A voz do povo é a voz de Deus?

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Falaremos de política partidária. Desta vez, porém, iremos nos concentrar em um ponto que talvez tenha sido despercebido por muitos cristãos: a falta de elegância e cristianismo prático que muitos têm demonstrado em suas redes sociais.

Ultimamente na minha timeline do Facebook, houve uma invasão de memes nada respeitosos e palavras como “presidanta”, covarde, ladrão e até mesmo outras de baixo calão. Pessoas insatisfeitas com a atual situação política do país não só escondem suas opiniões a respeito de algumas personalidades políticas, mas também escolhem fazer isso da pior maneira possível: publicações de vídeos, textos e fotos que em nada contribuem para a melhoria da nação. Em vez disso, esses cidadãos promovem a revolta, a chacota, o desrespeito, a humilhação e a zombaria, exaltando os nervos de muitas pessoas. Suas palavras, muitas vezes, são um “cheiro de morte para a morte”, ao invés de exalarem o bom perfume de Cristo.

O meu objetivo não será o de falar sobre nosso deveres civis como cristãos (sobre este assunto leia mais aqui) ou sobre o nosso envolvimento e participação em manifestações políticas (já tratamos deste tema AQUI). Agora, quero falar sobre o poder que nossas palavras podem ter e a influência negativa que elas exercem naqueles que podem estar nos observando.

Muitos argumentam dizendo ser anti-patriotismo não se posicionar acerca dos atuais acontecimentos, alegando haver alienação da parte do que se calam diante disso. Mas será que publicar xingamentos, acusações, chamar pessoas para ir às ruas seja uma ação mais enobrecedora do que permanecer em silêncio!? Qual seria a atitude mais coerente para um cristão adventista perante os fatos políticos que nos aparecem diariamente?

Vamos a alguns textos que talvez nos tragam luz sobre este delicado assunto. Peço que em espírito de oração leiam 2 Pedro 2:13-17:

Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei1 Pedro 2:13-17

É muito interessante a forma como Pedro coloca o último verso. Honrar a todos, significa que devemos respeitar a todos independente de suas preferências político-partidárias. Amar a fraternidade nos instiga a um padrão mais alto do que o amor por quem pensa igualmente a nós. Temer a Deus deve ser sempre a prioridade do cristão e fazendo isto, cumpriremos as duas primeiras ordens anteriores – amar e honrar. A última ordem não é condicional! Ela não diz “Honre seu rei apenas se ele for bom e justo”, muito menos “Honre seu rei apenas, se ele não for do PT”. A Ordem é clara: HONRE SEU REI.

Se o governante for ímpio, corrupto e estiver com suas ações, contrariando os direitos civis e éticos? Para tanto, a carta paulina à Timóteo nos dá solução.

Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador 1 Timóteo 2:1-3

O apóstolo não nos ordena que manifestemos publicamente contra as autoridades. Insta, porém, para que oremos por elas. Sei que para alguns isso pode parecer impensável: “orar pelo Lula?!” ou “Orar pela Dilma?!”, ou orar pelo juiz Sérgio Moro, já que a oração só deve ser por aqueles que merecem-nas. Será? Repetindo: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens”. Deve-se orar por todos, sem preconceitos ou animosidade.

Peço agora que você faça uma pequena reflexão sobre suas recentes postagens político-partidárias:

1- Foram elas respeitosas e adequadas para um cristão?

2- Revelaram o amor de Cristo?

3- Poderia seu anjo da guarda orgulhar-se das palavras contidas ali? Ou o seu relato seria contra você?

4- Outras pessoas poderiam compartilhar-las sem causar um opróbrio ao evangelho?

5- Em que posição elas deixariam você: ao lado da nação ou um militante da confusão?

Nem em pensamento insulte o rei! Nem mesmo em seu quarto amaldiçoe o rico! Porque uma ave do céu poderá levar as suas palavras, e seres alados poderão divulgar o que você disser. Eclesiastes 10:20

O texto acima é claro como a luz do meio-dia! Nossas palavras são um importante testemunho a respeito daquilo que vivemos e praticamos.

“Não blasfemem contra Deus nem amaldiçoem uma autoridade do seu povo”. Êxodo 22:28

Queridos, a Palavra de Deus está repleta de conselhos para este tempo, basta darmos ouvidos e a devida atenção a ela. Além da Bíblia, contudo, Deus nos deixou revelações ainda mais diretas sobre a atitude do cristão em relação à política-partidária por meio de sua profetiza Ellen White. Leiamos e reflitamos sobre alguns dos conselhos deixados:

Os que ensinam a Bíblia em nossas igrejas e escolas, não se acham na liberdade de se unir aos que manifestam seus preconceitos a favor ou contra homens e medidas políticos, pois assim fazendo, incitam o espírito dos outros, levando cada um a defender suas idéias favoritas. Existem, entre os que professam crer na verdade presente, alguns que serão assim incitados a exprimir seus sentimentos e suas preferências políticas, de maneira que se introduzirá na igreja a divisão. {CI 324.2}

O Senhor quer que Seu povo enterre as questões políticas. Sobre esses assuntos, o silêncio é eloqüência. Cristo convida Seus seguidores a chegarem à unidade nos puros princípios evangélicos que são positivamente revelados na Palavra de Deus. […] {Conselhos para a Igreja, p. 324}

Alguns de nossos irmãos têm escrito e dito muitas coisas que são interpretadas como contrárias ao Governo e à lei. Está errado expor-nos dessa maneira a um mal-entendido geral. Não é procedimento sábio criticar continuamente os atos dos governantes. A nós não nos compete atacar indivíduos nem instituições. Devemos exercer grande cuidado para não sermos tomados por oponentes das autoridades civis. Certo é que a nossa luta é intensiva, mas as nossas armas devem ser as contidas num simples “Assim diz o Senhor”. Nossa ocupação consiste em preparar um povo para estar de pé no grande dia de Deus. Não devemos desviar-nos para procedimentos que provoquem polêmica, ou suscitem oposição nos que não são da nossa fé. […]

Tempo virá em que expressões descuidadas de caráter denunciante, displicentemente proferidas ou escritas pelos nossos irmãos, hão de ser usadas pelos nossos inimigos para nos condenarem. Não serão usadas simplesmente para condenar os que as proferiram, mas atribuídas a toda a comunidade adventista. Nossos acusadores dirão que em tal e tal dia um dos nossos homens responsáveis falou assim e assim contra a administração das leis desse governo. Muitos ficarão pasmos ao ver quantas coisas foram conservadas e lembradas, as quais servirão de prova para os argumentos dos nossos adversários. Muitos se surpreenderão de como foi atribuído às suas palavras um significado diferente do que era a sua intenção. Sejam nossos obreiros cuidadosos no falar, em todo tempo e sob quaisquer circunstâncias. Estejam todos precavidos para que, por meio de expressões imprudentes, não tragam sobre si um tempo de angústia antes da grande crise que provará os seres humanos. […] {Conselhos para a Igreja, p. 325}

“Queremos nós saber a melhor maneira de podermos agradar ao Salvador? Não é empenhando-nos em polêmicas políticas, seja no púlpito ou fora dele. É considerando com temor e tremor toda a palavra que proferimos. No lugar em que o povo se reúne para adorar a Deus não seja pronunciada nenhuma palavra que desvie a mente do grande interesse central — Jesus Cristo, e Este crucificado. Deve a mensagem do terceiro anjo ser o peso de nossa advertência”. {Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, 331.2}

Devemos prestar atenção ao tempo e espaço gastos com publicações políticas que em nada edificam ou elevam o nosso caráter ou que contribuam para o intelecto de nosso próximo. Nosso assunto predileto deveria ser “Cristo, Justiça Nossa” e nossas forças deveriam ser gastas em proclamar as mensagens angélicas, auxiliando os que precisam.

“Cumpre-nos fazer aos mundanos todo o bem que nos seja possível” – envolvimento sociopolítico {Fundamentos da Educação Cristã, p. 482}. Qual tem sido nosso tema de estudo preferido? E o que tem tomado mais nossa atenção?

Cristo é nosso Mestre, nosso Dirigente, nossa Força, nossa Justiça; e nEle nos comprometemos a evitar todo modo de ação que cause divisão. As questões em debate no mundo não devem ser o tema de nossas conversações. Devemos convidar o mundo a contemplar um crucificado Salvador, por cujo intermédio nos tornamos necessários uns aos outros e a Deus. Cristo ensina Seus súditos a imitar Suas virtudes, Sua mansidão e humildade, Sua bondade, paciência e amor. Consagra, portanto, o coração e as mãos a Seu serviço, tornando o homem um conduto pelo qual o amor de Deus possa fluir em copiosas correntes para abençoar a outros. Não haja, pois, nenhuma sombra de contenda entre os adventistas do sétimo dia. {Fundamentos da Educação Cristã, pág. 479}

O Senhor refere-Se aos que pretendem crer na verdade para este tempo, os quais não discernem, porém, qualquer incoerência em tomarem parte na política, misturando-se com os elementos contendedores destes últimos dias, como os circuncisos que se misturam com os incircuncisos, e declara que destruirá ambas as classes juntamente, sem distinção. Estão fazendo uma obra que não lhes mandou fazer. Desonram a Deus por seu espírito faccioso e por suas contendas, e Ele condenará de igual maneira a ambas as classes. { Fundamentos da Educação Cristã, p. 482}

“Nenhum de nós vive para si.” Romanos 14:7. Lembrem os que são tentados a imiscuir-se com a política, que todo passo que eles dão tem sua influência sobre outros. Quando ministros, ou outros que ocupem posição de responsabilidade, fazem observações a respeito desses assuntos, não podem recolher os pensamentos que plantaram em outros espíritos. Sob as tentações de Satanás, puseram em operação uma corrente de circunstâncias conducentes a resultados que eles mal sonham. Um ato, uma palavra, um pensamento atirado à mente do grande ajuntamento humano, caso leve a sanção celestial, dará uma colheita de preciosos frutos; mas, se é inspirado por Satanás, fará brotar a raiz de amargura com que muitos serão contaminados. Portanto, os despenseiros da graça de Deus, em todo ramo de serviço, estejam alerta quanto a não misturar o comum com o sagrado. {Obreiros Evangélicos, p. 396}

Irmãos, não vos lembrais de que a nenhum de vós foi imposta pelo Senhor qualquer responsabilidade de publicar suas preferências políticas em nossas publicações, ou de sobre elas falar na congregação, quando o povo se reúne para ouvir a Palavra do Senhor. Não devemos, como um povo, envolver-nos em questões políticas. Todos fariam bem em dar ouvidos à Palavra de Deus: Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos em luta política, nem vos vinculeis a eles em suas ligações. Não há terreno seguro em que possam estar e trabalhar juntos. O fiel e o infiel não têm terreno neutro em que possam encontrar-se.
Aquele que transgride um dos preceitos dos mandamentos de Deus é transgressor de toda a lei. Mantende secreto o vosso voto. Não acheis ser vosso dever insistir com todo o mundo para fazer como fazeis” – Mens. Escolhidas, vol. 2, pág. 336-337.

Apelo para que sejamos como os cristãos primitvos. Que as pessoas ao olharem para nós ou lerem nossas publicações sejam afetadas positivamente, em vez de criarem sentimentos exaltados. Lembre- se de que nossa pátria real não está neste mundo; que o melhor governo para reger nossa vida deve ser a Teocracia de Cristo.

Foi em Antioquia que os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos. Esse nome foi-lhes dado porque Cristo era o principal tema de sua pregação, conversação e ensino. Continuamente, estavam eles repetindo os incidentes ocorridos durante os dias de Seu ministério terrestre, quando Seus discípulos foram abençoados com Sua presença pessoal. Demoravam-se incansavelmente sobre Seus ensinos e milagres de cura. Com lábios trêmulos e olhos rasos d’água falavam de Sua agonia no jardim, Sua traição, julgamento e execução, a paciência e humildade com que havia suportado a afronta e a tortura a Ele impostas por Seus inimigos e a divina piedade com que tinha orado por Seus algozes. Sua ressurreição e ascensão e Sua obra no Céu como Mediador do homem caído eram tópicos sobre os quais se regozijavam em relembrar. Os pagãos bem podiam chamá-los cristãos, uma vez que pregavam a Cristo e dirigiam suas orações a Deus por intermédio dEle. {Atos do Apóstolos, pág. 87}

Pode o mundo hoje nos chamar cristãos ao olhar nossas publicações? Podemos ser a voz de Deus na proclamação de Seu amor ou usaremos nossos lábios para denegrir? #PenseNisso

Annik Catunda

Texto revisado por Sthefeson Rony Jr.

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  • OooHaroldOoo

    Meus parabéns aos administradores da pagina. Vocês vão por um bom caminho. Espero que a luz de Cristo possa seguir iluminando suas vidas!

    Gostaria de fazer minha participação, mencionando duas verdades sobre a nossa postura em relação à política e governo.

    A primeira verdade é que a vontade de Deus permeia e suplanta todos os aspectos da vida. A vontade de Deus é o que tem precedência sobre tudo e todos (Mateus 6:33). Os planos e propósitos de Deus são fixos, e a Sua vontade é inviolável. Ele realizará a Sua vontade, a qual nenhum governo pode contrariar (Daniel 4:34-35). Na verdade, é Deus quem “remove reis e estabelece reis” (Daniel 2:21) porque o “Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer” (Daniel 4:17). Um entendimento claro desta verdade vai nos ajudar a ver que a política é apenas um método que Deus usa para realizar a Sua vontade. Apesar de homens maus abusarem do seu poder político por terem uma intenção perversa, Deus o usa para o bem, trabalhando “para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28).

    Segundo, devemos compreender o fato de que o nosso governo não pode nos salvar! Só Deus pode. Nunca lemos no Novo Testamento sobre Jesus ou qualquer um dos apóstolos gastando qualquer tempo ou energia em ensinar os crentes a reformar o mundo pagão de suas práticas idólatras, imorais e corruptas através do governo. Os apóstolos nunca convidaram os crentes a demonstrar desobediência civil e protestar contra as leis injustas ou esquemas brutais do Império Romano. Em vez disso, os apóstolos ordenaram os cristãos do primeiro século, assim como nós hoje, a proclamar o evangelho e viver vidas que dão evidência clara do poder transformador do Evangelho.

    As entidades políticas não são o salvador do mundo. A salvação de toda a humanidade tem sido manifestada em Jesus Cristo. Deus sabia que o nosso mundo precisava de salvação muitos antes de qualquer governo nacional ter sido fundado. Ele mostrou ao mundo que a redenção não poderia ser realizada através do poder do homem, sua força econômica, sua força militar ou a sua política. A paz de espírito, contentamento, esperança e alegria – e a salvação da humanidade – são realizados somente através da Sua obra de fé, amor e graça.

    Meu apelo final, apenas, é que sejamos cristãos bíblicos.

    Abraços!

    • Annik Catunda

      Haroldo, fiquei extremamente feliz com seu comentário que, não só foi muito oportuno, como tbm acrescentou em muito a ideia do presente artigo. Muito obrigada e Deus te abençoe!