Os recomeços de Deus. Feliz Ano Novo!

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Os recomeços de Deus: uma explicação sobre a existência do Cooltura

É incontável o número de sermões que já ouvi sobre “Recomeçar” ou “Recomeços”. Por exemplo, final do ano: fazer listas, votos, etc.. Existe a Santa Ceia ou o batismo que fazem parte do recomeço de um indivíduo, por exemplo. Tem também aqueles discursos apelativos, do tipo: “Se você aceita a Jesus, venha aqui à frente e tenha uma vida nova. Eu quero fazer uma oração por você. Faça uma decisão de estar ao lado de Deus. E você que já é membro, venha também, para que você comece do zero a sua vida com Jesus”. Aí o camarada vai ao encontro do pregador, confiando que dali em diante, sua vida vai ser transformada e ricamente abençoada.

É preciso entender o que realmente significa recomeçar uma vida com Deus e em Deus. Ir meramente ao púlpito da igreja, a fim de orar para ter uma vida semelhante a uma folha de papel em branco, onde você e Deus poderão ter um registro de uma linda história juntos, não é garantia de uma vida completamente transformada, santificada ou recomeçada. Isso até pode ser considerado formalismo. Outra questão de que necessita compreensão é o agente do recomeço: parte de nós, primeiramente, ou de Deus? A Bíblia responde:

“Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro.” 1João 4:19

Baseado nisso, não poderíamos chegar à conclusão que o recomeço não parte do ser humano, mas parte primeiramente de Deus? Com essas considerações, o presente artigo discutirá sobre os recomeços que Deus opera nos homens.

Para falarmos sobre isso, será necessário analisar a vida de alguns homens que obtiveram a experiência de recomeçar com Deus. Começando por Pedro, sabe-se que ele cometeu um grande pecado ao negar Jesus três vezes. Mas quando Cristo pergunta três vezes para Pedro se ele O amava, em todas, Pedro consente. A partir dali, ele teve a oportunidade de recomeçar. Sobre sua vida convertida, os Atos relatam. Ele tem um enorme desejo de contar isso aos outros: tanto por pregação, quanto por cartas.

Em suas cartas, é-nos mostrada a grande sabedoria que fora adquirida pela Graça de Cristo:

Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro;  Sendo de novo gerados […] pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.  Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;  mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.” 1Pedro 1:22-25

Percebe-se o “recomeço” que Pedro explica vem através da Palavra de Deus e João, o ex-filho do trovão, diz sobre o motivo de escrever suas cartas às igrejas:

“MEUS filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.”  1João 2:1

Deus utiliza esses homens pecadores para espalhar o evangelho. Eles literalmente escrevem, principalmente Paulo, sobre suas histórias de conversão. Não há metáforas, por exemplo, de que você é um livro em branco, ou que “você vale o sangue de Cristo”, ou de que “você é um espelho que reflete a imagem do Senhor”. Em seus corações repousam as palavras do salmista: “escondi a Tua Palavra no meu coração, para não pecar contra Ti” (Salmo 119:11). Quando guardamos e praticamos os ensinamentos bíblicos, temos a certeza de que estamos recomeçando com Deus e em Deus uma nova história, pois somos novas criaturas em Cristo Jesus (2 Coríntios 5:17). O recomeço vem através da nas Escrituras Sagradas e não de idas incontáveis ao púlpito da igreja, cantando:

“Oh, Pai! Como posso Te encontrar

E em Tuas Mãos meu entregar?

Minha vida aqui está.

Oh, Pai! Não dá mais pra esperar.

Agora é tempo de recomeçar.

O que mais quero, oh Pai, é recomeçar.”

As pessoas querem recomeçar e ter um encontro com Deus. Entretanto, muitas delas não sabem como fazer isso. Parece que Deus é tão distante, por causa de nossos pecados; parece que estamos lidando com um Deus místico. Se, contudo, você quer se encontrar com Deus, estude a Bíblia. O estudo da Bíblia, metaforicamente falando, é como se o próprio Deus estivesse falando à nossa mente sobre que decisões tomar. Debruçar sobre a Bíblia é a garantia de que estamos deixando Deus nos ensinar a recomeçar, porque “toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça”  (2 Timóteo 3:16).

O que me chama a atenção é o fato de que se não houvesse os registros dessas histórias, que restaria de nós? Como poderíamos aprender a recomeçar? Falando em história, iremos fazer uma viagem no tempo e ver o papel da escrita em relação ao recomeço que Deus deseja realizar no homem.

John Wycliffe (1320-1384)

Sendo um destacado professor de Filosofia da Universidade de Oxford, Wycliffe era também um teólogo fantástico. Com apenas 16 anos de idade, ingressou na universidade querendo estudar e não parou mais. Quando a oportunidade de ler a Bíblia surgiu, ele viu que os ensinos bíblicos eram totalmente diferentes daquilo que a Igreja ensinava e fazia. Começou, então, a escrever textos contra as ações do clero e os espalhou entre seus amigos e o Parlamento Inglês, alegando que a autoridade das Escrituras era maior do que a do estado e a do clero.

Certo dia, a Igreja pediu dinheiro ao rei da Inglaterra. Mas por causa da crise financeira, Wycliffe disse, numa reunião do Parlamento britânico, que a Igreja era muito rica e que havia um contraste entre o papa e o humilde Messias que dormia em um estábulo numa manjedoura, naquela noite em Belém. Devido a sua influência e oratória, ele conseguiu fazer com que o governo inglês não aderisse ao pedido clérigo.

Ele foi ameaçado diversas vezes. Isso não o desanimou. Em vez de sentir medo, John teve a brilhante ideia de traduzir a Bíblia, cuja língua era latina, para o inglês. Ele pensava, assim, que o povo inglês não mais seria ignorante, pois todos tinham o direito à leitura da Palavra em sua própria língua.

Percebe-se que o recomeço em sua vida se iniciou, quando ele estudou a Bíblia e escreveu aos seus amigos sobre o que tinha aprendido. Desse modo, Wycliffe, embora vivendo no século XIV, tornou-se um dos precursores da Reforma Protestante do século XVI.

John Huss (1373-1415)

Nascido em uma pequena aldeia de Hussinek, na Boêmia, hoje território que faz parte da República Tcheca, John Huss sempre gostou de estudar e de ir à igreja. Amava ouvir sobre Jesus e Seus milagres. Ao completar 17 anos de idade, em 1390, ele saiu de casa e foi estudar no seminário de teologia na Universidade de Praga.

Após alguns anos, tendo 29 anos, Huss “foi nomeado pregador de uma capela chamada Belém, localizada naquela cidade. Durante seu pastorado em Praga, ele tomou conhecimento o ensinos de Wycliffe, que havia falecido poucos anos antes [1384], na Inglaterra. Identificou-se com suas ideias e passou a divulgá-las com entusiasmo em seus sermões.” (Giraldi, 2011:46)

Por ser um homem íntegro, sincero, humilde, estudioso, corajoso e por ter traduzido a Bíblia para a língua boêmia, o amor de Huss para com o povo era recíproco. Isso fez com que sua influência alcançasse até o Arcebispo de Praga, que o apoiou inicialmente com suas ideias. Mas por expor a imoralidade e abusos dos clero, Huss conseguiu o ódio do papado. Aos 35 anos, em 1407, foi denunciado em Roma, sendo proibido de pregar.

O imperador Wenceslaus da Boêmia, no entanto, que havia escolhido Huss para ser reitor da Universidade de Praga, não deu ouvidos à proibição e defendia fortemente as ideias de Wycliffe, assim como Huss.

Em 1410, aos 38 anos de idade, John foi convocado para comparecer a Roma, a fim de esclarecer seus atos. Tendo se negado a ir, foi excomungado e o papa Alexandre V mandou que todos os livros de Wycliffe fossem queimados. Com isso, Huss teve a inspiração de escrever um livro chamado Lei de Cristo, “afirmando que o Novo Testamento era o guia suficiente para a igreja e que o papa só devia ser obedecido até onde suas ordens coincidissem com essa lei divina.” (Giraldi, 2011:47)

Queimado em uma praça pública, Huss morreu por aquilo que aprendeu nas Escrituras e seu povo se revoltou contra a igreja, desejando a independência do país. Percebe-se que esse recomeço de um homem atingiu uma nação.

Martinho Lutero (1483-1546)

Ele teve um recomeço com Deus ao fixar as 95 teses nas portas da Catedral de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517. Traduziu a Bíblia para o idioma alemão, de 1522 à 1534. Com a invenção da imprensa feita por Gutenberg, em 1455, os escritos de Lutero foram espalhados rapidamente. Segundo Ellen White, “a verdade deve ser dita sem rebuços, em folhas soltas e brochuras, e estas, espalhadas como folhas de outono” (Testemunhos Seletos 3:394). Lutero fez isso, porque o Espírito Santo o despertou para um estudo diligente da Bíblia. Por causa desse feito, a Europa recomeçou também e o mundo se abalou com a verdade.

William Miller (1782-1849)

Ex-deísta que estudou a Bíblia, a partir de 1816 até o fim de sua vida. Descobriu muitas coisas novas, dentre elas, as 2.300 tardes e manhãs, de Daniel 8:14. Houve um grande reavivamento nos Estados Unidos, entre os anos de 1840 e 1844, por causa da pregação desse homem. Escreveu Views of the prophecies and prophetic chronology (1841), Evidence from Scripture and History of the Second Coming of Christ, about the Year 1843 (1842) e Dissertations on the true Inheritance of the Saints, and the Twelve Hundred and Sixty days of Daniel and John (1842).

É notório que sua vida foi transformada, santificada e “recomeçada“, assim que começou a estudar a Bíblia e a difundí-la através de pregação e de seus escritos.

Joseph Bates (1792-1872)

Sendo um marinheiro devoto e convicto de suas verdades, Bates nasceu no dia 8 de julho de 1792 [no mesmo dia em que nasci 08/07/1992 #Tá,EssaÚltimaInformaçãoNãoÉImportante]. Ele era cético até o dia em que, quando estava em alto-mar, aconteceu uma tempestade. Nenhum tripulante se feriu e ele se convenceu do poder de Deus, ordenando que todos os seus marujos O obedecessem e observassem o Seu Santo dia, o domingo.

Mas com os artigos de Miller sobre a volta de Jesus, Bates se convenceu de que Jesus retornaria para a Terra, a fim de levar os Seus. Então, ele decidiu se preparar para esse encontro, estudando mais e mais a sua Bíblia.

Em fevereiro de 1845, o irmão T. M. Preble publicou um artigo entitulado Hope of Israel que falava sobre o verdadeiro dia do Senhor, o sábado. Bates leu aquilo e ficou impressionado com as verdades acerca do sábado. Ele viajou para se encontrar com Preble e com os seguidores dessa doutrina.

Bates volta para casa convicto da verdade estudada e decide escrever um artigo de 48 páginas sobre o sábado em agosto de 1846. Percebe-se que a vida deste homem foi transformada pela verdade expressa na Palavra e ele não a guardou para si, mas espalhou-a para todos. Foi assim que Bates teve um recomeço com Deus e em Deus.

James White (1821-1881) e Ellen White (1827-1915)

Vindo de origem humilde, James White amava o estudo, a filosofia, etc.. Aos 17 anos, começa a estudar os grandes clássicos da Filosofia e da Literatura e, aos 21, torna-se professor de uma escola secundária.

Ele era cético sobre as questões religiosas, até o dia em que assistiu a uma das pregações de Miller. White achou a ideia de Miller muito inteligente e se interessou em estudar a Bíblia. Ficou convicto das verdades apresentadas e se tornou um obreiro da Igreja Conexão. Em 1845, conhece Ellen Harmon com que se casa em 30 de agosto de 1846. Eles lêem, no outono do mesmo ano, o artigo de Bates a respeito do sábado e passam a observar o verdadeiro dia do Senhor: o sábado.

Ambos, em 1850, criaram a revista Review and Herald com o objetivo de espalhar as verdades bíblicas. Inúmeros textos foram divulgados e com ela a mensagem adventista se espalhou rapidamente nos Estados Unidos.

Mais tarde, Ellen White escreveu: “A noite da prova está quase no fim. Satanás está exercendo seu impressionante poder, pois sabe que seu tempo é pouco. Os castigos de Deus se acham sobre o mundo, a fim de chamar a todos quantos conhecem a verdade a ocultar-se na fenda da Rocha, e contemplar a glória de Deus. A verdade não pode ser oculta agora. Devem ser feitas declarações positivas. A verdade deve ser expressa com clareza, em folhetos e pequenos livros, e esses espalhados como folhas do outono.” (T9, cap 27, p. 230)

“Membros da igreja, pedi a Deus que vos dê a preocupação de abrir as Escrituras aos outros, e fazer trabalho missionário pelos que carecem de auxílio. Alguns serão salvos de um modo, outros de outro, mas a obra deve sempre ser feita segundo o Senhor dirija. … Sejam espalhadas como folhas de outono as publicações que contêm verdade bíblica. Exaltai-O, ao Salvador dos homens, exaltai-O mais e mais perante o povo.” (Nos lugares celestes [MM], dia 12 novembro de 1967. P. 333)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após essa explanação histórica, vimos que o recomeço operante de Deus se dá pela Sua Palavra e pelo espalhar dEla, através de textos, para os outros que não a conhecem. Não deixemos que o sentimentalismo tome lugar em nossa vida, quando decidimos recomeçar em Deus e com Deus. Deixemos, porém, que o Espírito Santo atue em nossa vida de modo ativo e racional, afinal, todas as pessoas apresentadas aqui estudaram bastante a Bíblia para recomeçar com Deus. Que Ele nos faça instrumento de Salvação para a humanidade, quer seja em textos, quer seja em pregações.

Recomece sua vida com Deus: pregando e escrevendo para seus amigos a respeito das Escrituras Sagradas! Que Deus te abençoe.

 

LIVROS DE APOIO

WHITE, Ellen Gold. O grande conflito.

_____________. Primeiros Escritos.

GIRALDI, Luiz Antônio. A Bíblia no Brasil Império.

KNIGHT, George. Para não esquecer [MM].

Por Sthefeson Rony