Como Laís Souza nos ensina sobre vontade – COMENTÁRIO JOVEM SOBRE A LIÇÃO DA ESCOLA SABATINA

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Nos últimos dias, um vídeo da ex-ginásta e esquiadora, Laís Souza, movimentando o braço, foi rapidamente compartilhado pelas mídias digitais e muitos comentários de incentivo e motivação foram dados a ela. Para quem não sabe, há um pouco mais de dois anos, durante os treinos para a prova de esqui aéreo nos jogos olímpicos de inverno em janeiro de 2014, Laís se acidentou gravemente ao se chocar com uma árvore, ficando tetraplégica. Em janeiro deste ano, o Globo Esporte fez uma entrevista com ex-atleta perguntando sobre seus objetivos e sonhos e a resposta foi: “Meu objetivo é andar. Agora, a velocidade com que isso vai acontecer, não tenho como dizer. Tem que ir no dia a dia e tentar não desistir, porque sei que é um problema que vai ser lento para ser resolvido. Tem que ir indo e lutando. Vejo pessoas que estão na cadeira e não fazem nada para sair; não saem de casa, não tentam fazer diferente. Eu quero fazer diferente! Quero voltar a andar. Que seja mexer os braços! É o mínimo que espero”.

Eu gosto muito de fazer analogias, comparar situações diferentes. Então, convido você a pensar junto comigo sobre como a garra e a força de vontade de vencer as consequências de um acidente tem tudo a ver com a lição da escola sabatina (guia de estudo da Bíblia semanal da igreja adventista do sétimo dia) desta semana.

Vamos pensar juntos?

Criaturas do Senhor

Deus nos criou para sermos seres perfeitos, a Sua imagem e Semelhança (Gn 1:26 e 27). Porém, com o pecado, a perfeição ganhou um “im”. A natureza pecaminosa dos seres humanos se alastrou e, hoje, vivemos a consequência do primeiro pecado do mundo (Rm 5:12). Ligando a televisão ou com uma scroll na internet, é fácil encontrar notícias que só comprovam a degradação do homem. Mortes, guerras, estupros, roubos, fome, acidentes, entre outras tragédias passaram a ser o cotidiano da sociedade mundial. Com isso, fica difícil pensar em coisas boas, vinda do ser humano. E isso é verdade. Por mais que nos coloquemos em um patamar de superioridade, somos só pó. Nada, de bom, vem do ser humano. Somos ruins por natureza. No entanto, quando nos colocamos perto de Cristo, a história muda.

“Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há oscilação como se vê nas nuvens inconstantes”(Tg 1:17).

Só fazemos algo de bom, porque Deus é bom. Sem Ele, realmente, somos só uma areia no olho de todo Universo. E você sabe como uma areia no olho incomoda.

Mesmo sabendo disso, é engraçado como ainda nos fazemos auto-suficientes. Com essa realidade, fica difícil enxergar o certo e o errado. A frase “Eu não mato, não roubo” passou a suavizar nossa dependência de Deus, tornando-nos boas pessoas. A justificação de um erro por outro erro passou a ser a base de conduta. Eu posso fazer tal coisa, porque fulano fez isso. Sabe o que isso implica? A imagem e a semelhança de Deus está se tornando um termo cada vez mais distante, por nossa própria culpa. A imersão na cultura, o ambiente onde vivemos, os relacionamentos inter-pessoais, às vezes, impede-nos de enxergar que somos totalmente dependentes de Deus e de que precisamos nos exercitar, como em um treinamento físico, a fim de aprendermos isso.

É difícil mudar aquilo que estamos acostumados a fazer. Quanto tempo gastamos com coisas inúteis? Quanto tempo gastamos com um estilo de vida que não acrescenta coisa alguma? Esses dias, no feriado, parei pra assistir a um filme e depois ao final me questionei: esse filme me aproximou de Deus ou me ensinou algo produtivo? Estou falando isso porque essa é a realidade pós-moderna de hoje. Eu não sou diferente, infelizmente!

Força de vontade

Laís Souza tem demostrado uma melhora significativa. Ela faz de sua recuperação um treino para uma olimpíada. Do mesmo jeito que se empenhava em ser a melhor atleta, ela se empenha em voltar a andar (g1.com). Assim, deve ser nossa caminhada cristã.

“A religião pura tem que ver com a vontade. A vontade é o poder que governa a natureza do homem, pondo todas as outras faculdades sob seu comando. A vontade não é o gosto nem a inclinação, mas o poder que decide, o qual opera nos filhos dos homens para obediência a Deus, ou para a desobediência. (…) Estareis em perigo constante enquanto não compreenderdes a verdadeira força de vontade. Podeis crer e prometer tudo, mas vossas promessas ou vossa fé não têm, nenhum valor enquanto não puserdes a vontade ao lado da fé e da ação”.(MJ – Pag. 151)

Pela liberdade que Deus nos dá, Ele não nos obrigará a fazermos Sua vontade como em um passe de mágica. A mágica está no ser humano escolher, reconhecer a dependência de Deus e, então, buscar fazer Sua vontade. Isso é até um trocadilho: precisamos ter vontade para fazer a vontade de Deus. Nunca conseguiremos seguir o exemplo de Cristo se não nos exercitarmos, pondo em prática a nossa força de vontade. Até quando usaremos a desculpa de termos natureza pecaminosa para justificarmos todo e qualquer pecado acariciado?

recuperação diária e constante

É muito difícil morrer para o eu e viver por Cristo. Fazer a vontade de Deus requer esforço e renúncia. É uma caminhada longa, mas recompensadora. Fazer a vontade de Deus não traz riqueza, popularidade e gratificação que o mundo incentiva, e sim recompensas eternas, riquezas que nunca serão destruídas.

Dia após dia… É assim que Laís vê sua recuperação e, de igual modo, devemos nos recuperar da doença do pecado, por meio de Jesus Cristo. Deus sempre nos ajudará, entretanto precisamos ter força de vontade para sair da cadeira de rodas do pecado e mexermos nossos braços, pernas, mente e coração para Cristo. É difícil, contudo, não é impossível com Deus (Lc 1:37).

Oro, para que todos nós consigamos vencer essa trajetória. Que não coloquemos Satanás no pódio de nossas vidas, alegando que não temos forças para abandonarmos nossos pecados, mesmo com a ajuda divina. Não permitamos nós que essas coisas sejam os nossos ídolos.