Nos Passos de Jesus

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Filament.io 0 Flares ×

Eu gosto de imitar. Tenho a teoria de que nasci com o gene travesso da imitação. No passado, não interessava se meus alvos não gostavam, eu sabia reproduzir muito bem a voz, feições, gestos, etc. Passou-se o tempo e adivinha só? Eu não parei! Continuei imitando por aí.

No entanto, algo positivo se intensificou com o tempo. A imitação passou de mero entretenimento para cópia de bons costumes. Se encontro alguém por quem começo a nutrir admiração, começa-se um processo, muitas vezes inconsciente, de espelhamento. Se a pessoa pronuncia uma palavra de alguma forma, passo a fazê-lo; se a pessoa cita uma certa literatura, eu leio; se ela trata as pessoas de uma maneira que apreciei, assim eu procedo; se ela possui certo hábito, procuro entendê-lo.

Na verdade, essa não é uma exclusividade minha, nós imitamos as pessoas de que gostamos. Há uma esperança em nosso subconsciente de que, se nos parecermos mais com elas, passaremos a adquirir qualidades que elas possuem.

Nesse mesmo pensamento, é comum nas atuais redes sociais falarmos de “seguidores”. Pelo preço de um clicar de botão, pode-se passar a ser um seguidor de alguém. Segue-se, então, que tudo divulgado ou produzido pela pessoa aparece em nosso próprio perfil ou conta online. As roupas, músicas, jeito de falar, gírias e comidas que eles propagandeiam passam a ser moda (quase leis!).

O verbo seguir na língua inglesa (<follow>), que é bem conhecido da maioria hoje, tem uma origem bem interessante:

Do Inglês Antigo, “folgian, fylgian, fylgan”[significa]: acompanhar (especialmente como um discípulo), se mover na mesma direção; siguir depois, prosseguir, mover-se por trás na mesma direção”, também “obedecer (a regra ou lei), em conformidade com , agir de acordo com; aplica-se a (uma prática, habilidade ou chamado)” Fonte: http://www.etymonline.com/

Ao ler essa referência etimológica, fiquei pensando: será que eu sigo a Jesus dessa maneira? Será que eu tento transmitir, em minha vida, os traços de Seu caráter com o mesmo vigor que imito aqueles por quem tenho admiração?

O personagem bíblico que inspirou minha mãe a dar o nome que recebi, era um seguidor extraordinário também. Reparem como o chamado de Mateus, tratado nos Evangelhos como “Vocação”, foi simples, puro e genuíno:

E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu. Mateus 9:9

Mateus não pôde ficar parado ali! Ele viu que precisava seguir o Cordeiro, e assim fez. Não importa se era preciso levantar e deixar a alfândega! Se o Cordeiro chamou, é preciso ir! É preciso entregar todas as chaves de nosso coração, amá-lo de inteiramente, de toda alma, com todas as forças!

Acertadamente, a escritora Ellen White declarou:

O Senhor não aceita serviço de coração dividido. Requer o homem todo. A religião deve ser introduzida em todos os aspectos da vida, levada a toda espécie de trabalho. O ser inteiro deve estar sob o domínio de Deus. Não devemos pensar que possamos superintender nossos próprios pensamentos. Eles devem ser levados cativos a Cristo. O eu não pode governar o eu; não é suficiente para essa obra. … Unicamente Deus nos pode fazer e conservar leais. — The Review and Herald, 14 de Setembro de 1897. AV 212.1

Deus nos deu nesta vida muitas coisas a que dedicar nossas afeições; quando, porém, levamos ao excesso aquilo que em si mesmo é legítimo, tornamo-nos idólatras. … Qualquer coisa que separe de Deus nossas afeições e diminua nosso interesse nas coisas eternas, é um ídolo. Os que empregam o precioso tempo concedido por Deus — tempo que foi adquirido por preço infinito — em embelezar seu lar para ostentação, ou em seguir as modas e costumes do mundo, esses não só roubam de sua própria vida o alimento espiritual, como também deixam de dar a Deus o que Lhe é devido. O tempo assim gasto na satisfação de desejos egoístas, poderia ser empregado na obtenção de conhecimentos a Palavra de Deus, no cultivo de talentos, para rendermos serviço inteligente ao nosso Criador. … Deus não participará de um coração dividido. Se o mundo absorve nossa atenção, não pode Ele reinar supremo. Se isto diminui nossa devoção a Deus, é então idolatria aos Seus olhos. Deus não justificará o transgressor nesse aspecto. … PC 319.4

O compositor Adventista Ênio Monteiro entendeu bem essa lição. Sua música “Nos Passos de Jesus” (hino 481 do Hinário Adventista), antigamente intitulada “Pegadas“, relata de maneira bela a experiência do Cristão de seguir a Jesus.

Repare:

Sigo a perigosa estrada deste meu viver,
Onde cada passo em falso pode ser meu fim.
Mas eu sigo em frente, pondo sempre os meus pés
Sobre as pegadas que Jesus deixou pra mim.
Eu vou para onde este trilho me levar;
Quero no final dele encontrar o meu Jesus.
E se alguém vier atrás de mim por onde vou,
Vai ver que Cristo e eu deixamos uma pegada só.

Se você for como eu, deve ter lido essa letra cantando-a em sua mente! Desafio, agora, aqueles que estão lendo este texto a serem inspirados a chamar aqueles que ainda não conhecem o Evangelho com o pensamento desse hino. Pode ser que, sem falar uma palavra, seu exemplo esteja fazendo outras pessoas imitarem você, isto é, pode ser que, elas estejam imitando a Cristo por terem, por tabela, “seguido” você. O mesmo Jesus que se declarou a “Luz do mundo” em João 8:12, disse que somos a Luz do mundo em Mateus 5:14. Que mensagem maravilhosa, não?

Comecemos o sábado com esse magnífico pensamento!

“Unicamente o método de Cristo trará verdadeiro êxito no aproximar-se do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: ‘Segue-Me.’ João 21:19″ CBV 143.3

Por Matheus Fugita