Contagem regressiva!

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O ministério de Cristo estava chegando ao fim. A última semana estava agora perante Ele. Finalmente, a semente prometida havia chegado, o Rei viera ao seu reino. Porém, ainda que há mais de quinhentos anos antes desse acontecimento o profeta Zacarias já houvesse profetizado esse momento, os líderes judeus e o povo esperavam um messias diferente do qual lhes fora dado, haviam perdido de vista o verdadeiro significado das profecias messiânicas; e cegados pelo orgulho farisaico, pela maldade e inveja não puderam discernir a verdade e esperaram um salvador criado a semelhança de suas imaginações.

Vamos ler o que o profeta disse e comparar com os últimos eventos dessa semana:

“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei; ele é justo e traz a salvação; ele é humilde e vem montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta.” Zacarias 9:9

Não obstante, não foi com pouca pompa que Jesus foi recebido em Jerusalém. Era de fato a vontade de Deus que Ele recebesse glória “Eu vos asseguro, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão!” Lucas 19:40. Uma vez que esse momento ficaria marcado na mente de muitas pessoas, era necessário atrair a atenção de todos de modo que cada pequeno ato dessa semana levasse o senso comum a ir além da imaginação. Outrossim, a sua visita à Jerusalém marcava um momento decisivo na vida de cada cidadão daquela cidade e da história da humanidade.

Todavia, Jesus em sua maneira singular, não deixou que a excitação do momento tirasse de sua mente o objetivo daquela hora.

“Quando ia chegando, assim que viu a cidade, Jesus começou a chorar sobre ela, e proclamou: “Ah! Se tu compreendesses neste dia, sim, tu também, o que traz a paz! No entanto agora isto está encoberto aos teus olhos.” Lucas 19:41,42.

Ele não hesitou em quebrar a paz e alegria do momento a fim de trazer as pessoas para a realidade das coisas Espirituais. Naquele dia o anjo da misericórdia estava fechando as asas sobre Jerusalém. Contudo, ainda havia esperança caso o aceitassem como Filho de Deus. E aqui repousa uma lição para nós: mesmo Jesus conhecendo a sorte e futuro dos seus esforços, decidiu se lançar de maneira incansável atrás de suas ovelhas, ainda que isso lhe custasse a morte. Assim também devemos nós, diante das profecias, e da certeza de um decreto dominical, nos esforçar de igual modo em defender a verdade até que tudo que poderia ser feito se faça.

Vem do Espírito de Profecia a confirmação desse amor incompreensível:

” Aquele mesmo que dera essas profecias, repetia agora, pela última vez, a advertência. Em cumprimento da profecia, o povo proclamara Jesus rei de Israel. Ele lhes recebera as homenagens, e aceitara a posição de rei. Nesse caráter devia agir. Sabia que seriam nulos Seus esforços para reformar um sacerdócio corrompido; não obstante, essa obra precisava ser feita; tinha de ser dada a um povo incrédulo a prova de Sua divina missão. {DTN 413.1} “

Avançando nessa semana memorável, outra vez mais, durante a expulsão dos comerciantes do templo, Jesus dá ao povo e aos fariseus prova irrefutável de sua divindade. A beleza do relato merece ser  lido na íntegra:

“Novamente o penetrante olhar de Jesus percorreu o profanado pátio do templo. Todos os olhares estavam voltados para Ele. Sacerdotes e principais, fariseus e gentios, olhavam com surpresa e respeito para Aquele que Se achava diante deles com a majestade do Rei do Céu. A divindade irrompeu da humanidade, revestindo Cristo de uma dignidade e glória que jamais manifestara. Os que se achavam mais próximos dEle afastaram-se o mais que lhes permitia a multidão. Não fosse a presença de alguns de Seus discípulos, e o Salvador Se encontraria como isolado. Todos os sons cessaram. Parecia insuportável o profundo silêncio. Cristo falou com um poder que dominou o povo como uma forte tempestade: “Está escrito: A Minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores”. Lucas 19:46. Sua voz soou como trombeta através do templo. O desagrado de Sua fisionomia assemelhava-se a um fogo consumidor. Com autoridade, ordenou: “Tirai daqui estes”.{DTN 413.2}

Uma vez que o relato acima ocorreu na esfera humana, também nós estamos sujeitos a tais condições. Não foi do dia para noite que o templo ficou infestado de comerciantes. O senso da santidade de Deus é perdido por cada “pequena raposa” que entra na nossa vida, são concessões aparentemente insignificantes que nos comprometem dia após dia. Em seguida, estamos tão despidos da santidade de Deus que ela se torna “um fogo consumidor” para nós, de modo que achamos tudo o que é santo, sem graça. Até que, por fim, trazemos para dentro da igreja nossos gostos não convertidos e oferecemos, pouco a pouco, um fogo estranho à Deus.

Por conseguinte, chegaremos ao ponto de perdemos Deus de vista, assim como os fariseus, que negando fatos tão óbvios, beiravam a loucura. Ouviam a verdade mas preferiam acreditar conforme a sua vontade, dando lugar ao orgulho agiram insanamente. Acreditavam serem justos, mas andavam em suas próprias justiças, ofereciam um tipo de sacrifício que Deus não tinha pedido. Adorando-O conforme o que acreditavam ser o melhor (e em muitas outras vezes o mais conveniente), estavam adorando às suas próprias crenças, aos seus próprios raciocínios, adoravam a si mesmos, colocaram-se no lugar de Deus.

Seguindo os ensinos da última semana de Jesus, vimos que esses mesmos hipócritas vestidos de religiosidade roubaram de Deus a sua vinha. Chegando a época da safra, ceifaram para si próprios os frutos, com suas teorias e tradições esterilizaram a nação, privaram a Deus dos frutos de sua glória ( Filipenses 1:11). Na parábola de Cristo (Mateus 21:33-41), fica evidenciado tal espírito. Desejaram a herança do filho, (Hebreus 1:4) queriam o mesmo lugar cobiçado pelo originador do mal.

Eis o dilema de todo ser humano: estar sob o governo de Deus e governar a nós mesmos, ou seguir os desejos de um “coração desesperadamente corrupto” (Jeremias 17:9) e sermos governados  por estes.

Por que insistimos em seguir os impulsos do nosso coração? Por que simplesmente não nos entregamos todas as nossas não santificadas vontades a Jesus? Lembremos que com esta última opção teremos infinitos benefícios terrestres e eternos!

Fato é que existe um espaço vazio em nosso coração, tão grande quanto a dimensão do dom a nós concedido. Hoje cabe a nós a escolha. Agora devemos decidir o que fazer, podemos olhar para a história de homens do passado que tentaram preencher esse espaço com outras coisas, e por fim rejeitaram a única solução. , “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular “Salmos 118:22. Ou podemos hoje reconhecer a nossa condição deplorável, olhar para as vestes de Cristo e aceitar abrir mão de nossos trapos e  assim encontrar “paz que excede a todo entendimento”.

Portando “Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que te pede: ‘dá-me de beber’, tu lhe pedirias, e Ele te daria água viva.” jão 4:10 . Precisamos conhecer que dom é esse a fim de alcançarmos a vida. Cabe hoje fazermos a seguinte pergunta: Será que podemos cair no mesmo erros dos judeus? Seria possível estarmos equivocados quanto a identidade do nosso Salvador?

“Então Jesus lhes esclareceu: “Vós estais equivocados por não conhecerdes as Escrituras nem o poder de Deus!” Mateus 22:29.

Nosso Senhor nos proveu ampla provisão para termos as roupas adequadas para o momento de nossa visitação. Não podemos ser indiferentes com a nossa situação, precisamos compreender o poder do nosso completo Salvador, do contrário erraremos como eles erraram.

Mais uma vez o Espírito de profecia declara:

” Mal fazemos idéia da força que possuiriamos se nos ligássemos à fonte de toda força. Caímos repetidamente em pecado, e pensamos que isso deve ser sempre assim. Apegamo-nos a nossas fraquezas como se fossem qualquer coisa de que nos devêssemos orgulhar. Cristo nos diz que devemos pôr nosso rosto como um seixo, se quisermos vencer. Ele levou nossos pecados no próprio corpo ao madeiro; e mediante o poder que nos deu, é-nos possível resistir ao mundo, à carne e ao diabo. Não falemos, portanto, em nossas fraquezas e deficiências, mas em Cristo e Seu poder. Ao falarmos na força de Satanás, o inimigo consolida mais seu poder sobre nós. Quando falamos no poder do Onipotente, o inimigo é repelido. À medida que nos achegamos a Deus, Ele Se achega a nós. — Mensagens aos Jovens, 105. {MG 263.3}”

A porta da graça ainda não se fechou, hoje temos a oportunidade de estar do lado certo. Podemos agora procurar conhecer o Dom de Deus, e aceitá-lo. E fazer da triste história de Jerusalém uma nova realidade para nós, pois aquilo que poderia ter sido, ainda pode ser! Estamos em contagem regressiva!

Por Tony Christian