Anel de casamento: uma pergunta e um apelo

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A surpresa montada, talvez em um ato público ou privado, a família feliz, os amigos/cupidos com o sentimento de missão cumprida e Deus vendo seu plano original sendo realizado.

“Quer casar comigo?”. Essa frase revoluciona a vida de um casal. O rapaz ajoelhado aos pés da noiva em potencial, o coração acelerado da bela moça e a expectativa da resposta quase que óbvia ao pedido inusitado: Sim! (Na maioria dos casos)

Todos comemoram, o momento geralmente é selado por um beijo, felicidade transborda aos corações, finalmente o processo de autoexame chamado namoro teoricamente termina e dá espaço a um nível diferente, o noivado. Agora estamos na reta final para um suposto casamento que será ricamente abençoado por Deus.

Ah, espera, estou esquecendo um pequeno detalhe, literalmente pequeno.

Faltou citar a aliança de casamento, o anel tão sonhado em especial pela noiva. O objeto que por séculos foi alvo de admiração pelas solteiras, o marco mais simbólico do início do noivado, e que, claro, nele se deposita uma espécie de carinho mútuo.

Particularmente sempre achei uma cena muito bonita, sendo músico, olhar para as mãos do pianista, em “close”, e ver que nelas há uma aliança dourada, dando um ar sofisticado à performance do músico.

Nunca pensara que havia algo de errado em usar aliança, cheguei a pensar que se alguém levantasse esse tipo de ideia não estaria sendo nada coerente com nossa cultura e visão de mundo. Até que, certo dia, lendo a coleção “Testemunhos Seletos” que meu avô deixou para família, li um texto impactante de Ellen White:

“Algumas pessoas tem se preocupado com o uso da aliança e lhes parece que as esposas dos nossos ministros deveriam aceitar esse costume. Tudo isso é desnecessário. Quando as esposas dos ministros se esbanjam com ouro, isto desconecta as suas almas de Jesus Cristo: um caráter puro e Santo, o verdadeiro amor, a mansidão e a piedade que são os frutos produzidos pela árvore cristã, e a sua influência estará segura em qualquer parte. O fato de que os resultados não coincidem com as observações não é um motivo suficiente para adotá-la.”

Mais a frente ela diz: “Não deveria se gastar um centavo em um anel de ouro para provar que somos casados.”

Uou! Que texto chocante! Eu quase não acreditei quando li, revi várias vezes para ver se eu não estava louco. Se você conhece o texto, eu “sei que você sabe” que ele continua, há mais detalhes dignos de atenção que depois irei comentar. O que quero enfatizar aqui é que essas frases iniciais me chamaram a atenção logo de cara! Fiquei pasmo, eu deveria ter uns 14 ou 15 anos na época. Simplesmente não entendi bem, guardei aquilo como se ignorasse e não me importei até porque não pretendia casar tão cedo.

“Todo mundo usa, deve ter uma boa explicação, eu não vou me preocupar com isso agora.” Foi o que primeiro me ocorreu.

Anos mais tarde, em diálogo com um irmão de fé bem mais experiente, conversando sobre assuntos diversos da Bíblia e do Espírito de Profecia, ele me perguntou:

“Você já reparou que nem eu nem minha esposa usamos aliança de casamento?”

Eu parei para pensar e ver se eu me lembrava de ter visto ele usando o anel ou não. Era verdade, eles não usavam.

“Por que vocês não usam?” Perguntei inocentemente já me recordando do texto que tinha lido alguns anos atrás.

“Depois de estudar o assunto, eu e minha esposa decidimos não usar alianças. Seguimos a recomendação de Ellen White e não fazemos dela prova de fidelidade, se pararmos para analisar não existe embasamento bíblico para o uso de alianças como forma de fidelidade matrimonial. Decidimos isso e não tivemos problemas”. Em linhas gerais foi isso que respondeu.

Estava provado! Havia pessoas, mesmo que no Brasil, seguiam a recomendação de Ellen White sobre o assunto. E agora? O que fazer diante dessa questão que voltou a fervilhar na minha cabeça?

“Vamos pesquisar!” Falei comigo mesmo e meus neurônios, mesmo pensando que não encontraria muitas referências. A partir de agora, quero que você entenda que minha pesquisa foi uma sincera busca à procura de evidências, de maneira honesta e não para julgar ninguém, mas para que acima de tudo eu entendesse o que Deus queria para mim.

Para começo de conversa, preciso deixar claras as primeiras informações que eu achei de declarações oficiais da IASD. Ninguém deve ser disciplinado, discriminado ou mal visto por usar aliança de casamento em meio adventista. No Brasil, na verdade, é algo comum, uma maioria esmagadora de crentes do advento usa, o manual da Igreja não proíbe eclesiasticamente essa simbologia.

Bem, mas será que existem autores sérios adventistas que gastaram o tempo analisando esse assunto e que talvez até discordem do senso comum? Sim. E vou tentar ser o mais breve possível sobre os comentários que achei.

O primeiro autor foi o célebre Samuele Bacchiocchi, o mesmo autor de “Do Sábado para o Domingo” e de “Crenças Populares”, livros historicamente importantes para a IASD. Bacchiocchi escreveu um livro chamado “Christian Dress and Adornement”, do qual extrai algumas citações interessantes. Segundo o autor, é extremamente importante olharmos as origens da prática em questão.

Como a maioria dos historiadores concordam, buscar a origem exata das joias anelares é difícil, mas as evidências apontam esse costume como sendo de origem pagã no Egito antigo. A evolução aconteceu de sinetes e selos para joias ornamentadas por gregos e romanos. Bacchiocchi no capítulo A LOOK AT THE WEDDING RING começa discorrendo sobre a participação do anel nos rituais e na mitologia grega entre Prometheus e Zeus; no mesmo capítulo citam-se as lendas criadas sobre um suposto anel que o Rei Salomão tinha que lhe transportava ao céu para ouvir os segredos e mistérios de Deus, além de uma correspondência de metais e deuses mitológicos antigos.

Cita-se também Paul Berdanier, que em seu livro “How It Began” fala que o costume de se noivar obrigatoriamente com o uso de um anel remontava a uma cerimônia antiga em que a noiva era amarrada na cintura, pulsos e tornozelos para ter seu espírito contido.

Depois de citar várias fontes a respeito das origens macabras entre anéis, casamento e paganismo, Bacchiocchi declara:

“A origem pagã e o significado do anel de dedo levantam questões sobre a legitimidade de sua aceitação pelos cristãos como representação do compromisso conjugal. Na Bíblia, o valor de um símbolo é determinado pela sua origem e significado. O Sábado, o Cordeiro pascal e Seu sangue, a Ceia do Senhor, o batismo e lava-pés são todos símbolos valiosos porque foram estabelecidos por Deus para nos ajudar a conceituar e internalizar as realidades espirituais. O seu valor é derivado de sua divina origem, significado e função. Por outro lado, o significado do anel de casamento como um símbolo do compromisso conjugal não encontra a sua origem na Escritura, mas na mitologia pagã e superstições. Colocar um símbolo pagão com um significado sagrado cristão pode facilmente levar a uma secularização do próprio símbolo. Como veremos, foi exatamente o que aconteceu com o uso do anel de casamento.”

Durante o capítulo Bacchiocchi desenvolve esse argumento histórico fazendo um paralelo com o Sábado e Domingo (principal assunto de seus escritos). A guarda do domingo, como transição histórica, encontra facilmente relação com suas origens pagãs romanas, esse costume romano foi vestido de virtude cristã e colocado como barganha para que os cristão simpatizassem com Roma e seu culto unificado. Não se precisava mais perseguir cristãos, estavam todos juntos em sua religião eclético-ecumênica. Ora, não seria algo assim que ocorrera na história da Aliança de casamento? Um costume de origens pagãs (a aliança matrimonial) vestida de virtude cristã (sinal de fidelidade) aceito por praticamente todos?

Guardadas as devidas proporções, esse é um dos pontos levantados por Bacchiocchi. Ninguém que hoje “guarda” o Domingo está preocupado com suas origens assim como quem usa a aliança de casamento não está preocupado com a secularização de seu uso, ainda que talvez isso esteja em desacordo com a Palavra de Deus. Bem, como eu falei, devem ser guardadas as devidas proporções, foi feita uma comparação e não uma equiparação desses dois casos.

O segundo argumento de Bacchiocchi é uma análise histórica progressiva, o uso de joias na história do cristianismo segue pelo menos 3 passos: (1) Inicialmente não se usa nenhuma espécie de joias, (2) depois se permite uso anéis para fins matrimoniais, (3) permite-se o uso indiscriminado e deliberado de joias.

Essa perspectiva histórica vem se repetindo desde a Igreja Primitiva, para tanto Bacchiocchi traz um levantamento documental exaustivo mostrando essa tendência se seguiu entre o segundo e terceiro século da Igreja cristã (citando Clemente de Alexandria e Tertuliano) e continuou nos demais movimentos cristãos (os exemplos documentados foram a Igreja Metodista, Presbiteriana, Igreja Menonita e por fim, adivinha quem? Sim, a Igreja Adventista).

Demonstrando apenas um dos exemplos citados, é evidente que a Igreja Metodista passou pelo mesmo problema desde que John Wesley, o Reformador, escreveu: “Não vistam ouro, pérolas ou pedras preciosas. […] Eu não recomendo que as mulheres usem anéis, brincos ou colares” (Advice to the People Called Methodists). Wesley fundamentava esse aconselhamento baseado em I Pe 3:3, passagem que há muitos séculos assegurava as decisões da Igreja sobre o assunto.

Wesley faleceu em 1791, e já em 1872, com o aumento do uso da aliança de casamento, a Igreja Metodista em seu livro “Discipline”, registrou que ficava permitido o uso de alianças de casamento para seus membros. Em seguida, esse “relaxamento” permitiu o uso indiscriminado de joias.

Essa tendência foi tão forte que Dean M. Kelly, um estudioso metodista sobre o assunto, escreveu um artigo para a IASD intitulado “Como o adventismo pode parar de crescer?”. Kelly deu uma resposta curta e precisa: “Sejam como os metodistas”. Segundo ele, se o adventismo desse ênfase que assuntos como vestimenta, adornos, abstinências, alimentação, etc não são “realmente essenciais para salvação” tal pensamento iria depravar a fé em requisitos que são realmente importantes em sua esfera. A conclusão do autor metodista é de que a Igreja Adventista entraria em declínio bem como a metodista, “relaxando” sua visão sobre determinados pontos da vida cristã.

Realmente, o número de membros Metodistas está em declínio faz certo tempo, uma análise muito similar é feita pelo autor adventista George Knight no livro “A neutralização do Adventistmo”. Segundo Knight, se a Igreja perde o seu diferencial, independentemente da denominação, nada impede um membro de procurar uma igreja que lhe seja mais conveniente ou quem sabe mais próxima de sua casa e se transferir.

E quanto ao uso de anéis de casamento na Igreja Adventista? Bem, o entendimento sofreu algumas mudanças com o tempo. Se analisarmos o Manual da Igreja na versão de 1925 constará a seguinte informação:
“Resolvido que […] nós enxergamos desfavoravelmente a cerimônia do anel” , e assim permaneceu até 1951. Em 1935 no Concílio de outono a Igreja declarou: “Nossos membros desde o início têm sido um povo simples. Aos nossos pedidos pelo descarte de joias, especialmente os artigos citados pela Bíblia e pelo Espírito de Profecia, tais como anéis, brincos, braceletes e colares; apelamos para uma maior fidelidade a esse tão importante padrão divinamente dado.” Mais tarde a Igreja modificou o manual para a maneira como atualmente está redigido.

Será que a Igreja Adventista está dando o terceiro passo histórico de liberar o uso de joias?

Em várias focos de Divisões adventistas se vê uma crescente onda de estímulo ao uso indiscriminado de joias, não só Samuele Bacchiocchi relata isso, mas qualquer pessoa que visite diferentes igrejas de diferentes locais nos EUA poderá testificar essa tendência. A história realmente se repete.

Eu pessoalmente conversei em Manaus com uma mulher adventista casada e perguntei por que ela estava usando vários anéis em seus dedos se ela mesma concordava com a visão da Igreja sobre joias que não fossem a aliança. Ela me respondeu que um dos anéis era a aliança (ou seja, não era um mero adorno, era uma joia simbólica e funcional), o outro era o anel de formatura (outro objeto com um símbolo bonito e justificável segundo ela) e o último era um presente que seu esposo havia lhe dado de 10 anos de casamento. Ora, se a primeira aliança foi justificada por ser símbolo de lealdade, nada melhor que fazer isso com outra aliança para reforçar a decisão e o simbolismo em suas bodas!

Eu sinceramente me pergunto como a Igreja encara essa situação, por que só a liderança pode determinar qual joia tem valor simbólico relevante e os membros não? Se a justificativa está no simbolismo, então a irmã estava plenamente sendo coerente, bastava que as duas alianças fossem “modestas” que a Igreja estaria de mãos atadas. Coloca-se um símbolo bonito em cada anel que se usa e dá quase que no mesmo que se não houvesse orientação quanto a isso. O limite da modéstia passa a ser completamente subjetivo e qualquer argumento dessa linha é um argumento circular: “Pode usar aliança porque ela tem um símbolo de fidelidade. E se esse é o caso, por que não usar outras joias de simbolismos de dignidade? Afinal a aliança pode ser usada porque tem um símbolo bonito (…)” O argumento nunca acaba e justifica quase tudo.

Os motivos pelos quais a IASD geralmente dava para se opor ao uso de joias, incluindo-se aqui a aliança, era com base principalmente em I Pe 3:3 e ITm 2:9-10 e pelos textos de Ellen White. Vamos analisar isso agora?

O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos;
1 Pedro 3:3

Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.
1 Timóteo 2:9,10

Testemunhos Seletos, vol. 1, págs. 593, 594: “Não terão nossas irmãs suficiente zelo e força moral para se colocarem, sem desculpas, sobre a plataforma bíblica? O apóstolo deu mui explícitas direções sobre esse ponto: “Quero pois que … as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.” I Tim. 2:8-10. Aqui o Senhor, por meio de Seu apóstolo, fala expressamente contra o uso de ouro. Que os que têm tido experiência cuidem em não fazer com que outros se desviem nesse ponto por causa de seu exemplo.  Aquele anel que vos cerca o dedo, talvez seja muito simples, mas é inútil, e seu uso exerce errônea influência sobre outros”. (Destaque meu)

Lembrando que não estou me propondo a fazer uma análise exegética em cima das passagens de Timóteo e Pedro, estou partindo do pressuposto que nossa abordagem histórica e denominacional sobre abstinência de joias esteja correta. Há um autor do Cooltura que já escreve sobre joias em geral.

E por fim:

Alguns se têm preocupado com o uso da aliança, achando que as esposas de nossos pastores se devem conformar com este costume. Tudo isto é desnecessário. Possuam as esposas de pastores o áureo elo que as ligue a Jesus Cristo — um caráter puro e santo, o verdadeiro amor e mansidão e piedade que são os frutos produzidos pela árvore cristã, e certa será em toda parte sua influência. O fato de o descaso desse costume ocasionar reparos, não é boa razão para adotá-lo. Os americanos podem fazer compreender sua atitude com o declarar positivamente que esse uso não é obrigatório em nosso país. Nós não precisamos usar este anel, pois não somos infiéis a nosso voto matrimonial, e o trazer a aliança não seria prova de sermos fiéis. Sinto profundamente esse processo de fermentação que parece estar em andamento entre nós, na conformidade com o costume e a moda. Nenhum centavo deve ser gasto com esse aro de ouro para testificar que somos casados. Nos países em que o costume for imperioso, não temos o encargo de condenar os que usarem sua aliança; que o façam, caso possam fazê-lo em boa consciência; não achem, porém, nossos missionários, que o uso da aliança lhes aumentará um jota ou um til a influência. Se eles são cristãos, isto se manifestará no cristianismo de seu caráter, suas palavras, suas obras, no lar e no convívio com os outros; isto se demonstrará por sua paciência e longanimidade e bondade. Eles manifestarão o espírito do Mestre, possuirão Sua beleza de caráter, a amabilidade de Sua disposição, Seu coração compassivo. Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, 180, 181 (1892). (Destaque meu)

De maneira explícita, apenas o último texto aborda diretamente a questão da aliança de casamento. É óbvio que a Igreja seria prejudicada naquele contexto pelo gasto em alianças, quando poderia usar esse dinheiro na obra missionária. No entanto, dada a argumentação do Espírito de Profecia, parece que o contexto imediato sobre o gasto de dinheiro não era o único assunto em questão.

Como vimos até aqui, Ellen White tinha motivos históricos e bíblicos para ser contra o uso de joias, e quanto à aliança de casamento? É interessante notar que, no final desse último texto, Ellen White parece dar uma exceção para lugares onde o uso de alianças fosse “imperioso”. Para tentar entender por que há uma exceção aqui, citarei Clyde Morgan em seu livro The Wedding Ring And Adornment: An Analysis and Appeal:

“Mas por que permitir uma exceção? Há precedentes bíblicos para isso. Eu não estou sugerindo que a gravidade das duas questões são paralelas, mas apenas que o princípio da exceção é o mesmo, gostaria de apontar-lhe a comparação do divórcio e novo casamento. No tempo de Moisés ele permitiu uma espécie de ‘divórcio fácil’. Um homem simplesmente tinha que escrever uma carta de divórcio, entregá-la à sua mulher, e enviá-la. Séculos mais tarde, Jesus, ao comentar sobre isso, não condenou Moisés por permitir isso, mas disse: ‘Desde o início que não era assim. E eu digo que, qualquer que repudiar sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra, comete adultério; e quem se casar com ela que é divorciada comete adultério.’ Mateus 19: 8-9 Jesus chamou as pessoas para um padrão mais elevado, uma reforma de volta para o plano original de Deus. Gostaria de sugerir este é o modelo para o que vemos na exceção do anel de casamento. A exceção não é a regra; é uma exceção. A vontade de Deus está em uma direção diferente. A Bíblia e os conselhos inspirados por meio de Ellen White indicam claramente que Deus está chamando Seu povo para um padrão mais elevado.”

Sobre essa mesma exceção dada por Ellen White, Bacchiocchi ainda pontua:

“A frase ‘se eles pudessem fazê-lo conscientemente’ sugere que Ellen White não deu um ensejo para o uso do anel marital, mesmo em países onde se era um imperativo social. O ‘se’ sugere que, mesmo em tais países, alguns podem ter dificuldade em conciliar o uso do anel com a sua consciência. Isso pode ser verdade quando a consciência é iluminada por uma compreensão mais completa da origem, significado e impacto espiritual do anel de casamento.

Pessoalmente, devo confessar que eu poderia ter usado uma aliança de casamento conscienciosamente até agora (apesar de eu nunca ter feito isso) porque eu a considerava unicamente através dos óculos da minha cultura italiana como um símbolo de status marital. Pela mesma razão eu nunca tinha dissuadido minha esposa de usar a aliança de casamento. No entanto, agora que eu aprendi sobre a sua origem pagã, seu impacto negativo sobre a história do cristianismo e sua influência potencial de fermentação sobre a minha vida espiritual e dos outros, eu nunca poderia considerar usar um anel de casamento em boa consciência. Apraz-me que minha esposa também veio a ver o anel de casamento de uma perspectiva diferente.”

Para Bacchiocchi, esse “se” de Ellen White é essencial para mostrar que essa exceção não era tão óbvia assim. Ainda que Ellen White não estivesse condenando o uso de aliança em países de caráter “imperioso”, ela coloca que, ao se estudar bem o assunto, talvez continuasse sendo difícil deixar a consciência limpa nesses países de forte tradição. Ou seja, pode ser que ainda em tais lugares, a melhor escolha seja não usar o anel. Lembremos que esse conselho de Ellen White se dirigiu aos missionários na Austrália, onde o costume era forte e bem definido, e mesmo assim ela escreveu essa recomendação tão impactante!

William Fagal comenta no livro “101 perguntas sobre Ellen White e seus escritos”, página 77 sobre a frase “caso [pudessem] fazê-lo em boa consciência”:

“Por essa última expressão, acho que ela quis dizer que eles deviam avaliar cuidadosamente o assunto, cientes de um possível lado negativo do uso da aliança e então usá-la somente se estivessem convencidos de que é isso que devem fazer.” (Destaque meu)

Para colocar um contraste na balança, é necessário citar um caso em que envolveu a família de Ellen White, tolerância e o uso de alianças. Eis a história.

W.C. White, filho de Ellen White, conheceu Ethel May Lacey, com quem teve um romance e decidiu se casar. Ela era britânica mas vivia na Tasmânia, seu pai havia se aposentado na Austrália pelo serviço oficial.

Enquanto eles estavam pensando em se casar, conhecendo os conselhos de Ellen White sobre alianças, May procurou Ellen para apresentar o caso de que a cultura em que fora criada era extremamente rigorosa quanto ao uso do anel de casamento, e que para sua família era praticamente obrigatório o seu uso. Ellen White não se opôs ao uso da aliança nessa situação (possivelmente considerada “imperiosa”), mas a decisão de May revela um fato curioso: depois da conversa com Ellen White, ela usou o anel até que chegasse em sua nova casa, e desde então nunca mais usou a aliança. Ela mesma dizia que não estava confortável pelo fato de usá-la. (Lembrando que nos EUA do século XIX, apenas a mulher usava o anel de aliança).

Embora Ellen White por si mesma jamais tenha registrado esse episódio, estamos partindo do pressuposto que as fontes históricas são verdadeiras. É necessário ressaltar que relatos sobre o que um profeta fez ou falou não tem o mesmo peso do registro do profeta em si, o próprio Bacchiocchi comenta que esse episódio em momento algum retira o peso das declarações de Ellen White, apenas mostra uma aplicação pessoal histórica de pessoas que a conheceram. A vida do profeta ou de escritores bíblicos não necessariamente é nosso exemplo a ser seguido, nem tudo registrado sobre Moisés ou Davi é digno de imitação, aquilo que Deus falou e aprovou através deles que deve ser nosso foco.

Essa história nos mostra apenas a tolerância de Ellen White e o fato de que sua conversa com May (seja lá o que elas tenham conversado), acabou resultando em sua nora ter usado a aliança por pouco tempo, apenas para fins de cumprir um requisito “imperioso” de sua cultura/família.

Dadas essas informações, o que podemos comentar sobre a realidade brasileira adventista? Eu sugeriria o seguinte: nossa conformidade com esse costume não é tanto por uma tradição imperiosa, mas sim porque não abordamos o assunto com a juventude. Quantas vezes já ouvimos falar que existe a possibilidade de se casar sem gastar dinheiro comprando alianças (não esquecendo que a questão financeira é um dos argumentos de Ellen White contra o uso de alianças)?

Eu nunca tinha estudado esse conselho até pouco tempo. A construção brasileira de um casamento em cima da aliança de metal é um costume simplesmente herdado, mas não discutido.

Nos EUA a realidade é outra, há igrejas adventistas que ainda adotam o não uso de aliança, inclusive nem se canta ou prega caso se esteja usando aliança. No entanto, no Brasil, poucos são os que já ouviram alguma orientação que é possível ter casais na Igreja que não usam aliança.

Não há nada no aspecto civil que declare ser obrigatório o uso de alianças para se efetivar o casamento. No Brasil, não é impossível encontrar casais que não usem anel de casamento, como relatei no início. Dizer que nosso país está no mesmo nível que a Austrália na época de Ellen White ou outros países seria fugir ao bom senso. Nos EUA, curiosamente, o uso da aliança só se fortaleceu depois da Segunda Guerra mundial, isto é, na segunda metade do século passado, foi uma transição relativamente recente.

Dados os argumentos, a problemática, as evidências e os exemplos, eu diria que uma atitude coerente com a orientação profética que temos é deixar claro para a juventude a possibilidade de casar sem o anel, além, claro, de incentivar que não houvesse preconceito com os casais que escolhessem essa opção. O problema do Brasil, longe de ser algo meramente imperioso, é a falta de informação sobre esse debate antigo da IASD.

Uma pergunta? O que no voto matrimonial anula nossa interpretação sobre I Pe 3:3 e I Tm 2:9-10?

Um apelo? Repensemos nossa visão sobre a neutralidade do anel de casamento, mesmo em países de uso imperioso essa opção pode ser descartável. Façamos planos de orientar a juventude quanto à literatura disponível sobre o assunto e deixemos que os jovens escolham. É necessária uma reflexão séria sobre os argumentos contrários, o importante é que não estejamos num processo histórico de desdém sobre o assunto.

Por Matheus Fugita

Obs: Muitas citações (como a do Dr Bachciocchi) são traduções livres minhas, seus originais podem ser encontrados, em parte, neste link:

https://www.biblicalperspectives.com/books/christian_dress/4.html

  • Fabio Santos

    Ainda bem que a minha aliança é de aço, tô salvo.

    • Matheus Fugita

      Olá, Fábio! Tudo bem? Nossa equipe admira o humor saudável e está apta para um debate caso queira comentar pontos específicos do assunto. Só creio, pessoalmente, que ironias devem ser evitadas o máximo possível para não desviar nossa atenção. Não sei qual foi a sua intenção ao comentar, mas dúvidas não se tiram apenas satirizando um texto ou assunto difícil. Sinta-se à vontade para falar conosco, tentaremos ser o mais prudentes ao responder. Abraços!

      • Fabio Santos

        Fiquei um pouco confuso Matheus. Você disse: “Nossa equipe admira o humor saudável”, “ironias devem ser evitadas” e “satirizando um texto”. Afinal, o meu comentário é humor saudável, ironia ou uma sátira? Vou nem conseguir dormir hoje pensando nisso (e isso, é humor saudável, ironia ou sátira?)! Mas não se preocupe, não voltarei a comentar no blog, pois concordo contigo que devemos evitar desviar nossa atenção. Relaxa, sorria e fique com Deus.

        • Matheus Fugita

          Outro trecho interessante do meu comentário foi: “Não sei qual foi a sua intenção ao comentar”, não vou lhe julgar, Fabio! Apenas disse para evitarmos ironias não salutares neste diálogo, caso elas tentem aparecer. Mas fica aí o convite para comentar as ideias e argumentos do texto, caso não queira tudo bem também! Abraços, sorria e fique com Deus. 🙂

  • Jonathan Rodrigues
    • Matheus Fugita

      Olá Johathan, tudo bem? A opinião do Centro White foi bem analisada antes da elaboração deste nosso artigo, agradeço por ter se importado com isso. No entanto, parece existir uma enorme contradição entre os artigos do Centro White nesse ponto, veja que no artigo ” Qual é a posição da Igreja Adventista sobre a comercialização de jóias?” é dito o seguinte:

      “O Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia (revisado em 2005), pág. 177, declara que ‘nas Escrituras é ensinado com clareza que o uso de jóias é contrário à vontade divina. ‘Não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso’, é a admoestação do apóstolo Paulo (I Tim. 2:9). O uso de ornamentos de jóias é um esforço para atrair a atenção, em desacordo com o esquecimento de si mesmo que o cristão deve manifestar’ ”

      Noutro trecho:

      “Richard M. Davidson, diretor do Departamento de Antigo Testamento da Universidade Andrews, reconhece que houve ocasiões na história bíblica em que o povo de Deus acabou sucumbindo ao uso de jóias. Mas, em períodos de especial consagração, Deus pediu que Seu povo se desfizesse de suas jóias e adornos como um símbolo exterior de dedicação interior da vida a Ele. Foi assim, por exemplo, na dedicação de Jacó e sua família em Betel (Gên. 35:1-4); na reconsagração dos israelitas após a idolátrica adoração do bezerro de ouro, no deserto do Sinai (Êxo. 33:5 e 6); e também na recomendação às mulheres cristãs no período do Novo Testamento (I Tim. 2:9 e 10; I Ped. 3:3-5). Já no livro do Apocalipse aparece um marcante contraste entre a grande meretriz “vestida de púrpura e de escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas” (Apoc. 17:4; cf. 2 Reis 9:30), de um lado, e a mulher pura ‘vestida do sol’ (Apoc. 12:1) e a grande multidão dos glorificados ‘vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos’ (Apoc. 7:9), do outro. Conseqüentemente, OS ADVENTISTAS ENTENDEM SER SEU DEVER ABSTER-SE DAS JOIAS” (Ênfase minha).

      Veja que o artigo em que aborda o uso da aliança de casamento não dá argumento nenhum para que entendamos por que o anel de casamento é uma exceção à regra. Não há análise alguma do contexto ou mesmo do texto em que Ellen White está tentando desencorajar o uso de aliança. Qual é o motivo para acreditarmos que esses argumentos do outro texto do Centro White, em que é citado Richard M. Davidson, não valem para a aliança? O que tem nela de tão especial que faz com que toda essa argumentação das joias no caso da família de Jacó, da idolatria no bezerro de ouro e no livro de Apocalipse seja anulada? Essas respostas não foram dadas.

      Seria interessante também alguma tentativa de refutação dos pontos levantados neste artigo, abafar o debate não parece ser a melhor solução.

      Abraços!

      • Jonathan Rodrigues

        A questão é simples. O anel de casamento não se enquandra no grupo das joias!

        • Matheus Fugita

          Então Jonathan, respeito profundamente sua opinião, só queria ver a argumentação fundamentando-a e a refutação dos pontos levantados neste e em outros artigos que citei. Dizer que é uma exceção, até agora, carece de textos e explicações. Realmente é um assunto delicado, mas fora do país é mais aberto à discussão que no Brasil, e muitos casais não usam aliança fora da IASD brasileira. A compreensão e respeito mútuo é fundamental nesses pontos difíceis, mas precisamos de textos inspirados e um debate saudável para que a troca de ideias não fique meramente no nível de opinião ou senso comum. Agradeço sua disposição por ter lido, abraços!

          • Jonathan Souza

            Bom, em primeiro lugar, também respeito a sua opinião. Pelo menos concordamos em que se alguém não se sente bem em usar a aliança que não use e nem se sinta intimado pela Igreja a usar.
            Quanto ao argumento da origem da aliança, acredito ser esse um argumento muito fraco. Senão devemos proibir também o uso de gravatas, piano (haja visto os lugares em que ele é historicamente associado), entre outras coisas de origens “mundanas”.
            Acredito que você já conhece os argumentos que eu colocaria aqui, alguns pastores até já falaram sobre o assunto (Dr. Angel Manuel Rodriguez – O uso de joias na Bíblia), um até bastante conhecido, o qual vocês chamam de Pastor Eu Acho (aí pode a ironia e sátira contra um servo de Deus? Quem lê entenda, não defendo homens, todos somos falhos e pecadores buscando a cada dia a santidade). Também acho que na cultura brasileira o uso da aliança matrimonial é um tanto imperioso. Acredito também que há uma diferença entre joias funcionais e joias ornamentais. E por último é preciso analisar também com atenção algumas coisas que aconteceram na vida da mensageira de Deus, Ellen White (Carta 32a, 1891).
            Um excelente artigo com uma boa análise teológica e histórica, que também fala sobre o assunto aqui abordado é esse aqui:
            http://confissoespastorais.com.br/pastor-amigo/a-base-historica-do-estilo-de-vida-adventista
            OBS: O site Confissões Pastorais apenas traduziu o que foi publicado na Ministry Magazine em 1989. Quem quiser ver o original em inglês: https://www.ministrymagazine.org/archive/1989/October/the-historical-basis-of-adventist-standards
            Acho que uma citação de Agostinho cai muito bem aqui: No essencial, unidade. No não essencial, diversidade. Em tudo, caridade.
            Deus nos abençoe.

          • Jonathan Souza

            Ops, parece que o pessoal do site Confissões Pastorais está tendo problemas com o domínio do site. Então pra quem quiser ver o artigo que mencionei no comentário anterior ou pode ver pelo Web Archive ou pelo blog Literalmente Verdade que também postou este artigo.

            http://web.archive.org/web/20131122233211/http://confissoespastorais.com.br/pastor-amigo/a-base-historica-do-estilo-de-vida-adventista

            http://literalmenteverdade.blogspot.com.br/2013/08/a-base-historica-do-estilo-de-vida.html

          • Matheus Fugita

            Jonathan, boas observações. Quero começar dizendo que sou grato por você ser ter sido sincero em suas colocações e que minha intenção era justamente fazer com que pensássemos nesse assunto, conversas saudáveis podem ser enriquecedoras para nosso intelecto. Vou comentar rapidamente, não quero que este diálogo se torne desgastante.

            Quanto ao argumento da origem, eu o citei para o computar logo depois de dizer que estava procurando autores que não concordassem com a visão popular sobre o uso de alianças. Quem o trouxe esse argumento para o debate foi o Dr Bacchiocchi, apenas expus o raciocínio dele, não concordo necessariamente com tudo o que ele fala.

            No entanto, também precisamos tomar cuidado para não cometermos a falácia do espantalho. Lendo o livro dele, extrai de seus argumentos que ele está tratando da origem de cerimônias, símbolos e elementos religiosos. Esses referenciais religiosos têm valores válidos para nós devido a sua origem na Palavra de Deus, ele cita por exemplo o Sábado e a Páscoa para mostrar o seu ponto. Nem tudo que nós temos na Igreja hoje realmente tem origem bíblica, até por uma razão óbvia do intervalo de tempo, mas o ponto é que nós incrementamos como prova de fidelidade um elemento não exigido na Bíblia, de origem pagã, dentro de uma cerimônia bíblica e afirmando que ele tem valor religioso. A aliança foi um objeto “secularizado” dentro do casamento. Como historiador, essa parece ter sido a preocupação de Bacchiocchi.

            O argumento dele não é simplesmente dizer: “X tem origem pagã logo não devemos usar X”, o argumento foi uma construção histórica baseada nas origens e motivações do uso da aliança e o que isso acarretou de negativo na Igreja Cristã, incluindo a IASD. Veja que há mais citações de Bacchiocchi e outros pontos levantados por ele além desses que você citou.

            Gostaria de relembrar também que é um equívoco de raciocínio dizer algo do tipo: “Argumento X está errado porque se ele estiver realmente certo não poderemos usar nem W, Y ou Z”. Ainda que fosse o caso de o argumento da origem ser como você formulou no seu comentário, do que discordo, tentar atacar o argumento apenas pela conclusão dele é uma falácia lógica. Seria como um ateu dizer: ” A conclusão ‘Deus existe’ é muito radical, logo suas premissas devem estar erradas”. Repito, o argumento da origem não se limita ao que você disse, mas ainda que fosse isso mesmo, atacar apenas a conclusão não é refutação.

            Quanto a esse artigo que você referenciou, eu o conhecia e foi muito útil para mim na época em que procurava sobre outro assunto, mas não vi uma análise do texto de Ellen White em questão. Esse artigo tenta amenizar a controvérsia apenas mostrando o lado humano da profetiza e dando exemplos de sua vida. Acho que explicar essa questão dava outro artigo, em resumo, apenas não creio que a vida do mensageiro invalida ou muda a mensagem que ele deu (precisaria de mais tempo para avaliar esses pormenores).

            Quanto a se na cultura brasileira nós temos caráter imperioso em relação à aliança, eu já analisei isso no final do meu artigo. Se sim ou se não o conselho continua sendo aplicável, mas realmente é uma questão difícil e delicada. Não podemos perseguir nenhum dos lados que tenha feito sua opção!

            Quero terminar dizendo que não me lembro de ter chamado nenhum pastor assim como você falou em debates públicos, fóruns, páginas, sites etc. Se eu o fiz, devo pedir perdão! Só não creio que devamos respeito a alguém unicamente por ser “ungido do Senhor”, e sim porque somos filhos de Deus. Realmente, se estamos em Cristo, andamos no caminho da santificação todos juntos.

            Meu caro, nada aqui falado foi em tom de arrogância ou de olhar altivo, eu realmente posso estar errado quanto a minhas ideias e não tenho o menor problema de me retratar se preciso for. Acho que o feio não é mudar de opinião e sim não ter opinião para mudar. Agradeço novamente sua participação, acho que se não tivermos mais nenhum grande ponto a fazer os dois lados já foram bem expostos e cabe aos noivos decidirem agora rsrs. Abraços!!

          • Jonathan Souza

            Mateus, agradeço por permitir que opiniões contrárias sejam postadas aqui no site. Acho que não temos mais nenhum grande ponto para analisar mesmo, mas só gostaria de deixar claro algumas questões que suponho que não me fiz entender no meu último comentário.
            Não acho que colocamos valor religioso na aliança matrimonial, ela continua sendo um objeto secular que apenas simboliza compromisso dentro de nossa sociedade.
            Não acho que “argumento X está errado porque se ele estiver realmente certo não poderemos usar nem W, Y ou Z”, mas penso que o argumento X está errado porque W, Y ou Z não representam ameaças a nossa mensagem. Não concordo com o argumento da origem porque ele acaba se tornando, mesmo que não intencionalmente, um apelo ao medo. Ex.: Tal instrumento não deve ser utilizado porque era usado em tribos canibais.
            Também não acredito que a vida do mensageiro invalida a mensagem que ele deu. Apenas entendo que devemos analisar o que ele disse com base no contexto socio-cultural do tempo em que foi escrita a mensagem, pra mim isso é muito claro em Testemunhos para a Igreja, vol. 4, págs. 636-637.
            Obrigado pelo bom diálogo. Abraços.

          • Matheus Fugita

            Jonathan, perdão por não ter respondido antes ao seu comentário. Agradeço por ter levado a discussão até que de maneira educada. Só preciso ser incisivo em um ponto ao analisar seu comentário:

            “penso que o argumento X está errado porque W, Y ou Z não representam ameaças a nossa mensagem.(sic)”. Isso configura sim uma falácia lógica, seria tentar atacar a conclusão do argumento tentando atacar pontos externos da discussão, fora das premissas elencadas. Soa como o inverso de um argumentum ad consequentiam, como se “já que as consequências não são ruins, a causa em defesa é válida”. Há um erro lógico aí.

            Acho que seu exemplo sobre a tribo canibal também é uma falsa analogia, ela não corresponde ao que a análise histórica da questão discutida. Por fim, concluo dizendo que o texto não faz nem diretamente nem indiretamente um apelo ao medo, e sim um apelo à coerência. Não tenho muito tempo para articular esse debate com mais profunidade, mas em resumo é isso que tenho a dizer.

            No mais, obrigado pela sua opinião! Abraços.

  • Weslei Santos

    Muito Interessante esse artigo. Porém e Ai fazemos o que? Retiramos nossas alianças? Pregamos sobre isso? Ou ficamos calados?