Ame mais, se apaixone jamais

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Esse é o primeiro texto da série Relacionamentos e nada mais justo do que começar falando sobre amor e paixão. Vamos pensar juntos?

“Eu estou apaixonado(a) por você”. Essa frase é muito comum entre jovens e alguns adultos. O tema paixão percorre por filmes, novelas e romances que “enfeitiçam” corações apaixonados. Mas qual a diferença entre amor e paixão? Existe?

ame maisSegundo a escritora norte americana Ellen White no livro Lar Adventista “a paixão será obstinada, precipitada, irrazoável, desafiadora de toda restrição, e tornará o objeto de sua escolha um ídolo”, pag 50. E na mesma página ela define amor como: “É o amor um dom precioso, que recebemos de Jesus. A afeição pura e santa não é sentimento, mas princípio. Os que são movidos pelo amor verdadeiro não são irrazoáveis nem cegos”. Vemos em seus escritos (que acreditamos, como adventistas do sétimo dia, serem inspirados por Deus) que a paixão é um sentimento e o amor é um princípio.

O que é sentimento então? De acordo com o Dicionário Michaelis é: “sensação psíquica, tal como as paixões, o pesar, a mágoa, o desgosto etc. Disposição para ser facilmente comovido ou impressionado.  Atitude mental a respeito de alguém ou de alguma coisa. Conhecimento imediato”. E o que é princípio? No dicionário: “momento em que uma coisa tem origem; começo, início. Ponto de partida. Lei, doutrina ou acepção fundamental em que outras são baseadas ou de que outras são derivadas. Regras ou código de (boa) conduta pelos quais alguém governa a sua vida e as suas ações”. Portanto sentimento é algo passageiro e princípio é permanente.

Também podemos usar a gramática da língua portuguesa para explicar essa diferença. A palavra Amor conjugada no presente do indicativo, não necessita de outro verbo. Por exemplo: Eu amo, Tu amas, Ele ama, Nós amamos, Vós amais, Eles amam. Já a palavra Paixão necessita. Por exemplo: Eu estou apaixonado, Tu estais apaixonado e assim por diante. O verbo estar refere-se a uma condição ou estado que é definido como passageiro (ex: eu estou com fome, eu estou doente, eu estou feliz). 

[A título de curiosidade: Se usarmos o pronome pessoal do caso oblíquo “me” em ambos os verbos, também encontramos divergência em seus sentidos. Nas frases Eu me amo e Eu me apaixono, a primeira indica uma ação a si próprio exclusivamente e a segunda indica uma ação de si para outro. Ex: Eu me amo (a mim). Eu me apaixono (por quem?). Ou seja, morfologicamente e sintaticamente, elas também são diferentes.]

É interessante notar que Deus se descreve como o próprio Amor. Sendo assim, Deus é amor (1 Jo 4:16) e Ele nos concede esse amor (2 Tm 1:7) para que possamos amar uns aos outros (1 Jo 4:7) como Ele nos amou (Jo 3:16). Se o amor é um princípio e Deus é amor, logo Deus é o Princípio (Ap 1:8 e Jo 1:1-3).cooltura adventista

Em 1 Corintios 13, lê-mos a descrição mais famosa sobre o amor. 

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha;” 1 Coríntios 13:4-8

Ouso escrever que a paixão é a distorção do amor, pois ela é ciumenta, imatura, invejosa, egoísta, mentirosa e age com desconfiança.

Que você possa ser transbordado do amor de Deus para conceder a outros esse princípio nobre e puro, por isso ame mais e se apaixone jamais. Não se esqueça que o amor de Cristo é você.

Giovanna Bonilha