Um Reino cuja base é o Amor

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“Toda autoridade me foi dada no céu e na terra” Mt 28:18.

Meu filho caçula tem apenas 5 meses. Quem tem mais autoridade aqui em casa? Eu ou ele?

Essa pode ser uma pergunta aparentemente boba, mas eu creio que ela tem implicações profundas.

Segundo o dicionário online de português (http://www.dicio.com.br/autoridade/) a primeira definição de autoridade é:

s.f. Direito que determina o poder para ordenar; poder exercido para fazer com que (alguém) obedeça.

Guarde em mente o seguinte trecho “poder […] para fazer com que (alguém) obedeça.”

Meu personagem preferido na bíblia (depois de Jesus, é claro!) é Enoque. Infelizmente há pouca informação sobre ele, tanto na bíblia quanto no Espírito de Profecia. Mas o pouco que leio sobre ele me fascina desde a minha infância.

Para agora, quero trazer à sua mente uma informação “marginal” sobre ele. Está escrita em Patriarcas e Profetas, à página 84.

Apesar da iniquidade que prevalecia, havia uma linhagem de homens santos que, elevados e enobrecidos pela comunhão com Deus, viviam como que na companhia do Céu. Eram homens de sólido intelecto, de maravilhosas realizações. Tinham uma grande e santa missão: desenvolver um caráter de justiça, ensinar a lição da piedade, não somente para os homens de seu tempo, mas para as gerações futuras. Poucos apenas dos mais preeminentes são mencionados nas Escrituras, mas durante todos os séculos Deus teve fiéis testemunhas, adoradores dotados de corações sinceros.

Não está aí ainda a informação que eu pretendia fazê-lo lembrar, eu só queria mostrar a razão de tanta admiração pela história deste valoroso servo do Deus vivo. =D

De Enoque está escrito que ele viveu sessenta e cinco anos, e gerou um filho. Depois disso andou com Deus trezentos anos. Durante aqueles primeiros anos, Enoque amara e temera a Deus, e guardara os Seus mandamentos. Fora um dos da linhagem santa, dos preservadores da verdadeira fé, pais da semente prometida. […] Mas depois do nascimento de seu primeiro filho, Enoque alcançou uma experiência mais elevada; foi levado a uma relação mais íntima com Deus. Compreendeu mais amplamente suas obrigações e responsabilidade como filho de Deus. E, quando viu o amor do filho para com o pai, sua confiança singela em sua proteção; quando sentiu a ternura profunda e compassiva de seu próprio coração por aquele filho primogênito, aprendeu uma lição preciosa do maravilhoso amor de Deus para com os homens no dom de Seu Filho, e a confiança que os filhos de Deus podem depositar em seu Pai celestial. O infinito, insondável amor de Deus, mediante Cristo, tornou-se o assunto de suas meditações dia e noite; e com todo o fervor de sua alma procurou revelar aquele amor ao povo entre o qual vivia.

Vejam que fantástico, um homem que fora qualificado pelo céu com palavras como, “linhagem de homens santos”, “elevados e enobrecidos”, “homens de sólido intelecto”, e “de maravilhosas realizações”, se tornara ainda mais qualificável.

Respondendo à pergunta que fiz inicialmente, nosso filho tem, atualmente, a máxima autoridade aqui em casa. Ele dita a hora que dormimos e acordamos, especialmente os horários de minha esposa, que precisa acordar durante a noite para amamentá-lo. Se iremos ou não para algum lugar ou ficaremos em casa pois está muito frio para sair com ele. Se sobrará ou não dinheiro para algo que eu quero, uma vez que os gastos com ele são prioritários.

E por que eu iniciei com essa pergunta? Porque da mesma forma que no texto que nos foi proposto para memorizarmos esta semana, tal autoridade foi dada a ele por nós, seus pais. Nós escolhemos que ele tenha tal autoridade (“poder para […] fazer com que (alguém) obedeça.”) sobre nós.

Não foi esse tipo de autoridade que Jesus recebeu por sua vida e morte como humano. Ele recebeu de seu pai autoridade plena para com toda a raça caída. Possui por direito legítimo, a autoridade de fazer com que todo e qualquer ser que vive nesta terra O obedeça (Rm 11:36). Mas Jesus escolheu aceitar apenas a obediência que Lhe é dada voluntariamente (Ap. 3:20).

Recentemente eu passei alguns minutos colocando o pequeno Ben para dormir. Depois que ele fechou os olhinhos e começou a respirar de forma mais profunda, o que para mim era um claro sinal de que estava dormindo, eu fiquei alguns minutos apenas olhando para seu pequeno rostinho. Contemplando com alegria aquele maravilhoso presente que Deus me deu para cuidar temporariamente. Resolvi coloca-lo no berço. Assim que ele sentiu as costas tocarem no colchão, começou a chorar. Se há uma coisa que eu não gosto de fazer, é precisar refazer algo. Mas quando ouvi seu choro, rapidamente o acolhi em meus braços e recomecei alegremente todo o processo de fazê-lo dormir novamente.

Mas as coisas nem sempre são assim. Às vezes eu estou muito cansado, ou com muito sono, ou com o humor alterado por qualquer outra coisa, e o que faço se preciso niná-lo? Bem, meu humor não fará a mínima diferença. Se ele tem uma necessidade, ela será suprida, ponto.

Isso me faz entender um pouco da relação que Enoque obteve após o nascimento de seu filho. Obviamente essa é minha perspectiva, não significa que com ele foi igual. O fato é que eu tenho pensado muito nos últimos meses sobre minha relação com Deus. Se eu tenho tanta disposição para obedecê-Lo como tenho tido para atender às necessidades de meu filho. Especialmente quando meu humor está alterado, mas minha consciência aponta com muita clareza para meu dever como filho.
Jesus foi obediente ao Pai por toda sua vida. No Getsêmani, de forma especial, a obediência teve que prevalecer a seus sentimentos. Sua súplica era: “Pai, se possível, passa de mim este cálice” Lucas 22:42. E diante da resposta negativa do pai, sua postura foi de total entrega e submissão. A Sra. White chega a declarar que, se Jesus não tivesse sido fortalecido pelo anjo Gabriel, Ele teria morrido ali mesmo no Jardim.

A densa treva foi um emblema da agonia de alma e horror que se apossou do Filho de Deus. Ele tinha sentido no Jardim do Getsêmani, quando de Seus poros saíram gotas de sangue, e quando Ele teria morrido não tivesse um anjo sido enviado das cortes do Céu para revigorar o Divino Sofredor, de modo que Ele pôde trilhar Seu ensanguentado caminho até o Calvário. Spirit of Prophecy, vol. 3, p. 164.

E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. Filipenses 2:8-11

Aqui há uma tremenda lição a ser aprendida. A ressureição de Cristo é o penhor de nossa vida eterna. Ele pagou o preço que a transgressão exigiu. Rm 6:23; 1:32. Mas o preço não era meramente a morte. Por não termos mais acesso à árvore da vida (Gn 3:22-24) e não sermos seres que possuem vida por nós mesmos, nós morremos a morte que a bíblia denomina primeira morte. O real salário do pecado é a segunda morte (Ap 20:6 e 14). E foi justamente essa que Jesus sofreu.

A segunda morte se dá através de alguns eventos:

1 – Separação completa de Deus.

a luz de Deus estava retrocedendo de Sua vista, e Ele estava passando às mãos dos poderes das trevas” (Bible Echo and Signs of the Times, 1º de agosto de 1892). “Foi necessário que a densa escuridão caísse sobre Ele por causa da retirada do amor e do favor do Pai; pois Ele estava Se colocando no lugar do pecador. Comentários de Ellen G. White, SDA Bible Commentary, vol. 7, p. 924.

A separação completa de Deus o fez pronunciar as penosas palavras: “Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?” (Mt 27:46; e Mc 15:34).

2 – Intenso sofrimento mental e físico.

Não foi, porém, a lança atirada, não foi a dor da crucifixão, que produziu a morte de Jesus. Aquele grito soltado ‘com grande voz’ (Luc. 23:46) no momento da morte, a corrente de sangue e água que Lhe fluiu do lado, demonstravam que Ele morreu pela ruptura do coração. Partiu-se-Lhe o coração pela angústia mental. Foi morto pelo pecado do mundo. O Desejado de Todas as Nações, p. 772.

3 – Morte

Jesus passou por essas três etapas, cumprindo assim a exigência da lei de que o salário do pecado é a morte. O mesmo se dará com os ímpios no fim dos tempos. Eles serão separados da presença de Deus (2Ts 1:9), sofrerão profunda angústia (Sl 32:10, Rm 2:9) e por fim, morrerão.

Depois de cumprida a exigência da lei, a dívida do pecado está quitada (Rm 6:7). A questão a ser aprendida agora é: Por que depois da morte eterna, Jesus pode ressuscitar, mas os perdidos não ressuscitarão?

Estando o débito dos perdidos quitado, poderia Deus ressuscitá-los para que tenham vida eterna? É certo que sim. O preço foi pago, e assim como Deus pode criar novos seres, ele pode dar vida a qualquer ser que tenha morrido. Precisamos entender as consequências de um ato desta natureza, da parte de Deus.

Ao ressuscitar a Cristo, Deus trás a “alguém” que está em plena conformidade com a ordem do universo. A bíblia é clara em afirmar que nossos corpos serão transformados por ocasião da volta de Jesus, mas o mesmo não ocorrerá com relação à nossas mentes. É óbvio que seja assim, afinal, nossas mentes são nada menos que a soma de todas as decisões que tomamos em exercício do livre arbítrio, um dos principais pilares do Reino Eterno. A senhora White não deixa a mínima dúvida com respeito a este assunto.

Quando Ele vier não irá nos limpar de nossos pecados, remover de nós os defeitos de caráter, ou curar-nos de nossas enfermidades de temperamento e disposição. Se esta obra for realizada por nós, será totalmente completada antes daquele tempo. Quando o Senhor vier, aqueles que são santos, serão santificados ainda. Testemunhos para a Igreja, vol. 1, p. 245.

O caráter celeste deve ser adquirido na Terra, ou jamais se poderá obter. Começa, portanto, imediatamente. Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 245.

Solene coisa é morrer, mas muito mais solene é viver. Todo pensamento e palavra e ato de nossa vida será novamente enfrentado. O que fazemos de nós mesmos no tempo da graça, isso havemos de permanecer por toda a eternidade. A morte traz a dissolução do corpo, mas não opera mudança no caráter. A vinda de Cristo não nos muda o caráter; fixa-o apenas para sempre, além da possibilidade de qualquer mudança. Testemunhos Seletos, vol. 2, pág. 167.

Após sofrer a segunda morte, Jesus pôde ressuscitar porque ele possuía total aprovação do Pai. Ele não representava perigo algum à ordem e harmonia do universo. Situação diversa com relação aos perdidos, que permanecerão eternamente na inexistência pois se trazidos novamente à vida, seus caracteres desalinhados com a vontade de Deus traria desarmonia ao Reino Celeste. Se Deus ressuscitasse um dos perdidos que tenha pagado o preço de sua vida de pecado, ou seja, sofrendo a segunda morte, e no momento da ressureição, Ele operasse qualquer mudança miraculosa no caráter desta pessoa para que ela a partir dali fosse uma fiel serva, Ele estaria ressuscitando uma outra pessoa totalmente distinta da que havia morrido. Não faz o mínimo sentido.

Para que você e eu tenhamos vida eterna, é preciso que permitamos que o autor e consumador da vida transforme-nos de forma radical. O sacrifício de Cristo precisa ser fonte de inspiração para que sacrifiquemos diariamente nossas próprias vidas. A ressureição de Cristo é nosso penhor e esperança, mas ele por si só, não salvará uma única alma. Após a minha morte para o mundo, é preciso que um novo ser seja ressuscitado (II Co 5:17).

No cerimonial do antigo templo de Israel, o cordeiro deveria ser morto e o sangue deveria ser aplicado nas portas das casas. Se o israelita apenas matasse o cordeiro, comesse sua carne mas se esquecesse de aplicar o sangue na porta, o anjo destruidor passaria em sua casa e tiraria a vida de seu filho primogênito (Ex. 12:14-27). Da mesma forma, a morte e ressureição de Cristo são parte do processo, mas não ele completo.

Logo no início da vida cristã, deve ensinar-se aos crentes seus princípios fundamentais. Deve-se-lhes ensinar que não serão salvos somente pelo sacrifício de Cristo, mas que também devem tornar a vida de Cristo a sua vida e o caráter de Cristo o seu caráter. Parábolas de Jesus, 57.

Por isso a bíblia diz claramente que, no Juízo, Deus retribuirá a cada um “segundo as suas obras“ (Rm 2:6; Ap. 20: 12 e 13). Para que alguém tenha vida eterna, é preciso que, com sua permissão ativa, Deus o tenha transformado e moldado segundo o Seu querer.

Muito nos é dito sobre nossa missão de pregar tal boa nova ao mundo. E apenas para deixar as cosias muito claras, a boa nova é: O Cordeiro morreu e pagou meu/seu débito, mas Ele fez mais, ele quer aplicar Seu sangue no seu/meu coração, para que você/eu seja uma nova pessoa.

Eu finalizo com a seguinte pergunta: Sendo eu e você semelhantes ao nosso Mestre, permitindo eu e você que a vida de Cristo seja a minha/sua vida e o caráter de Cristo o meu/seu caráter, ficaríamos nós inertes no trabalho missionário? Ou seríamos ativos mensageiros do Evangelho Eterno a cada segundo de nossas vidas?