Portadores de Esperança – Comentário jovem sobre a Lição da Escola Sabatina

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“Todos podem ser grandes porque todos podem servir.” (Martin Luther King)

“Somente uma vida dedicada a outros é uma vida que vale a pena ser vivida.” (Albert Einstein)

“Ninguém cometeu erro maior do que aquele que nada fez porque só podia fazer pouco.” (Edmund Burke)

A lição desta semana traz a nós conceitos importantes e relevantes para a nossa caminhada cristã. No título “Justiça e Misericórdia” vemos duas características fundamentais que nos revelam a grandeza do caráter de Deus e a base de Seu trono.

No hebraico, praticar a justiça (hebr. tsedâqâh) é dar ao outro aquilo a que ele tem direito de forma que nada lhe falte, seja isto comida, roupas, dinheiro ou até mesmo trabalho. Deus nos chama a andar em justiça e retidão (Gn 18:19) porque Ele mesmo é justo. “Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor”. Jeremias 9:24. Podemos ver a justiça e a misericórdia de Deus no seguinte trecho da inspirada escritora:

Todas as coisas Cristo recebeu de Deus, mas recebeu-as para dar. Assim nas cortes celestes, em Seu ministério por todos os seres criados: através do amado Filho, flui para todos a vida do Pai; por meio do Filho ela volve em louvor e jubiloso serviço, uma onda de amor, à grande Fonte de tudo. E assim, através de Cristo, completa-se o circuito da beneficência, representando o caráter do grande Doador, a lei da vida. {DTN 10.2}

Logo, como seres criados à imagem e semelhança de Deus, e sendo Seus cooperadores, temos a missão de dar a outros a condição necessária de exercerem o domínio próprio e lívre-arbítrio. O fato de darmos a alguém algo que é nosso não deveria nos encher de orgulho ou justiça própria, ou nos fazer sentir melhores e acima de quem recebe ajuda. De fato, Levíticos nos previne contra esta ideia quando diz: “Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois estrangeiros e peregrinos comigo.” Levítico 25:23. Ou seja, o que temos na realidade não nos pertence. Todas as coisas são propriedade de Deus, nós apenas tomamos posse temporária. Para o Rabino Jonathan Sacks, o “fato de não sermos donos de nossa propriedade mas dela guardiões em nome de Deus nos limita ao papel de administradores de bens, e uma das condições para o desempenho desse papel é dividir parte daquilo que guardamos com quem precisa”. (Para curar um mundo fraturado, p. 48).

Ellen White partilha do mesmo pensamento: “Deus fez dos homens Seus mordomos, e não deve ser feito responsável pelos sofrimentos, miséria, desamparo e necessidades da humanidade. O Senhor fez ampla provisão para todos. Deu a milhares de homens grandes suprimentos com que aliviar as necessidades de seus semelhantes;” {BS 16.1}

Após o êxodo as leis levíticas, principalmente aquelas relacionadas aos mais necessitados (orfãos, viúvas, pobres e escravos) fizeram-se extremamente necessárias. Sem a devida instrução, e esquecendo que eles mesmos um dia sofreram injustiças sob mãos egípcias, o povo seria capaz de esquecer os princípios que seus patriarcas seguiram. A hospitalidade, benevolência e justiça deveriam continuar a ser parte da identificação do povo de Deus.

Por serem uma sociedade agrícola, as leis eram em sua maioria de ordem agrária e todos deveriam observá-las de bom grado (Deuteronômio 15:10). Além do sábado semanal, dia santo e reservado por Deus e para Deus nos primórdios da criação, havia ainda o “ano da desobrigação”, em que escravos eram libertos e a terra descansava, e o ano do Jubileu, em que as terras ancestrais deveriam ser devolvidas aos seus proprietários originais. O ano do Jubileu indicava ainda que os “pobres têm tanto direito a um lugar no mundo de Deus como o têm os mais ricos.” {PP 392.1}

Além disso, havia recomendações sobre o terceiro e o sexto dízimos,  a “margem do campo”, “feixe esquecido” e o “respigar da colheita” para que os menos favorecidos e sem condições de obterem sustento não entrassem em um estado de miséria permanente. Obedecendo a essas leis, Israel carregaria sempre consigo as bençãos do Senhor, conforme está escrito:

Se somente ouvires diligentemente a voz do Senhor teu Deus para cuidares em cumprir todos estes mandamentos que hoje te ordeno; Porque o Senhor teu Deus te abençoará, como te tem falado; assim, emprestarás a muitas nações, mas não tomarás empréstimos; e dominarás sobre muitas nações, mas elas não dominarão sobre ti. Deuteronômio 15:5,6

Todo esse sistema de leis foi divinamente elaborado para que a riqueza não se tornasse acumulada nas mãos de uns poucos e para que Israel fosse continuamente estimulado a praticar a justiça e a caridade. “Aqueles estatutos destinavam-se a abençoar os ricos não menos que os pobres. Restringiriam a avareza e a disposição para a exaltação própria, e cultivariam um espírito nobre e de beneficência; e, alimentando a boa vontade e a confiança entre todas as classes, promoveriam a ordem social, a estabilidade do governo.” {PP. 392} E, ao pé do monte Sinai, Israel havia se comprometido em cumprir todas as leis e ordenanças especificadas minuciosamente por Moisés.

Estas leis deviam ser registradas por Moisés, e qual tesouro cuidadosamente guardadas como fundamento da lei nacional; e, juntamente com os dez preceitos para ilustração dos quais foram dadas, deviam ser a condição para o cumprimento das promessas de Deus a Israel. […] Seguiu-se então a ratificação do concerto. Foi construído um altar ao pé da montanha, e ao lado dele ergueram-se doze colunas, “segundo as doze tribos de Israel”, em testemunho de sua aceitação do concerto. Foram então apresentados sacrifícios pelos moços escolhidos para tal ato. {PP 220.4}

Havendo aspergido o altar com o sangue das ofertas, Moisés “tomou o livro do concerto, e o leu aos ouvidos do povo”. Assim foram solenemente proferidas as condições do concerto, e todos ficaram na liberdade de escolherem conformar-se com as mesmas ou não. Tinham a princípio prometido obedecer à voz de Deus; mas haviam depois disto ouvido proclamar a Sua lei; e seus princípios tinham sido particularizados, para que pudessem saber o quanto este concerto abrangia. Outra vez o povo respondeu unanimemente: “Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos.” “Havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue […] e aspergiu não só o próprio livro como também todo o povo, dizendo: Este é o sangue do testamento que Deus vos tem mandado”. Hebreus 9:19, 20. {PP 220.5}

O mal de muitas nações atualmente, inclusive o Brasil, é que a riqueza é acumulada à custa do trabalho e pobreza de muitos. A consequência disto tem sido guerras, revoltas e conflitos partidários por todo os lado. Leia o trecho abaixo e analise se não parece um relato dos dias atuais.

Grandes males resultariam /(resultam) da acumulação contínua da riqueza por uma classe, e da pobreza e degradação por outra. Sem alguma restrição, o poderio dos ricos se tornaria um monopólio, e os pobres, se bem que sob todos os aspectos perfeitamente tão dignos à vista de Deus, seriam considerados e tratados como inferiores aos seus irmãos mais prósperos. A consciência desta opressão despertaria as paixões das classes mais pobres. Haveria um sentimento de aflição e desespero que teria como tendência desmoralizar a sociedade e abrir as portas aos crimes de toda espécie. {PP 392.3}

Sem o cumprimento destas leis o oferecimento de sacrifícios se tornaria abominável aos olhos do Senhor e a verdadeira adoração se tornaria deturpada, visando apenas lucros pessoais e satisfação própria. Contra tais práticas levantaram-se os profetas que vieram após Moisés, séculos depois de o povo ter feito concerto com o Senhor. Entre tais apelos destaca-se o capítulo 58 de Isaías. O profeta de nossos dias une-se ao apelo dos antigos profetas:

“Lede Isaías 58, vós que dizeis ser filhos da luz. Especialmente lede de novo os que vos sentis tão relutantes em vos dardes ao incômodo de favorecer o necessitado. Vós, cujo coração e casa são demasiado estreitos para prover um lar aos que o não têm, lede-o; os que podeis ver os órfãos e as viúvas oprimidos pela mão de ferro da pobreza e humilhados pela dureza de coração dos mundanos, lede-o.

A razão por que o povo de Deus não é mentalmente mais espiritual, e não tem mais fé, é por que, foi-me mostrado, está estreitado pelo egoísmo. O profeta está-se dirigindo aos guardadores do sábado, e não aos pecadores, não aos incrédulos, mas aos que fazem grande profissão de piedade. Não é a abundância de vossas reuniões que Deus aceita. Não as numerosas orações, mas a prática do bem, o fazer as coisas certas no tempo certo. É o ser menos egoísta e mais benevolente. Nossas almas precisam expandir-se. Então Deus fará que sejam como um jardim regado, cujas águas não faltam.” {BS 28}

A ordem e prescrição divina de Deus para o Seu povo – Adventistas do Sétimo Dia – não mudou. Ainda possuímos as mesmas obrigações e deveres que o antigo povo de Israel. No capítulo 58 está descrito o “ministério que levará vida às igrejas”. Lembremos de que, cumprindo as leis estudadas na lição dessa semana, Boaz teve misercórdia para com Rute e dessa forma o Salvador pôde vir a este mundo. Sejamos portanto portadores de luz  e esperança e alcemos a voz alegremente anunciando o  ano do Jubileu por vir a um mundo a padecer nas trevas do pecado.

A religião pura e imaculada perante o Pai é esta: “Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.” Boas obras são os frutos que Cristo requer que produzamos; palavras amáveis, atos de benevolência, de terna consideração para com os pobres, os necessitados, os aflitos. Quando corações simpatizam com corações oprimidos por desânimo e angústia, quando a mão dispensa ao necessitado, é vestido o nu, bem-vindo o estrangeiro a um assento em vossa sala e um lugar em vosso coração, os anjos chegam muito perto, e acordes correspondentes ecoam no Céu.  {BS 35.2}

Assista a seguir uma breve reportagem sobre o que acontece à uma nação quando esta respeita seus cidadãos dando-lhes aquilo a que todos têm direito.

Annik Catunda