. E Ele fez isto num momento da história em que as mulheres geralmente não ocupavam cargos de liderança. No seu tempo, as mulheres não podiam votar, nem podiam ocupar cargos políticos. E, no entanto, Deus escolheu uma mulher para ser o canal através do qual Ele iria ensinar, liderar e até mesmo reprovar os homens.

    “Mas ela não foi ordenada pela igreja!”

    Não, ela não foi, mas a ordenação tem a sua origem em Deus, e não em seres humanos, então ela tinha o maior e não o menor nível de ordenação. Se é ordenado por Deus, mas não pelos seres humanos, ainda assim é ordenado. Se foi ordenado pelo homem e não por Deus, não está ordenado.

    E Deus, ainda hoje escolhe mulheres para servir. Eu nunca iria querer estar na posição de dizer aos outros quem Deus vai ou não vai ordenar. E como Seus seguidores, precisamos de estar abertos a reconhecer todos aqueles que Deus escolhe para liderar e nutrir o Seu povo.

    Ao lermos a lista bíblica dos dons espirituais, não devemos surpreender-nos se, por exemplo, uma mulher profeta surge na igreja. E se não somos surpreendidos por uma mulher profeta, porque é que iríamos ser surpreendidos por mulheres pregadoras, evangelistas e “pastoras” (Efésios 4:11)? Afinal, Paulo não estipulou qualquer qualificação de género e ele informa-nos sem rodeios que o Espírito Santo não está sujeito aos parâmetros e restrições que nós, seres humanos podemos impor (I Coríntios 12:11).

    O ponto crucial é este: a Bíblia não diz expressamente ou proíbe a ordenação de mulheres. As Escrituras não contêm nenhuma declaração explícita, explicação ou mandato a respeito do assunto, a favor ou contra. E é precisamente por isso que a Igreja deve abster-se de ditar uma regra universal sobre o assunto. Não é uma questão de ortodoxia doutrinal, nem é uma questão de imperativo moral, o ordenar ou não ordenar mulheres. Portanto, não constitui uma questão de prova que determina a comunhão.

    O sacerdócio Levítico pertence ao passado e não deve ser um modelo para a Igreja do tempo do fim. Cristo é o Sumo-Sacerdote e todos nós, homens e mulheres, somos chamados ao serviço sacerdotal de acordo com os dons que Ele nos oferece.

    “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes d’Aquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz;” I Pedro 2:9

    • Caro Hanibal, “Ordenar” é mais do que impor as mãos no contexto eclesiástico, tem literalmente que ver com o chamado direto de Deus. Quando a igreja ordena alguém é exatamente porque entende que Deus já chamou esta pessoa. Mas, muitos são “ordenados” (separados) por Deus para determinadas funções que não exigem a imposição de mãos do ministério eclesiástico. Foi o que aconteceu com a Sra. White.
      A função do profeta está em intima conexão com Deus e à semelhança do sacerdócio tem um papel a desempenhar na edificação da obra e Deus e são ao mesmo tempo independentes entre si.
      No Velho Testamento havia profetas e sacerdotes e entre os profetas haviam várias mulheres que foram mencionadas. No Novo Testamento foi a mesma coisa e diga-se de passagem que tudo isso aconteceu num contexto cultural muito mais restritivo para o gênero feminino.
      Ellen White foi “ordenada” por Deus, isto é incontestável, todavia como profetisa e não como sacerdotisa, ou seja: para uma função de alto valor, mas diferente do ministério pastoral. Ela nunca realizou batismos, casamentos ou santa ceia, pois sua função na obra era diferente.
      As funções eram distintas: O profeta representava Deus diante do povo enquanto que o sacerdote representava o povo diante de Deus. Enquanto que o profeta trazia as orientações e advertências do Senhor, o sacerdote intercedia pelo povo diante de Deus através dos sistemas ritualísticos elaborados para o período do Velho Testamento. No Novo Testamento as funções sacerdotais foram transferidas para os pastores do rebanho que cumpriam a mesma função de apresentar os homens diante de Deus através dos novos rituais criados: batismo, santa ceia e organização eclesiástica com a mesma função. Muitas vezes os sacerdotes também eram profetas, tanto no Novo quanto no Velho Testamento, mas um profeta jamais poderia se fazer sacerdote fora das condições do sacerdócio.
      Jamais houve sacerdotisas na experiência do povo de Deus, enquanto que nos cultos pagãos isso era muito comum.Não porquê Deus não pudesse estabelecer sacerdotisas no Velho nem no Novo Testamento sob o ponto de vista cultural, mas porque Ele simplesmente não o fez. A igreja Cristã por aproximadamente 20 séculos não sentiu esta necessidade até que a revolução feminina nos obrigasse a contemplar esta agenda hoje.
      A razão pela qual Deus não autorizou o ministério pastoral feminino no passado é a mesma razão pela qual a igreja remanescente não pode fazê-lo agora.
      Em vez de disputar porque não ordenar mulheres agora, deveríamos ser sérios com a grande questão por trás disso tudo e responder porquê Ele não o fez no passado. Para isso precisamos ir além dos malfadados argumentos supostamente culturais e quem sabe aceitaremos os argumentos do Apóstolo Paulo sobre o assunto e veremos que não é possível ordenar mulheres simplesmente porque esta não é a vontade de Deus.
      Aconselho a leitura do artigo que segue:
      https://onedrive.live.com/view.aspx?resid=D944C504503CAC4C!211&ithint=file%2cdocx&app=Word&authkey=!AHmuYp_J8uGQbQ0 .

    • É isso mesmo, muito bom seu comentario!

  • fabio reis

    Qual é a razão desse post? Dizer q mulheres podem ser ordenadas mas não podem pastorear? Me faz lembrar de tempos e q a mulher tinha q cobrir o rosto ou usar veo ou se calar na congregação. Qual o problema de uma mulher ser pastora nos dias de hj? Na verdade esse pensamento se resume a América central e sul, EUA Europa isso não se discute mais nossa igreja deixa de pregar a msg pra discutir bateria corte de cabelo nossa já deu essas bobagens sem resposta

    • giovannabonilha

      Irmão Fabio, achei ofensivo vc dizer que essas discussoes sao bobagens sem resposta, visto que Deus nao muda e que a Bíblia é resposta para todas as nossas dúvidas. Se vc afirma que nao existe resposta, estará dizendo que a Bíblia é falha. Particularmente, achei Essa postagem sobre ordenação muito oportuna para o momento que estamos vivendo. Parabéns Matheus Fugita, seu texto está nota 10 e estou ansiosa para a parte 2.

    • O próprio Deus discute estas questões em Sua palavra. Seria a preocupação bobagem?
      Profeticamente, a próxima “bobagem” será a Guarda do Sábado, como já começou. ..
      Abraço.

  • Evy

    Eu não acho muito legal a gente ficar debatendo sobre esse assunto, até porque isso não vai ser decidido por nós e sim pela assembléia geral da nossa igreja. Em todo caso achei esse artigo mal elaborado, pois é bem diferente a submissão da mulher ao marido, a uma submissão da mulher ao homem, em nenhum momento a bíblia diz que a mulher deve ser submissa ao gênero masculino. Infelizmente acho que a mulher não era levada a sério, por isso não se tinha tantos exemplos de mulheres líderes, mas acho que se fosse para gente não ter mulheres nesse tipo de trabalho Deus não escolheria elas para realizar sua obra como: Hulda, uma profetiza muito conceituada e Débora, mãe de Israel, fundamental nas decisões do país. Também temos exemplo de Priscila e Aquila, cuja mulher tinha tanta importância no ministério, se não até mais, do que o marido. Pra mim a mulher não ter cargo de poder, era por causa da desvalorização dela, e isso não é plano de Deus, mas uma das grandes consequência do pecado. Lembrando que temos o grande exemplo de Ellen White, profetiza, uma das fundadoras da nossa igreja, todas as doutrinas da igreja adventista foram todas escritas por ela. Alguns textos para refletimos:

    “É a assistência do Espírito Santo de Deus que prepara os obreiros, homens e mulheres, para se tornarem pastores do Seu rebanho”. — Testimonies for the Church 6:322. – {FD 202.7}

    Está aberto o caminho para mulheres consagradas. Mas o inimigo se agrada de fazer com que mulheres, a quem Deus poderia usar para auxiliar centenas de pessoas, dediquem seu tempo e forças a um pequenino e indefeso mortal que requer cuidado e atenção constantes”. — Manuscript Releases 5:325, 326. – {FD 202.5}

    “Há mulheres que devem trabalhar no ministério evangélico. Em muitos aspectos elas fariam melhor do que os pastores que negligenciam visitar o rebanho de Deus. Evangelismo, 472.

    Não deixe que o trabalho que precisa ser feito espere pela ordenação de pastores. Se não há pastores para fazerem o trabalho, que homens e mulheres inteligentes, sem pensar como poderão acumular o maior número de bens, estabeleçam a si mesmos nessas cidades e vilas e levantem a bandeira da cruz, usando o conhecimento que adquiriram em ganhar pessoas para a verdade. – {JM 88.2}

    Repare que nesse texto não foi determinado raça e nem gênero, todos poderiam falar de Jesus e qualquer um que cresse seria salvo. “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mateus 28.18-20).

    • Paulo dos Santos Oliveira

      A pergunta deveria ser: precisa mesmo ordenar mulheres ao ministério?

    • giovannabonilha

      Oi Evy, vou dar um control c contrl v na resposta que o Luiz Nogueira deu ao Hannibal e acrescento que o autor do texto em questão em nenhum momento negligenciou a importância da mulher, pelo contrário, disse que seu trabalho para a obra de Deus é muito importante, mas que no Reino de Deus todos temos o nosso papel e no Reino dos Céus o trabalho continuará a ser desempenhado.
      Segue…
      “Caro Hanibal, “Ordenar” é mais do que impor as mãos no contexto eclesiástico, tem literalmente que ver com o chamado direto de Deus. Quando a igreja ordena alguém é exatamente porque entende que Deus já chamou esta pessoa. Mas, muitos são “ordenados” (separados) por Deus para determinadas funções que não exigem a imposição de mãos do ministério eclesiástico. Foi o que aconteceu com a Sra. White.
      A função do profeta está em intima conexão com Deus e à semelhança do sacerdócio tem um papel a desempenhar na edificação da obra e Deus e são ao mesmo tempo independentes entre si.
      No Velho Testamento havia profetas e sacerdotes e entre os profetas haviam várias mulheres que foram mencionadas. No Novo Testamento foi a mesma coisa e diga-se de passagem que tudo isso aconteceu num contexto cultural muito mais restritivo para o gênero feminino.
      Ellen White foi “ordenada” por Deus, isto é incontestável, todavia como profetisa e não como sacerdotisa, ou seja: para uma função de alto valor, mas diferente do ministério pastoral. Ela nunca realizou batismos, casamentos ou santa ceia, pois sua função na obra era diferente.
      As funções eram distintas: O profeta representava Deus diante do povo enquanto que o sacerdote representava o povo diante de Deus. Enquanto que o profeta trazia as orientações e advertências do Senhor, o sacerdote intercedia pelo povo diante de Deus através dos sistemas ritualísticos elaborados para o período do Velho Testamento. No Novo Testamento as funções sacerdotais foram transferidas para os pastores do rebanho que cumpriam a mesma função de apresentar os homens diante de Deus através dos novos rituais criados: batismo, santa ceia e organização eclesiástica com a mesma função. Muitas vezes os sacerdotes também eram profetas, tanto no Novo quanto no Velho Testamento, mas um profeta jamais poderia se fazer sacerdote fora das condições do sacerdócio.
      Jamais houve sacerdotisas na experiência do povo de Deus, enquanto que nos cultos pagãos isso era muito comum.Não porquê Deus não pudesse estabelecer sacerdotisas no Velho nem no Novo Testamento sob o ponto de vista cultural, mas porque Ele simplesmente não o fez. A igreja Cristã por aproximadamente 20 séculos não sentiu esta necessidade até que a revolução feminina nos obrigasse a contemplar esta agenda hoje.
      A razão pela qual Deus não autorizou o ministério pastoral feminino no passado é a mesma razão pela qual a igreja remanescente não pode fazê-lo agora.
      Em vez de disputar porque não ordenar mulheres agora, deveríamos ser sérios com a grande questão por trás disso tudo e responder porquê Ele não o fez no passado. Para isso precisamos ir além dos malfadados argumentos supostamente culturais e quem sabe aceitaremos os argumentos do Apóstolo Paulo sobre o assunto e veremos que não é possível ordenar mulheres simplesmente porque esta não é a vontade de Deus.”

    • matheusfugita

      Evy, agradeço pelos textos e comentário, mas dê uma olhada na parte 2 do artigo, lá há comentários esclarecedores quanto a esses textos de Ellen White. E lembre-se, a pregação da Palavra, o serviço ao rebanho de Deus, a ajuda nas vilas e cidades, a entrada no ministério evangélico, para tudo isso fomos chamados em nossas respectivas esferas; no entanto, isso não implica que a obra pastoral seja extensiva tanto a homens como a mulheres, confira essas respostas: https://coolturadventista.wordpress.com/2015/06/25/argumentos-a-favor-da-ordenacao-de-pastoras/ Deus lhe abençoe!

  • Raísa

    Gente, e Débora?

    E Débora, mulher profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo.
    Ela assentava-se debaixo das palmeiras de Débora, entre Ramá e Betel, nas montanhas de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo.
    Juízes 4:4,5

  • Marcio DaSilva

    Sou adventista a 28 anos, li varios comentarios, e a minha conclusao foi : nao vejo problema algum em ter mulheres pastoras, DEUS e criador, DEUS e quem chama para o ministerio, e para pregar o evangelho nao precise ser pastor ou pastora, pois ate criancas irao e pregao o evangelho hoje, portanto deviamos gastar o nosso tempo e energia no que mais importante: ide e fazei discipulos, pregai o evangelho a todos. Se todos fizessem isso JESUSa teria vindo.

    Vamos gastar nosso tempo precioso em testemunhar e pregar o evangelho, mostrando JESUS a o mundo e que o nosso tempo aqui esta acabando!

    • Irmão Márcio, eu não sei se o senhor sabe, mas Ellen White escreveu na Review and Harold de 1890 que Cristo já teria voltado, caso a Conferência Geral de 1888 fosse unânime em pensamento. Em 1990, a Conferência Geral vetou a ordenação feminina. Em 1995, também. Por que eles insistem nessa bodega? Por que eles não vão fazer o “ide!”?
      Será que, o que ocorreu em 1888, não está acontecendo em 2015?
      Ter pastoras pode causar grandes danos, o senhor nem imagina! Pesquise mais sobre o assunto. Deus te abençoe!

  • Felipe Ferreira Mello

    Olá! Creio que alguns ainda não compreenderam a questão. Vou colocar em forma de tópicos para facilitar a compreenção. 1- Qualquer pessoa pode falar de Jesus e tomar parte em sua obra, seja homem ou mulher. Só que isto não tem nada que ver com o tema abordado. O assunto é a ocupação de um cargo/função específico (pastor). 2- Profetisa não é a mesma coisa que sacerdotiza/pastora. São funções diferentes. 3- Não há precedentes bíblicos válidos para ocupação deste cargo específico por mulheres. Nenhuma mulher ocupou, na história bíblica ou da iasd, cargo/função oficial de sacerdote ou pastor. 4- Por mais capacitadas que as mulheres possam ser para ocupar a função, e eu creio que são, isto não me autoriza ou a qualquer um, ir de encontro a uma ordem estabelecida por Deus. Com Deus não se discute, se obedece. 5- Creio que satanás está utilizando o femismo, um movimento que surgiu para corrigir uma distorção da sociedade e que, infelizmente, tem sido radicalizado por ativistas, para minar a união da IASD.

  • Amado entendi sua belíssima explanação sobre português e vi que ao falar sobre a ordenação o irmão mistura dons com hierarquia funcional (homem é superior em função e a mulher é submissa dentro desta área. o Homem sendo provedor e a mulher absorvendo tal beneficio), mas sua linha de interpretação não obedece a hierarquia de dons, onde existem dons maiores que o pastorado, pois fora mencionada pelo apóstolo referindo-se aos dons, onde temos vários cargos dentre eles veja Efésios 4:11 Assim, Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, 12 com o propósito de aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, para que o Corpo de Cristo seja edificado.

    Isso mostra que a diversidade dos dons não aplica-se apenas a homens, porém estende-se ao sexo feminino também, pois havia em todos os cargos mulheres (profetas, apóstolas) e estes cargos eram superiores ao de pastores e mestre.

    Falando sobre mestre percebe-se que na Grécia e Roma antiga era privilégio dos homens os dons de ensino, prática também absorvida pelos hebreus (Judeus da época), mas que hoje em sua maioria as mulheres predominam (isso foi algo resolvido e absorvido pela cultura tanto daquela época como nas de hoje).

    O que vemos durante muito tempo é que a CULTURA predomina e acaba dando força e forma as costumes ora eclesiástico, ora eclesiástico social.

    O que temos hoje é uma gama de pessoas (mulheres) que exercem duplas funções e que fazem a maioria dos trabalhos eclesiástico. E alguns lugares do mundo elas possuem uma paixão maior pela pregação e há uma necessidade de se ter alguém para fazer o trabalho, então só quem tem paixão pode fazer o trabalho de forma satisfatória para quem ordenou e para quem obedece.

    Em 1 Coríntios 12:1,2 Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.
    Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.

    Falando em gentios, considerando o costume da religião judaica, era expressamente proibido para um gentio fazer qualquer coisa para Deus, pois para a religião considerava imundo tais pessoas (impróprias a realizarem o ofício sagrado).

    A igreja Adventista reconhecendo a ajuda que as mulheres em sua maioria concedeu ao ministério das diaconisas e votou a ORDENAÇÃO (mundial) destas para o sagrado ministério, embora não seja um cargo SALARIAL como o irmão refere-se aos colportores, pois há uma distorção por parte da membresia em relação a função e autoridade de um colportor (ver história dos valdenses) no meio adventista.
    Retornado ao VOTO das diaconisas, então ordenar uma pessoa segundo os princípios bíblicos era separar a pessoa para uma função do ministério, e isso não ocorria com os Hebreu, pois era algo Hereditário e Masculino, mas com Cristo a hereditariedade perde o valor sacerdotal, liberando todos gentios e não gentios a estarem aptos para chegar-se a Deus.

    Gálatas 3: 27 pois todos quantos em Cristo fostes batizados, de Cristo vos revestistes. 28 Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. 29 E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e plenos herdeiros de acordo com a Promessa.

    A questão sexual (homem e mulher) em Cristo diluí e tornam-se um nova dispensação, a dispensação da graça.
    Os dons são parte da dispensação da graça e não da função HOMEM E MULHER que o senhor irmão colocou muito bem sobre os papéis sociais.

    Enfim o que desejo explicar é que a função e dons são diferentes para Deus.

    Enquanto a função são papéis sociais e estes Deus delineou sobre o que a mulher deve fazer e o homem idem, neste aspecto a bíblia é clara.

    Contudo os dons são dispensação da graça de Deus e a bíblia é clara que o Espírito Santo distribui os dons segundo o que lhe apraz vemos tais coisas: No pentecostes; em Débora, Hulda, profetizas do A.T e percebemos nos apóstolos e apóstolas do N.T. enfim o Espírito Santo não pode ser limitado ao gênero feminino (mulher) e masculino (homem), mas deixo claro que isso está relacionado diretamente a pessoas de Gêneros naturais e não distorções da natureza que vemos hoje.

    Deus abençoe a cada irmão e irmã no contexto das demandas que o evangelho encontra hoje e as necessidades da igreja sejam assistidas apesar das discussões em torno de um dom que é o pastoral.

    Quaisquer decisões que a igreja tomar, estarei a disposição para seguir em frente junto com essa igreja para o céu onde não haverá opiniões contrárias as divinas.

    • Pr. Luiz, eu peço desculpas se te ofendi.
      Mas o senhor fugiu da linha de raciocínio do texto que supracitaste.
      Aquele texto fala sobre o colportor. E o cuidado que cada membro deve ter pela Igreja, quer seja homem, quer seja mulher… A irmã White fala naquele texto que o obreiro colportor tem a mesma posição de um pastor. É só ler; está no primeiro parágrafo.

      Se formos pegar o capítulo 40 do TI, vol 6 em seu sentido 100% literal, aí daria muita confusão. O senhor usou esse texto para refutar o texto do articulista. Lá, não fala para ordenar mulheres ao pastorado. E essa foi a tua intenção, ao citá-lo: “mulheres podem ser pastoras.” E eu apontei somente esse equívoco, pois está fora do seu contexto.

      Deixando o texto, que o senhor citou, de lado, vamos discutir (de modo sadio, sem ofender ninguém) alguns pontos que me intrigaram em sua segunda resposta. Sendo o senhor um pastor e mais estudado do que eu, talvez, ajude-me a entender melhor. O senhor citou profetizas. É verdade. A Bíblia mostra isso. Não podemos ir contra. Sabemos, todavia, que em Israel não havia sacerdotisa. E isso é um costume (cultura) de outros povos pagãos. Jezabel é um bom exemplo! Mas sobre apóstolas, onde está escrito? O senhor se refere ao Junias?

      O senhor falou sobre os dons espirituais. Estás certo! Mas é preciso ter diploma de teologia e ser pastor para pregar o Evangelho ou para a fazer a missão que Cristo nos ordenou? É realmente necessário ordenar uma pastora para concluir a obra do Mestre? É bem verdade que os profetas são chamados por Deus. Não tem como negar isso! Já pastores, é a mistura dos dois: o chamado divino com o humano.

      Com base nessas assertivas, pergunto sinceramente: por que Ellen White não recebeu cargo algum na igreja? E mais, por que ela não gostava de ser chamada de “profetisa” e, sim, de “mensageira do Senhor”? Por que ela não se auto-declarava “pastora”? Por que ela não foi uma, já que conduzia (pastoreava) o povo de Deus naquela época e posteriormente? Por que que Ellen só pregava na igreja, quando seu marido, o pr. Tiago White, não estava na mesma igreja? Isso tem a ver com cultura? Que cultura estamos discutindo: a cultura terrestre ou a celeste? Não somos novas criaturas em Cristo? Então, por que devemos nos basear em culturas para definir algo em uma Conferência Geral? Se Cristo vive em nós, não devemos “sugar” (Isaías 66:11) a cultura celestial? Não devemos estabelecer o Reino de Deus aqui na Terra, conforme estudamos na lição da semana passada?

      Falar sobre cultura, nesse contexto, é a desculpa mais esfarrapada que existe. É a falácia mais aviltada da História da humanidade!
      Eu, por exemplo pueril, moro em Manaus e aqui tem o CarnaBoi (semelhante ao Boi Bumbá de Parintins). Significa que eu vou ter que ir para lá, para dançar o Boi só porque é questão cultural?
      Pelo amor de Deus! É o cúmulo!

      Sobre esse verso de Paulo, afirmando que para Deus “não há homem ou mulher”, merece a nossa atenção redobrada. Porque homossexuais “adventistas” estão “usufruindo” desse versículo para serem “aceitos” pela Igreja. Será que devemos, por questão cultural, aceitar a prática homossexual também? Vale ressaltar que devemos amar o homossexual, mas não o seu pecado.

      Sobre a ordenação de diaconizas, a própria irmã White escreveu isso na Review and Herald de 9 de julho de 1895. Mas não fala sobre a ordenação feminina ao pastorado. Se Ellen escreveu sobre a ordenação de diaconizas, por que não escreveu também sobre a ordenação de mulheres ao pastorado?

      E outra, a questão da ordenação feminina não passa de um movimento feminista que adentrou à Igreja. Em 1990, o voto tinha sido vetado. Em 1995, novamente. Na divisão Norte-Americana, em 2011 (salvo o engano), ordenaram uma mulher ao pastorado sem o consentimento da Conferência Geral! Quem faz parte do grupo de milícia: os que impuseram a ordenação feminina sem o consentimento da Conferência Geral ou os que estão tendo uma opinião bíblica adversa à isso? Como Deus pode abençoar uma coisa que começou toda errada? A igreja já foi dividida! Nós que não percebemos!

      Alguns delegados da Conferência querem propor que cada Divisão decida por si mesma sobre a ordenanção feminina. Isso descentraliza a autoridade que Deus confiou à Conferência Geral e enfraquece a Unidade da Igreja. A História do Feudalismo não ficou clara em nossas mentes?
      Sem falar que, se a ordenação feminina não for aceita, a Divisão Norte-Americana, detentora dos maiores dízimos da Igreja no mundo, irá romper ligações com a Conferência e a Igreja, no contexto mundial, enfraquecerá financeiramente. Isso me soa como uma espécie de ameaça…
      Vale ressaltar que não são todas as igrejas desta Divisão que aceitam esse tipo de ordenação!
      A Divisão está literalmente dividida! Que grande controvérsia!

      Oremos para que Deus tenha misericórdia de nós e que não coloquemos a cultura como desculpa para as nossas ações diante de dEle.

  • Hannibal Saints

    Não temos uma única passagem da Bíblia ou declaração do Espírito de Profecia que articula apenas a ordenação masculina como uma questão de ortodoxia doutrinal ou como um imperativo moral, como, então, em boa consciência, podemos impor uma regra universal contra algo que a Palavra de Deus não impôs nenhuma regra?

    Em 1901, Ellen White fez uma declaração a respeito de mulheres que ocupam a posição pastoral:

    “Todos os que desejem uma oportunidade para o verdadeiro ministério, e que se dêem sem reservas a Deus, encontrarão na colportagem ocasiões de falar sobre muitas coisas pertencentes à futura vida imortal. A experiência assim adquirida será de grandíssimo valor para os que estão se preparando para o ministério. É a assistência do Espírito Santo de Deus que prepara os obreiros, homens e mulheres, para se tornarem pastores do Seu rebanho.” (Testemunhos Para a Igreja, Capítulo 6, Página 322)
    http://text.egwwritings.org/publication.php?pubtype=Book&bookCode=T6&pagenumber=322

    Ela diz que “homens e mulheres” podem “tornar-se pastores do rebanho de Deus”. A palavra “rebanho” é um termo simbólico para a Igreja de Deus, indicando especificamente uma congregação local de crentes. Claramente, então, Ellen White imaginou homens e mulheres a ocuparem o papel pastoral de congregações locais.

    Aparentemente, Ellen White era da opinião de que liderar uma igreja local era mais uma questão de qualificação de carácter do que de género:

    “Nem sempre são os homens que estão melhor adaptados à gestão bem sucedida de uma igreja. Se mulheres fiéis têm mais profunda piedade e verdadeira devoção do que os homens, elas podem de fato através das suas orações e os seus labores fazer mais do que os homens que não estão consagrados no coração e na vida.” (Manuscript Releases, vol. 19, p. 56).
    http://text.egwwritings.org/publication.php?pubtype=Book&bookCode=PaM&pagenumber=36

    Mais uma vez, encontramos equilíbrio. Esta declaração exclui a possibilidade de operar no pressuposto de que uma mulher não pode liderar uma igreja. A afirmação não nega a necessidade de liderança piedosa masculina de igrejas locais, mas vai mais longe e insiste em que, por vezes, as mulheres são a melhor escolha para o trabalho. É o carácter e o dom que qualificam.

    E enquanto a ordenação de mulheres não pode ser mostrado a partir da Escritura como uma violação doutrinal ou moral, dividir a Igreja de Deus sobre esta questão é. Exercer uma influência de uma forma que contribui para dividir a Igreja sobre questões que carecem de mandato Bíblico claro, certamente é um pecado contra o corpo de Cristo.

    Ah, mas a ordenação de mulheres vai levar à ordenação de gays!

    Primeiro de tudo, não há nenhuma comparação possível entre ser mulher e ser gay.

    Em segundo lugar, a razão deste argumento é feito a partir de uma falsa premissa. Começar com a suposição de que o mandato Bíblico de que apenas os homens podem ocupar o papel pastoral ordenado, é fundamentado na questão de que a ordenação de mulheres requer um método liberal de interpretação Bíblica, abrindo assim a porta para que a Igreja liberalmente reinterprete outros ensinamentos Bíblicos, como o que a Escritura refere sobre a homossexualidade.

    A Bíblia não proíbe a ordenação de mulheres. A Bíblia, no entanto, claramente proíbe a prática da homossexualidade. Portanto, uma hermenêutica Bíblica liberal não é necessária para permitir a ordenação de mulheres. Tudo que é necessário é uma leitura equilibrada e conservadora da Escritura!

    Proibir a ordenação de mulheres, a fim de proteger-nos contra a ordenação de gays equivale essencialmente a evitar o que é inocente, a fim de evitar o que não é. Precisamos de traçar a linha onde ela está, não onde não está. Não proibimos comer trigo, como precaução contra o beber uísque. Não proibimos o ganhar dinheiro como uma precaução contra a ganância e o materialismo. Não proibimos o sexo matrimonial como uma precaução contra o adultério. Vamos proibir o que é proibido e não fabricamos regras feitas pelo homem para além disso.

    Avaliando os dados Bíblicos, somos levados à conclusão de que a Bíblia não diz que as mulheres devem ser ordenadas, e a Bíblia não diz que as mulheres não devem ser ordenadas. E este é o ponto que todos nós precisamos de deixar ficar registado nas nossas mentes e corações, se queremos ser honestos com as informações inspiradas à nossa disposição. Para fazer qualquer afirmação de que a Bíblia emite um mandato moral a favor ou contra a ordenação de mulheres é simplesmente ir para além do que a Escritura realmente diz.

    • Irmão Hannibal, você utilizou duas citações de Ellen White. As mesmas que o pr. Luiz citou.
      Se você ler TODO o capítulo 40 do Testemunhos Para Igreja, vol 6, cujo título é “O colportor como obreiro evangelista” (donde você tirou a citação sobre “mulheres e homens como pastores”), você entenderá que essa citação é no sentido figurado. Porque se levarmos todo o texto no sentido literal, aí eu vou querer que você me explique, quando Ellen White, no mesmo capítulo (no primeiro parágrafo), afirma que o colportor tem a “mesma posição de um pastor”. Se formos levar ao pé da letra, então o colportor vai ter os mesmos privilégios do pastorado: realizar casamento, batismo, Santa Ceia, etc.. Em nenhum momento é afirmado sobre a ordenação feminina neste texto que você citou, nem em todo esse capítulo. Tirar um texto e colocar fora de seu contexto, é perigoso. Satanás fez isso com Jesus. Portanto é notório que todo esse capítulo é no sentido figurado e que homens e mulheres podem cuidar da Igreja, como se fossem pastores no rebanho de Deus.

      Além desse, você citou o texto dos manuscritos. Um belo texto que vai contra seu pensamento: “através DAS ORAÇÕES, as mulheres podem fazer mais do que os homens…” Em nenhum momento nos é mostrado que “através da ordenação feminina, as mulheres podem fazer mais do que os homens”. Oração e ordenação são coisas totalmente diferentes.

      Eu, porém, incentivo-o a estudar mais sobre isso, à luz da Bíblia e do Espírito de Profecia, sem pegar textos fora dos seus respectivos contextos. Deus te abençoe, amigo. Abraços.

  • Hannibal Saints

    “Opomo-nos à teologia de um espírito limitado que não permite que as velhas tenham sonhos porque a profecia diz: ‘os vossos velhos terão sonhos,’ e que não permite que as jovens mulheres tenham visões, porque a profecia diz que ‘os vossos jovens terão visões.’ Estes críticos mesquinhos parecem esquecer que ‘homem’ e ‘homens’ nas Escrituras, geralmente significa homens e mulheres. O Livro diz que é ‘aos homens está ordenado morrerem uma vez.’ As mulheres também não morrem?” (James White, Advent Review and Herald, 25 de fevereiro de 1862; Spiritual Gifts, vol 3, 24 p.).
    http://text.egwwritings.org/publication.php?pubtype=Book&bookCode=3SG&pagenumber=24

    O colportor ocupa uma elevada posição no cumprimento da missão evangelística da Igreja Adventista. Para realçar este conceito, Ellen G. White assevera que “O colportor inteligente, temente a Deus e amante da verdade, deve ser respeitado; porque ele ocupa uma posição igual a do ministro evangélico”. (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, Vol. 2, Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1985, 540.) Mas em que aspectos se pode ver esta igualdade? Podemos encontrar semelhanças no trabalho de ambos obreiros?
    http://www.ellenwhitebooks.com/livro/index/24/540/544/o-colportor,-um-obreiro

    Comparando a função do ministro às atividades do colportor, podemos ver que há entre os dois um trabalho recíproco para a manutenção espiritual da Igreja em seu contexto atual e para a
    pregação do evangelho.

    Assim como nos tempos bíblicos, Deus ainda escolhe pessoas para trabalhos especiais em Sua obra, essas pessoas são comissionadas e capacitadas por Deus para cumprirem o que lhes foi designado. (Donald T. Turner. A Prática do Pastorado, 12 ed., São Paulo, SP: Imprensa Batista Regular, 1989, 18-19).

    Aqueles que entram no pastorado devem ter a convicção que foram chamados por Deus. Esta certeza é importante para que sustente o ministro diante dos desafios e problemas que podem ocorrer na vida da igreja. (David Fisher, O Pastor do Século 21: uma reflexão bíblica sobre os desafios do ministério pastoral no terceiro milênio, trad. Yolanda Mirsda Krieven, São Paulo, SP: Vida, 2001, 117-118). Conforme Erwin Lutzer, esta certeza deve ser confirmada pela Palavra de Deus e pela igreja. (Erwin Lutzer, De pastor para pastor: respostas concretas para os
    problemas e desafios do ministério, trad. Josué Ribeiro, São Paulo, SP: Vida, 2000, 14). Fisher também concorda que a vocação interior deve estar acompanhada da vocação exterior que é adquirida pela aprovação favorável da igreja para com o ministro, (David Fisher, O Pastor do século 21, 120) portanto, aquele que escolhe o pastorado deve entender que “O ministério não é simplesmente uma profissão; é um chamado. Não é por um tempo até que apareça outra ocupação mais atraente ou conveniente, mas ao contrário disso, é uma ocupação para toda a vida”. (Regulamentos eclesiásticos-administrativos (Brasília-GO: Divisão Sul- Americana da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, 2002, 376).

    Da mesma maneira como no pastorado, aqueles que ingressam na colportagem devem responder ao mesmo chamado. “Deus convida a obreiros de cada igreja entre nós, para que entrem em Seu serviço como colportores-evangelistas”. (Ellen G. White, O Colportor evangelista, 26. O mesmo convite é repetido nas páginas 25, 27, 119 e 130).

    Três características foram classificadas que identificam o chamado para o pastorado: 1) convicção interior que é 2) confirmada pela Bíblia e pela 3) aprovação da igreja. Estas mesmas características devem ser vistas naqueles que ingressam na colportagem. O colportor precisa ter convicção de que está cumprindo exatamente a missão que Deus quer que ele faça, (Ibid., 61) esta certeza impedirá que ele se desvie do seu ministério para outros ramos de trabalho, (Ibid., 20, 28) assim como o pastor também não pode se desviar do seu posto. (Regulamentos eclesiásticos-administrativos, 376).

    Esta certeza acompanha o colportor, fazendo com que ele desenvolva o seu ministério com entusiasmo e dedicação mesmo diante dos obstáculos. “O ministério de publicações é mais do que uma profissão. É um ministério vocacional de Deus. O colportor evangelista é uma pessoa chamada pelo próprio Deus para sair e abrir as portas do céu para todas as almas”. (José L. Campos, “Alcançando o sucesso: colportando”, O Colportor Evangelista, ab-jun., 2003, 13) Campos acrescenta que “Cada colportor deve estar consciente de que é um ministro de Deus”. (Idem. “Líder de publicações avalia a colportagem no Brasil”, Revista Adventista, maio, 1993, 16).

    Giácomo Molina explica que esta certeza pode ser definida como um impulso intenso que não deixa a pessoa em paz enquanto ela não atende ao chamado. A pessoa é fortemente impressionada pelo desejo de evangelizar, então ela “vê na colportagem a concretização desse desejo e se apresenta para o trabalho”. (Giácomo Molina, Como folhas de outono; memórias e reflexões de um colportor bem-sucedido, São Paulo – SP: Editora Universitária Adventista – Eduna, 1997, 17). Molina acrescenta que esta convicção é despertada e confirmada pelo estudo da Bíblia e pela indicação dos membros da igreja, que vêem na pessoa características promissoras para o ramo da colportagem. (Ibid., 18-19).

    O serviço pastoral compreende várias atividades entre pregar, visitar, administrar, aconselhar e corrigir a igreja. (Orley M. Berg, “O Programa Diário do Pastor”, O Ministério, jul-ago., 1990,
    30). O pastor “Deve ser o diretor e conselheiro espiritual da igreja. Compete-lhe instruir os oficiais da igreja em seus deveres, e com eles planejar todos os ramos do trabalho e atividades da igreja”. (Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia, 14 ed., trad. Naor G. Conrado, Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira, 2001, 139). E sendo um ministro ordenado, ele está capacitado para dirigir todos os ritos e cerimónias da igreja. (Ibid., 138). Mas entre as diversas atividades pastorais, destaca-se a pregação e a visitação. A primeira é essencial dentro do programa do pastor (José Carlos Ramos, “A dimensão pastoral da pregação”, Ministério, julho-agosto, 2000, 11) e é uma das maiores exigências em seu ministério. (Kittim Silva, De pastor a pastor: como melhorar seu ministério pastoral, São Paulo – SP: Vida, 1995, 7). E a visitação é o que torna a pregação eficaz, assim observa Berg “O tempo despendido nos lares do povo é de vital importância, se deseja que a pregação seja eficaz. Pregação eficaz e fiel pastoreio do rebanho são dois elementos indispensáveis na atividade do ministério. Da mesma forma como deve o programa prover tempo suficiente para o sermão, deve-o para a visitação”. (Orley M. Berg, “O Programa Diário do Pastor”, O Ministério, 30).

    Um dos temas que o ministro adventista deve se deter em sua pregação é a apresentação da mensagem do terceiro anjo acompanhada das outras mensagens que a antecedem. (Ellen G. White, Conselhos sobre escola sabatina, 3 ed. (Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira, 2002, 131). Tal tema compõe o quadro de assuntos doutrinários e proféticos da IASD e devem ser apresentados pelo ministro com o objetivo de preparar as pessoas para o clímax escatológico da segunda vinda de Cristo. (Idem, Obreiros evangélicos, 5 ed., Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira, 1993, 148).

    Mas a pregação do pastor só terá significado e prosseguimento se ele visitar os membros, atendendo-os de uma forma mais pessoal e trabalhando com os que foram despertados para o evangelho. (Idem, Evangelismo, 3 ed., Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1997, 437-438). Ellen White observa que não só a pregação, mas também a visitação “de casa em casa constitui uma importante parte do trabalho do pastor”. (Idem, Testemunhos para a igreja, Vol. 2, Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2005, 338).

    Estas duas importantes atividades do ministro são vistas também no trabalho do colportor – este tanto prega o evangelho como visita. Sua pregação é feita através da distribuição de literatura, pois “distribuindo as publicações, o colportor está evangelizando da mesma forma e com os mesmos méritos daquele que faz evangelismo público ou que prega através do púlpito”. (Wilson Sarli, Colportagem o que é?: objetivos e algumas dicas, 56).

    Como pregador da mensagem, o colportor é chamado de “mensageiro silencioso” (Ellen G. White, O Colportor evangelista, 17), pois a forma dele cumprir a sua missão como pregador é deixando que os livros falem por ele nos lares das pessoas. O conteúdo da mensagem destes livros é o mesmo que o da pregação do pastor (O conteúdo da literatura que é distribuída pelos colportores tem como objetivo principal preparar as pessoas para o advento de Cristo através da proclamação da tríplice mensagem angélica, principalmente com a distribuição do livro O Grande Conflito de autoria de Ellen G. White. Ver White, O Colportor Evangelista, 12-13, 122-126), e quando este conteúdo religioso é enfatizado nos livros, nota-se um aumento na distribuição dos mesmos como consequência do interesse do público. (José L. Campos, “Editorial”, O Colportor Evangelista, jul.-set., 2002, 2)

    Os colportores também desenvolvem um programa de visitação aos lares, pois é desta forma que eles encontram pessoas interessadas em suas literaturas, “Ao entrardes nos lares de vossos vizinhos para lhes vender ou dar nossa literatura… sereis acompanhados pela luz do céu”. (Ellen G. White, O Colportor evangelista, 88). Estas pessoas podem ser visitadas várias vezes pelo mesmo colportor sempre quando houver interesse de mais literaturas ou quando estas visitas forem seguidas de estudos bíblicos. Assim, o colportor pode encaminhar pessoas para a igreja, prestando este tipo de atendimento aos seus clientes. “Quando o colportor visita as pessoas em seus lares, muitas vezes terá oportunidade de ler partes da Bíblia ou dos livros que ensinam a verdade. Quando ele descobre aqueles que estão buscando a verdade, pode realizar estudos bíblicos com eles. Esses estudos bíblicos são justamente o que o povo necessita.” (Idem, Testemunhos para a igreja, vol. 6,Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2005, 324).

    Pastores e colportores devem procurar meios para trabalharem juntos a fim de promoverem o crescimento da igreja. Este crescimento foi exemplificado no capítulo anterior por movimentos históricos que fizeram uso da página impressa e tiveram resultados expressivos no aumento do número dos membros. Esta cooperação entre a página impressa e a pregação é expressa nas palavras de Ellen G. White:

    “Fui instruída de que mesmo onde o povo ouve a mensagem do pregador vivo, o colportor deve continuar sua obra em cooperação com o pastor; porque ainda que o ministro apresente fielmente a mensagem, o povo não é capaz de retê-la totalmente… As publicações farão muito maior obra iluminando e confirmando pessoas na verdade do que a que pode ser cumprida unicamente pelo ministério da Palavra. Os silenciosos mensageiros que são colocados nos lares pelo trabalho do colportor fortalecerão o ministério evangélico em todo sentido; porque o Espírito Santo impressionará a mente dos que lerem os livros, do mesmo modo que o faz à mente dos que ouvem a pregação da Palavra. (Ibid., 315-316).

    A Igreja Adventista mantém um programa de evangelismo mundial denominado “Missão Global”. Este programa envolve a Igreja inteira no estabelecimento de novas congregações em áreas ainda não penetradas. Para isto, os membros são convidados a servirem como “Pioneiros da Missão Global”, cuja missão é servirem à Igreja pelo menos durante um ano para abrirem uma nova congregação ou fortalecerem um pequeno grupo que precisa aumentar o seu número de membros. (Michael Ryan, “Ministério da Colportagem e Missão Global”, O Colportor Evangelista, jul.,-set., 1997, 10).

    Neste projeto, a colportagem ocupa uma posição indispensável, porque muitos destes pioneiros adotam este método para começarem o trabalho nas áreas ainda não penetradas. O Departamento de Publicações da Associação Geral votou o desenvolvimento de uma nova categoria de colportor denominado “Colportor Evangelista Missão Global”, o qual atenderá as áreas onde ainda não foi estabelecida uma Igreja Adventista. (José L. Campos, “Reunião Mundial de Planejamento de Publicações da Associação Geral: 19-23 de março de 2001, Silver Spring, Marland”, O Colportor Evangelista, jul.-set., 2001, 13).

    No Brasil, não só os colportores, mas todos os membros batizados podem participar do programa da Missão Global usando as publicações. (Osvaldino Bonfim, “A mensagem impressa perdura: a colportagem nasceu na mente de Deus e vencerá os obstáculos do momento”, Revista Adventista, janeiro, 1993, 4). A Divisão Sul- Americana (Órgão administrativo da IASD na América do Sul) em parceria com a Casa Publicadora Brasileira lançou em 1993 a revista missionária chamada Decisão. Esta revista fora lançada para o cumprimento do projeto da Missão Global a fim “de um modo mais ágil e mais económico alcançar todas as pessoas individualmente, através de cada membro da igreja e da colportagem”. (Rubens S. Lessa, “Nova Decisão Missionária: literatura na mão da Igreja”, Revista Adventista, abril, 1993, 14). Em 1996, esta experiência foi repetida com o lançamento de outra revista missionária intitulada Paz na Tempestade. Desta vez, o método era envolver todos os departamentos da Igreja na distribuição da revista. (Idem, “Paz na Tempestade: uma revista para evangelizar o Brasil”, Revista Adventista, ago., 1996, 10-11. Neste artigo, o Pr. Henrique Berg que era diretor da Missão Global na Divisão Sul Americana afirmou que a “Paz na Tempestade é um instrumento formidável para pavimentar o caminho a fim de que a igreja chegue a todas as localidades onde ela ainda não está presente”, 11). Este exemplo é consoante ao que Ellen G. White escreveu da participação não só do colportor, mas também dos membros na distribuição de literatura “A igreja deve dispensar sua atenção à obra da colportagem”. (Ellen G. White, O Colportor evangelista, 16).

    Na sede administrativa da Igreja Adventista em Mato Grosso, todo ano é reservado um período para que os pastores se envolvam em uma campanha evangelística com publicações. No ano de 1996, do dia 17 a 26 de Junho, dez pastores se alojaram na cidade de Sorriso para iniciarem este trabalho. Além de visitarem as pessoas durante o dia e oferecerem os livros, todas as noites eles realizavam reuniões evangelísticas. Como resultado desta campanha, um número expressivo de livros foi entregue as diversas famílias e 54 inscrições para cursos bíblicos foram passadas às mãos do pastor local, Roberto Horta. (Wilson Sarli, “Necessidades, desejos, problemas”, Revista Adventista, março, 1997, 35).

    Neste último exemplo nota-se os pastores participando como colportores. Isto é endossado por Ellen G. White ao escrever que “O pastor-evangelista que se empenha na colportagem está realizando um serviço tão importante quanto a pregação do evangelho perante a congregação a cada sábado”. (Ellen G. White, O Colportor evangelista, 47). E ao se empenhar na colportagem, o ministro não é rebaixado de sua posição, pois ele segue o mesmo método de trabalho que era usado pelo apóstolo Paulo em visitar as pessoas de casa em casa a fim de levar a mensagem
    evangélica. (Idem, Testemunhos para a igreja, vol. 6, 321-322).

    James Cress salienta que os pastores devem apoiar o trabalho dos colportores, pois estes “servem como assistentes pastorais para tornar a igreja inteira eficiente”. (James Cress, “Eu Acredito no Ministério da Colportagem”, O Colportor Evangelista, ab.-jun., 1996, 2-3. Cress é o Secretário Ministerial da Associação Geral e neste artigo ele relata que “não gosta de começar uma série evangelística em uma cidade sem que uma equipe de colportores passe ali antes de mim com literatura”, 2).

    Appenzeller reforça esta idéia respondendo “que o pastor deve considerar o trabalho do colportor como uma extensão de seu ministério; deve ver o colportor como seu assistente, como alguém que está despertando o interesse das pessoas na mensagem”. (Ronald E. Appenzeller, “Obra de Publicações: desafios e metas”, Revista Adventista, agosto, 1994, 5).

    Cress também sugere algumas maneiras para que o ministro faça o trabalho do colportor mais produtivo: o pastor pode recrutar pessoas qualificadas do seu distrito para a colportagem; separar um tempo do seu trabalho para orar com o colportor; recomendar o colportor às pessoas que estão precisando de alguma literatura e encorajar os membros da igreja a adquirirem a literatura do colportor. (James Cress, O Colportor Evangelista, ab.-jun., 1996, 2-3).

    Foram destacados três aspectos de semelhança entre o pastor e o colportor: o chamado, a missão e o apoio recíproco que deve haver entre ambos. No chamado, tanto o pastor como o colportor recebem a mesma incumbência divina para o serviço. Entre as diversas atividades do pastor destacamos a pregação e a visitação que também são exercidas pelo colportor. Este também visita as famílias em seus lares e prega através da literatura que distribui. E entre os dois ministérios existe um recíproco apoio no trabalho, pois a pregação do pastor pode ser fortalecida com a participação do colportor na distribuição de literatura.

    Pastor e colportor, ambos foram escolhidos para transmitirem a mesma mensagem; um, através da voz, o outro, através da página impressa. A mesma aprovação Deus dispensa para ambos ministérios a fim de que cumpram a missão que lhes foi designada, (Ellen G. White, O Colportor evangelista, 47) e o “mesmo ministério de anjos que auxilia a obra do pastor, acompanha os livros que contém a verdade”. (Ibid., 97-98).

    Os exemplos demonstram que este mesmo sistema integrado entre o ministério pastoral e o ministério da colportagem são eficientes para o cumprimento dos dois principais propósitos do Departamento de Publicações: alcançar os que ainda não conhecem a mensagem evangélica e fortalecer a fé dos membros da igreja. (Almir Maroni, “Divisão Sul Americana: alimentando o rebanho”, O Colportor Evangelista, jan.-set., 2005, 29).

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  • Lindalva Cordeiro

    ARGH, quanto machsmo.